terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Um círculo vicioso

Se o Filho os libertar, vocês serão, de fato, livres. (João 8:26) 

A liturgia da quarta-feira de cinzas é um “convite à penitência, à humildade, a ter diante dos olhos a própria condição de mortal, mas não para cair no desespero, muito pelo contrário, para poder acolher exatamente nesta nossa mortalidade, a inimaginável proximidade de Deus, que, além da morte, abre as portas para a ressurreição, ao paraíso finalmente reencontrado”. (Papa Bento XVI) 

A quarta-feira de cinzas é o dia que se inicia a quaresma - 40 dias até o domingo de Páscoa. Pela tradição, o período da quaresma tem como objetivo ser um tempo no qual as atividades e hábitos pecaminosos são abandonados. A quarta-feira de cinzas é o início deste período de arrependimento. 

A Bíblia contém inúmeras narrativas de pessoas usando “poeira e cinzas” como símbolo de arrependimento. Se alguém se sente movido pelo Senhor a observar a quarta-feira de cinzas ou a quaresma, o importante é que o faça sob a ótica bíblica. É boa coisa se arrepender de atividades pecaminosas, mas nada que fizermos nos libertará do pecado. Mesmo que o observemos com rigor, quando terminar esse ritual cairemos novamente em transgressões. É o círculo vicioso do pecado. 

Os judeus confiavam cegamente nas tradições e nas cerimônias religiosas. A esperança deles estava depositada na ascendência e na obediência à Lei de Moisés e à tradição oral dos antigos. Eles sentiam-se espiritualmente livres do pecado porque se consideravam nação santa, uma raça eleita por Deus. Jesus discordou deles ao afirmar que eles eram escravos do pecado e não filhos de Deus e que só por meio dele, Jesus Cristo, poderiam encontrar a verdadeira liberdade espiritual. 

O ritual de “poeira e cinzas”, e sua tradição, se tornaram inócuos quando da morte de Jesus Cristo, porque naquele momento ele levou os nossos pecados no seu corpo sobre a cruz a fim de que morrêssemos para o pecado e vivêssemos uma vida correta. Por meio dos ferimentos dele nós somos libertos, quando genuinamente arrependidos. 

Portanto, o melhor que temos a fazer agora é confiar no poder redentor do sangue de Jesus Cristo. Esta é a única maneira de ficarmos livres dessa escravidão que assola a humanidade desde a queda no Jardim do Éden. Aquele que é liberto por Jesus Cristo não vive pecando. (1 João 3:9)