terça-feira, 30 de outubro de 2012

Tudo ou nada?

Eduque a criança no caminho em que deve andar, e até o fim da vida não se desviará dele. (Provérbios 22:6)

"No meu tempo de criança, ganhar brinquedos, roupas e outros presentes não era fácil. As famílias eram numerosas, geralmente as mães não trabalhavam fora. A renda familiar era menor e precisava ser muito mais dividida. Éramos seis. Quando queríamos alguma coisa, nem sempre ganhávamos e, se íamos ganhar, tínhamos que esperar o tempo certo, quando nossos pais pudessem nos dar e, ainda, “fazer por merecer”. Isso foi muito importante para nossa formação. Foi assim que aprendemos que não podemos ter tudo que queremos ou na hora que queremos, que as coisas não caem do céu, que temos que conquistá-las. Foi assim que aprendemos a dar valor no que temos."

“Hoje, é tudo muito diferente. Os casais têm um ou dois filhos, três geralmente é quando algo dá errado. Há o dinheiro das mães que trabalham fora para ajudar no sustento da casa. As crianças costumam ter tudo o que querem e o que nem imaginaram que iam ter. Se a criança pensa em algo, a mãe ou pai dão um jeito de comprar. Há pais que costumam comprar para as crianças tudo que acham que vai deixá-la feliz. Há aqueles que, por trabalharem fora e terem pouco tempo para as crianças, procuram recompensar a ausência com presentes. A criança ganha um brinquedo, acha interessante, brinca algumas vezes e depois o deixa de lado, mesmo quando era algo que ela queria. Simplesmente porque ele veio facilmente para ela, ela não passou tempo sonhando com o brinquedo e esperando por ele. Muitas vezes, também porque o brinquedo não era o desejo dela, era o desejo dos pais. Já ouvi inúmeras vezes ‘quando criança quis muito e não pude ter; agora, vou dar tudo que não tive para o meu filho’. Quanta ignorância! Nesse caso, o pai dá para a criança o que ele sonhou e não entende que aquilo, para ela, não tem importância alguma ou tem uma importância muito pequena. Por isso, ela só se interessa pelo presente quando ele é novidade”. (Carmélia Cândida)

Educar filhos não é brincadeira. Eu tive a oportunidade de criar três. Graças a Deus, hoje são todos doutores. Mas existe uma pergunta que milhares de mães e futuras mamães se fazem diariamente: “Qual será a ‘fórmula mágica’ para cuidar de uma criança, cuidar de sua educação e fazer com que ela cresça dentro da sociedade como um exemplo de criança e também de pessoa e que além do filho a mãe também seja um exemplo para as outras pessoas?”

Não há uma mágica que vá fazer o seu filho ser e agir somente da maneira que você quiser até mesmo porque ele(a) é um ser humano, e assim como todos, tem vontade própria. O que você pode fazer é mostrar a ele como agir corretamente. A dica é sempre mostrar os dois lados do mundo, o lado certo e o lado errado e instruí-lo para que ele(a) siga sempre o caminho correto.

Ensiná-lo a grande diferença entre a verdade e a mentira; nunca tentar esconder dele um fato curioso; fala-lhe sobre todos os assuntos sempre com muita naturalidade, usando sempre palavras e argumentos que sejam condizentes com a sua faixa etária, porque dessa forma ele já vai se adequando às realidades da vida. Os bons modos nunca podem ficar fora de questão; ensina-lo as “palavras mágicas”, o poder da palavra desculpa; nunca incentivar uma briga ou qualquer coisa do gênero, mas mostrar sempre que existem formas fáceis e certas de conseguir o que se deseja; dizer sempre, com muito carinho e amor, que pegar coisas dos colegas é errado e que existem punições para estas atitudes. Lembrando que a melhor forma de educar o seu filho é utilizar sempre o diálogo, nunca a agressão. O seu exemplo fala mais alto que qualquer ensinamento e tudo que ele aprender hoje ficará guardado em sua memória para sempre.

