terça-feira, 25 de junho de 2013

Vamos para rua!

O Senhor disse a Moisés: — Por que você está me pedindo ajuda? Diga ao povo que marche. (Êxodo 14:15)

As manifestações que vêm ocorrendo em vários pontos do Brasil não podem ser minimizadas. Nós estamos vivendo um momento histórico, e quem sabe uma revolução, porque parecíamos tolerantes demais diante das injustiças. Essas manifestações não são casuais e estão perfeitamente inseridas no contexto em que vivemos. O mais interessante é que a iniciativa de ir para a rua tem sido uma atitude de livre e espontânea vontade, sem que haja uma liderança política aparente. O crescente uso das redes sociais tem contribuído bastante para essa façanha. 

Há uma repulsa generalizada contra a corrupção e o mau uso dos recursos públicos. A insatisfação com a condução da economia e o medo de perder conquistas sociais duramente alcançadas também impulsionam a população a reagir. "As ruas das grandes cidades brasileiras parecem agora vacinadas contra o proselitismo, as ideologias velhas e o populismo."

A Bíblia não proíbe manifestações. Todos têm o direito de lutar em causa própria ou em prol do seu semelhante. Só precisamos ter cuidado para não ser levados na onda dos atos de vandalismo. O Senhor condena a violência e nada justifica a depredação do patrimônio público e privado. Do outro lado, a violência pode partir da polícia que inevitavelmente agirá para reprimir atos que considerar ameaças à segurança pública.

Mas não podemos ficar parados. Deus não quer isso. Após sair do Egito, o povo de Israel foi para o deserto e lá permaneceu descontente, sem atitude, à espera de um milagre, de uma solução divina que o livraria do exército de Faraó. O líder Moisés sabiamente pediu ajuda, mas o Senhor ordenou que o povo marchasse, não ficasse parado, porque ele estaria à frente providenciando definitivamente o livramento da escravidão. Como o povo atendeu ao pedido, Deus abriu milagrosamente o Mar Vermelho e o povo mudou de vida, ficou livre.

Essa mensagem bíblica nos ensina que devemos pedir ajuda ao Senhor orando pelos nossos governantes. Mas também nos ensina que não podemos ficar parados, inertes diante dos erros perceptíveis. Pelo contrário, a luta pelos nossos ideais, por um mundo melhor, com mais justiça social e melhores condições de vida não pode parar. 

Alguns perguntam se, como seguidores de Jesus Cristo, devemos engrossar as vozes dos que protestam contra a corrupção e a ineficiência do governo. Eu digo que sim. E vale a pena participarmos pacíficamente desse momento histórico da nossa nação.