Por fim, seja equilibrado(a). Não lhe dê tudo que ele(a) queira, nem lhe deixe sem nada.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Meu querido tablet

Jesus respondeu: — “Ame o Senhor, seu Deus, com todo o coração, com toda a alma e com toda a mente.” Este é o maior mandamento e o mais importante. (Mateus 22:37-38)

Recentemente eu estava conversando com uma amiga e ela me contou o que havia acontecido: ela começou uma campanha de oração com o objetivo de pedir a Deus para “quebrá-la” para que se tornasse totalmente dependente dele. No meio de uma dessas orações, ela parou e começou a pensar no que estava falando com Deus. Qualquer pessoa que tenha lido o livro de Jó sabe que pedir a Deus para “quebrá-lo” não é algo que se faça de bom ânimo, mas ela decidiu que valia a pena correr o risco, e continuou pedindo a Deus para torná-la mais dependente dele. Nada aconteceu na primeira semana de oração. Aí, o tablet dela quebrou.

Dizia ela que estava correndo em uma academia de ginástica quando o seu “queridinho” deslizou do suporte, caiu, bateu na esteira, tomou um impulso e foi parar numa parede de tijolos. Imediatamente, o mundo dela parou. Ela interrompeu o treino, viu que ele tinha rachado o vidro e começou a se preparar para comprar outro. Gastou um sábado inteiro andando de loja em loja à procura de um novo aparelho e acabou descobrindo que o  modelo do seu tablet não estava mais disponível. Então, teve que pagar mais caro por um mais atualizado. Chegando a casa, passou o resto do final de semana sincronizando o aparelho, tentando recuperar seus contatos, seus joguinhos, suas listas de reprodução de músicas e filmes. Só parou quando percebeu que tudo estava funcionando em perfeita condições.

Depois que ela me contou essa historinha, eu comecei a pensar: Quem dera tivéssemos a mesma devoção pela nossa fé, como temos pelos nossos aparelhos de estimação. Parece engraçado, ela pediu para Deus quebrá-la, mas ele quebrou a coisa à qual ela estava realmente devotada. Gostamos de pensar que os ídolos são coisas do passado e que na idade moderna poucos são os que ainda se debruçam diante de ídolos. Engano! A verdade é que os ídolos ainda estão por aí nos rodeando. Eles podem ser importantes como o dinheiro, o emprego, o carro ou a casa. Ou podem ser aparentemente insignificantes, como um tablet, um smartphone ou um notebook. O certo é que nunca tivemos tantos ídolos como na atualidade.

Todos nós gostamos de nos divertir, de gastar dinheiro, e de passar bons tempos com a família. Nada de errado! Contudo, quando uma coisa é tão importante e ocupa muito o nosso tempo e pensamentos, esta coisa torna-se um ídolo. Mas, quais são mesmo os ídolos? Por exemplo: Talvez seja uma fantasia sobre alguém que não está na nossa realidade. Talvez o desejo de ser como o nosso “ídolo”. Talvez o pensamento de que se tivéssemos mais dinheiro seríamos mais felizes...

Somente Deus é digno de receber adoração. Ele nos criou e quer nos dar tudo que necessitamos, mas, antes, o Altíssimo quer satisfazer o vazio que existe dentro de cada um de nós com a sua presença, pois ele é o único perfeito e todo poderoso.

Pode ser difícil depender de Deus, especialmente quando vivemos num mundo onde o conforto e a tecnologia estão cada vez mais acessíveis. Entretanto, devemos lembrar que máquinas quebram, o dinheiro vem e vai, as pessoas podem acabar nos decepcionando... Mas Deus permanece fiel.

Pare um momento e pergunte a si mesmo: “Existem ídolos na minha vida?” Analise se você precisa confiar mais em Deus e menos em algum outro personagem ou “coisa”.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

A sonhada perfeição

Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele. (Romanos 12:2) 

Ontem faleceu mais um animalzinho de estimação de nossa família: Uma cachorrinha “salsicha” que viveu 12 anos nos dando muita alegria. Imaginem a choradeira em casa! É impressionante como essas criaturas conseguem nos cativar. Apesar de nossas falhas para com eles, jamais nos abandonam ou deixam de balançar o rabinho demonstrando carinho e emoção ao nos ver entrando em casa. Descanse em paz Tekita! 

Uma vez eu li uma frase de para-choque de caminhão assim: “Quanto mais eu conheço gente, mais eu amo meus cachorros!” Quando li isso, achei um absurdo. Mas após refletir bastante, acabei concordando com a ideia que vem nas entrelinhas: As pessoas erram feio com a gente, os animaizinhos não têm consciência do que fazem.

Outras frases muito interessantes são mais ou menos assim: “O ser humano erra. Ninguém é perfeito!”; “Errar é humano. Permanecer no erro é burrice”; “Se quiser construir uma grande amizade, aceite as pessoas como elas são”. As mensagens contidas nessas frases nos levam à conclusão que somos, sim, imperfeitos.

Somos imperfeitos, mas Deus não nos criou assim. Na verdade, o Criador nos fez perfeitos, assim como fez perfeito cada animal e vegetal na face da Terra. Entretanto, o homem por sua livre e espontânea vontade escolheu a imperfeição. E pior, se conformou com isso. 

O grande problema que o mundo enfrenta hoje é exatamente esse conformismo com a imperfeição. Muitas vezes pensamos assim: "- Fulano pisou na bola comigo. Deixa! Depois eu dou o troco". E assim, de forma equivocada vamos levando a vida e nunca buscamos a sonhada perfeição. 

Deus disse a Abrão: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito.” (Gênesis 17:1). O nosso Criador nunca esteve satisfeito com a nossa maneira imperfeita de ser. Por isso, ordena que busquemos a perfeição. Não podemos nos conformar com a maneira que vivemos nesse mundo. Muitos ofendem o sentimento alheio sem nenhum remorso. Outros, por vingança, praticam a maldade com frieza e falta de escrúpulo. Por causa desse conformismo é que algumas pessoas sentimentais preferem a companhia dos animais. Estes não podem ser considerados imperfeitos. 

Devemos amar os animais, mas também está escrito: “Amem uns aos outros com o amor de irmãos em Cristo e se esforcem para tratar uns aos outros com respeito”. É nesse contexto que Paulo nos aconselhou a não vivermos como vivem as pessoas deste mundo. 

Jesus Cristo nos ensinou a amar. Ele mostrou isso ao viver aqui com os humanos. Sua vida é, e sempre será, o exemplo de vida. Se procurarmos seguir os seus passos, poderemos melhorar um pouco mais a convivência mútua. 

Nós continuaremos imperfeitos? Digamos que sim. Mas devemos procurar a sonhada perfeição. Certamente, o Senhor estará ao nosso lado nos auxiliando nos momentos de fraqueza.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Palavra que limpa

Vós já estais limpos, pela Palavra que vos tenho falado. (João 15:3)

“Um dia, eu estava ensinando à minha classe bíblica de crianças e contei sobre a visita de Jesus à casa de Marta e Maria. Eu expliquei, com detalhes, como Maria e Marta se apressaram para limpar a casa e fazer uma comida especial. Então, fazendo uma pausa, eu perguntei: ‘O que você faria se Jesus fosse visitar sua casa hoje?’ Uma pequena menina, rapidamente, respondeu: ‘Eu poria a Bíblia sobre a mesa’”. (Louise Day)

“A nossa ilustração poderia ser interpretada de várias maneiras, mas, prefiro entendê-la da seguinte forma: A Bíblia é o que de melhor temos para limpar nossa casa e a comida mais especial para um crescimento espiritual firme e saudável.

Quando não permitimos que a Palavra de Deus faça uma limpeza total em nós, logo nos enchemos das traças do egoísmo, das teias de aranha de mágoas e rancores, das manchas de vaidade e da poeira constante de todo tipo de pecado.

A Palavra de Deus nos limpa e, ao mesmo tempo, nos alimenta. Quando nos deixamos purificar pelos ensinos do Senhor, tornamo-nos mais alvos que a neve e mostramos o brilho da presença de Cristo em cada passo dado. O nome de Jesus é exaltado e somos fortalecidos pela alegria de Seu coração.

Se antes nos alimentávamos de ódio, indiferença, incredulidade e vícios, passamos, com a palavra, a desfrutar de uma comida mais do que especial. Nossa alma passa a provar do amor de Deus, de Sua misericórdia, de Suas promessas maravilhosas. Nosso coração passa a sentir os efeitos das vitaminas da fé e da esperança e, limpos e alimentados, nossos dias se tornam cheios de júbilo e felicidade.

E você, que faria ou o que está fazendo para receber a visita do Senhor em sua casa?”

Texto de Paulo Roberto Barbosa

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Vaidade, tudo é vaidade!

Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade (Eclesiastes 11:10). 

“Somos e seremos sempre inseguros e impotentes diante das coisas que mais nos são relevantes.” (Flávio Gikovate) 

À medida que envelhecemos, percebemos que não somos nada. Segundo o psiquiatra autor da frase acima, “não só nossos pais nos rejeitaram – segundo nossa interpretação para o fato de não terem sido mais onipresentes – mas também parece que fomos rejeitados também pelos deuses.” [...] 

“Nós que temos nome, que somos reconhecidos pelos nossos parentes, amigos e vizinhos não somos nada além de um grão de areia. Se pensarmos em nossa posição no universo, somos tanto quanto a formiga que distraidamente massacramos ao andar.” [...] 

“Por causa dos desamparos, todos nós sentimos menos amados do que gostaríamos de ter sido, o que nos faz sentirmos inferiorizados em valor absoluto”. [...] “Percebemos que nosso papel no universo é insignificante e que nossa existência em termos absolutos é irrelevante. E mais, percebemos a incerteza e a insegurança de nossa condição e a impossibilidade de nos defendermos de riscos futuros de dor e também da morte.” [...] 

“Além disso, à medida que somos capazes de fazer comparações, a inferioridade também se reforça por esta via.” [...] 

Essa descoberta por muitos hoje fora escrita pelo sábio Salomão há muitos anos. Vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Após possuir tudo e todos, o Rei Salomão finalmente senta-se para deixar escritas na tábua da humanidade as maravilhosas reflexões: “Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, gozei a felicidade, busquei a sabedoria, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento.” [...] 

“Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, ciência e destreza, apesar de seus dias serem dores, e o seu trabalho, desgosto; muitos até de noite não descansam o seu coração; contudo, deixarão o seu ganho como porção a quem por ele não se esforçou. Isso é vaidade!” [...] 

“Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais. Então, vi que todo trabalho e toda destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo.” [...] 

“Ainda que o homem viva muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo, deve lembrar-se de que há dias de trevas. Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade.” (Eclesiastes) 

Finalmente, o autor escreve que “em paralelo com essas constatações, fruto da inter-relação e da combinação das informações que acumulamos na vida, percebemos cada vez mais claramente como nos sentimos excitados, alegres e gratificados, quando nos exibimos, quando chamamos a atenção de outras pessoas, quando atraímos olhares para nós...” 

Isso é vaidade, fruto da nossa insegurança e impotência! Mas Cristo veio para mudar isso, nos dando vida em abundância e esperança de eternidade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ser como criança

Ó Senhor Deus, eu já não sou orgulhoso; deixei de olhar os outros com arrogância. Não vou atrás das coisas grandes e extraordinárias, que estão fora do meu alcance. Assim, como a criança desmamada fica quieta nos braços da mãe, assim eu estou satisfeito e tranquilo, e o meu coração está calmo dentro de mim. (Salmo 131:1-2)

Essa canção, como a maioria dos Salmos, foi escrita por Davi – o homem que foi o maior rei de Israel. É Davi que vem à mente quando você pensa em alguém “não envolvido em grandes assuntos” (conflitos de um reino, por exemplo)? Ou despreocupado com “coisas muito difíceis” (matar um gigante)? Não, para muitos, isso não tem a ver com Davi. Será?

Vamos dar uma rápida olhada em três coisas que se destacam nesse Salmo:

1) Atitude. O “coração” de Davi – a sua mente ou o seu espírito não era orgulhoso pelas obras que fizera. Considerando de onde viera e quem se tornara, ele procurou manter-se humilde de coração. Entretanto, ele não se depreciava, mas apenas tomava uma atitude de humildade.

2) Apetite. Os “olhos” de Davi – ou os seus sentidos não eram arrogantes. Ele não buscava satisfazer a si mesmo. Ele não tinha a aparência de arrogância. Ele sabia quem ele era, e que suas necessidades não eram atendidas para si mesmo. Ele não ficava inquieto para se alimentar como uma criança. Ele não “birrava” para possuir as coisas como alguns infanto-juvenis, mas controlava seus instintos, sejam eles pecaminosos ou não.

3) Aptidão. David colocava sobre “si” mesmo a responsabilidade de manter um estado de paz e tranquilidade. Não era nas circunstâncias, nem nas conquistas e nem mesmo em Deus que ele atribuía esse encargo. “Pelo contrário, eu fiz calar e sossegar a minha alma”, dizia ele.

Essas três iniciativas, tomadas em conjunto, mostram o que é realmente ter confiança. Isso nos ajuda a entender que confiar em Deus traz paz e tranquilidade. Jesus disse que devemos nos tornar como criança para entrar no Reino do Céu. Realmente, a verdadeira confiança é muito bem exemplificada na vida dos pequeninos. 

A “conversa” de Davi não era uma conversa de orgulhoso; a sua maneira de “caminhar” não era arrogante e solitária, mas dependente de alguém, de um ser maior e bem mais forte. Isso não significava que Deus não lhe pudesse confiar algo importante, mas apenas que Davi era um homem livre de ambição desmedida, sendo então apto para possuir algo elevado ou se envolver em grandes assuntos.

Para não compor uma canção usando o seu próprio nome – o que poderia parecer arrogante – ele utilizou o exemplo de uma criança, porque uma “criança desmamada” sabe instintivamente demonstrar confiança e onde encontrar segurança. Então, por extensão e por meio do grande exemplo de Davi, “o homem segundo o coração de Deus”, temos o “caminho das pedras” para encontrar a paz e a tranquilidade. 

Envolva hoje a si mesmo em uma questão simples e humilde – tal como uma conversa ou uma caminhada – e veja se você pode compor uma canção a respeito da sua alma, assim como fez Davi.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Pode chorar!

Jesus chorou. (João 11:35)

Embora soubesse que podia ressuscitar Lázaro, Jesus foi solidário na tristeza e chorou a morte do amigo. Nesta passagem, a palavra "chorou" não se refere ao ato de "chorar o morto", um lamento superficial que, normalmente, acompanhava os funerais daquela época. Mas significa "derramar lágrimas" por profunda angústia no espírito. As lágrimas de Jesus são um sinal notável de sua verdadeira humanidade.

Uma garotinha chegou tarde da escola certo dia. A mãe a aguardava.

– Quantas vezes eu tenho que dizer a você que, ao sair da escola, deve vir direto para casa? Já estava preocupada. Por favor, não faça isso outra vez!

A menina tentou se explicar:

– É que hoje houve uma exposição na escola. A Tânia e a Júlia levaram uma boneca de louça da China que a avó tinha dado para elas...

– Não me interessa quão bonita seja essa boneca. Ao terminarem as aulas, não fique para brincar. Venha para casa!

– Mas, mamãe, o que aconteceu é que, ao sairmos da escola, alguns meninos vieram correndo até onde nós estávamos. E quando a Júlia correu, deixou cair a boneca no chão e eu fiquei para ajudá-la.

– Ah, querida! Que bonito que você ficou para consertar a boneca... Mas você precisa vir direto para casa.

– Não, mãe, não dava para consertar e eu fiquei para ajudar a Júlia a chorar.

Quantas vezes, no anseio de ajudar numa situação triste, dizemos: “Eu entendo o que você está sofrendo. Já passei por isso também. Eu sei o que você está sentindo.” As cicatrizes são diferentes das feridas. Não as compare. As cicatrizes estão fechadas, esquecidas. As feridas, entretanto, são do presente. Estão abertas e sangrando. Estão doendo no presente. Precisam de um lenitivo para aliviar a dor. Você pode ter passado por uma situação idêntica. Mas as diferentes nuances das circunstâncias pedem também diferentes soluções.

Jesus não conseguiu conter as lágrimas. Não podemos imaginá-Lo insensível à dor de Marta e Maria. Ele não ficou de longe, observando de braços cruzados sem dizer nada. Logo que Se aproximou, disse: “Sinto muito.” Jesus as abraçou e chorou com elas e por elas.

O choro pode ser visto por alguns como desabafo e por outros, como sinal de fraqueza. A verdade é que choramos quando estamos com medo ou nos sentimos frustrados e tristes. Choramos de alegria, quando vemos a noiva no altar, na formatura de um filho ou filha, ao receber uma boa notícia. Alguns usam o choro como arma para conseguir o que querem: os filhos, os namorados, os cônjuges, etc. Outros ainda usam a tática do choro para obter alguma coisa que não conseguiram, e conseguem por falta de argumento ou por firmeza da outra parte.

Seja qual for o motivo do nosso choro, podemos chorar livremente, porque faz bem à alma. Às vezes, Cristo nos chama não somente para consertar um brinquedo quebrado, mas para chorar conosco.

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. (Mateus 5:4)

(Texto da Casa Publicadora Brasileira)

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O misericordioso

Mas foi por esse mesmo motivo que Deus teve misericórdia de mim, para que Cristo Jesus pudesse mostrar toda a sua paciência comigo. E isso ficará como exemplo para todos os que, no futuro, vão crer nele e receber a vida eterna. (1 Timóteo 1:16) 

Paulo foi um dos apóstolos mais amados de todos os tempos. Seu amor pelo Senhor, preservados no cânon das Escrituras, inspira muitos até hoje. No entanto, este homem extraordinário também era um pecador - de acordo com suas próprias palavras, "o pior dos pecadores". Como pode ser isso? Será que sua frase é exagerada? Ou será que ele quis ser humilde demais? 

Antes da sua conversão ao cristianismo, Saulo perseguira os novos cristãos, pois estes não estavam obedecendo corretamente a Lei de Moisés. Saulo, um zeloso da Palavra, ainda não havia entendido a mudança que houvera acontecido no mundo com a morte de Jesus Cristo na cruz. Mesmo assim, Deus não lhe poupou misericórdia e Jesus Cristo se revelou especialmente a ele, transformando-o imediatamente em um novo homem chamado agora de Paulo. 

Outra história comovente é a de uma pecadora - a mulher com o vaso de alabastro. Interrompendo um jantar na casa de um fariseu, essa mulher chorou sobre os pés de Jesus, enxugou-os com os cabelos e perfumou-os. 

Simão, o fariseu anfitrião, ficou revoltado com essa exibição pública de humildade, especialmente por uma mulher conhecida por ser uma pecadora. Jesus respondeu a sua indignação com a seguinte história registrada em Lucas 7: 41-43: 

Jesus disse: — Dois homens tinham uma dívida com um homem que costumava emprestar dinheiro. Um deles devia quinhentas moedas de prata, e o outro, cinquenta, mas nenhum dos dois podia pagar ao homem que havia emprestado. Então ele perdoou a dívida de cada um. Qual deles vai estimá-lo mais? 

— Eu acho que é aquele que foi mais perdoado! — respondeu Simão. — Você está certo! — disse Jesus. [...] 

Eu afirmo a você, então, que o grande amor que esta mulher mostrou prova que os seus muitos pecados já foram perdoados. Mas onde pouco é perdoado, pouco amor é mostrado. (v. 47) 

Quando pensamos em nossos pecados e falhas, nos sentimos envergonhados. Nós queremos nos esconder de Deus, achando que ele, em sua perfeição divina, nunca poderá nos querer de volta. 

Talvez você esteja passando por um sentimento parecido. Pode ser em relação a Deus ou até mesmo em relação a alguém muito querido. 

Quero dizer-lhe que Deus é surpreendentemente misericordioso e acessível. Quanto maior o pecado, mais Deus está aberto para derramar a sua misericórdia ao primeiro sinal de arrependimento. Quando um pecador se arrepende, há festa no céu (Lucas 15:10). Não importa quantas vezes você pecou ou quão grande é o pecado, Jesus deseja lavá-lo com a sua misericórdia, se você estiver aberto a ele. 

Se há alguém em sua vida que necessita da sua misericórdia e perdão, dê-lhe também!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O silêncio divino

Ouve, ó meu Deus, e atende a minha oração. Abre os olhos, vê a nossa desgraça e olha para a tua cidade. Fazemos os nossos pedidos por causa da tua grande compaixão e não porque sejamos bons e honestos. Ouve, ó Senhor! Perdoa-nos, Senhor! Atende-nos, Senhor, e vem ajudar-nos. Para que todos saibam que tu és Deus, não demores em nos socorrer, ó meu Deus, pois nós somos o teu povo... (Daniel 9:18-19)

Parece a oração de um desesperado! Essa foi a oração de um homem de Deus que três vezes ao dia buscava a sua presença. Daniel foi um profeta de fé e certamente teve muitas orações respondidas. Mas essa ai... Parece que Deus não estava mesmo ouvindo...

Na sua inocência, uma menina pediu a Jesus vários tipos de bonecas. Seu pai, um incrédulo, perguntou-lhe no dia de Natal:
Eu queeeero!

– Então, filhinha, parece que esse seu Jesus não respondeu seu pedido, não foi?

– Ele respondeu papai, replicou a menina. – Ele disse que não!

Aqui está uma lição de humilde resignação à vontade de Deus. Ele sempre faz o melhor, dizendo “sim”, “não”, ou “espere”.

Mas, às vezes, temos a impressão de que Deus não nos ouve em nossas angústias. Creio que foi mais ou menos assim que Jesus se sentiu quando, no sofrimento da cruz, exclamou: “— “Eli, Eli, lemá sabactani?” Essas palavras querem dizer: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mateus 27:46).

O aparente silêncio divino, porém, pode ser benéfico para nós, porque nem sempre nosso pedido irá colaborar para um bem maior em nossa vida. Então, Deus diz que devemos esperar até que sua vontade nos seja esclarecida. De uma coisa, porém, tenhamos certeza: nosso Pai celestial nem sempre nos dá aquilo que lhe pedimos, mas sempre nos atende naquilo que é melhor para nós.

Nem sempre Deus diz “sim” às nossas orações. Pode acontecer que ele responda com um enfático “não” ou “ainda não”. Jennifer M. Baldwin escreveu: “Quando me dou conta, estou orando por aquilo que quero – e como e quando quero – em lugar de pedir aquilo que Ele acha melhor.” Isso também acontece conosco, não é verdade?

A oração não consiste em neutralizar a resistência de Deus aos nossos pedidos, mas em identificar as nossas necessidades e desejos com a sua vontade.

Atente para este lindo pensamento: “Quando nossas orações ficam aparentemente sem resposta, devemos nos apegar à promessa, pois virá, por certo, a ocasião de serem atendidas, e receberemos a bênção de que mais necessitamos. Pretender, no entanto, que a oração seja sempre atendida exatamente do modo e no sentido particular que desejamos é presunção” (Ellen G. White, Caminho a Cristo, p. 96).

O apóstolo Paulo, certa ocasião, pediu ao Senhor que o livrasse de um “espinho na carne”. Três vezes ele reiterou seu pedido, sem ser atendido. Mas, nem por isso sua prece deixou de ser ouvida. “A minha graça é tudo o que você precisa, pois o meu poder é mais forte quando você está fraco.” Eu me sinto muito feliz em me gabar das minhas fraquezas, para que assim a proteção do poder de Cristo esteja comigo. (2 Coríntios 12:9).

Portanto, ponha a sua vida nas mãos do Senhor, confie nele, e ele o ajudará (Salmos 37:5).

Como está a sua expectativa em relação às respostas que você aguarda de Deus? Esteja preparado, porque ele certamente lhe dará a melhor resposta, no momento certo.