sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Somos iluminados

A tua palavra é lâmpada para guiar os meus passos, é luz que ilumina o meu caminho. (Salmos 119:105)

Iluminação em um contexto secular muitas vezes significa a “plena compreensão de uma situação”. Mas em termos espirituais a palavra alude a uma revelação espiritual ou profunda introspecção sobre o significado e o propósito de todas as coisas, a comunicação com ou entendimento da mente de Deus, a compreensão espiritual profunda.

De acordo com Lewis Sperry Chafer, um teólogo sistemático, os cristãos que têm a iluminação experiente são de dois grupos, aqueles que experimentaram iluminismo verdadeiro (bíblico) e aqueles que experimentaram iluminismo falso (não do Espírito Santo).

A minha concepção sobre “iluminismo” é bíblica. Na verdade, a Palavra de Deus tem todas as “iluminações” para vivermos uma vida de tranquilidade e segurança. O grande sábio Salomão escreveu assim: “Se você for sábio, o lucro será seu; se zombar de tudo, você mesmo sofrerá as consequências” (Provérbios 9:12).

Todo ser humano nasce livre. As escolhas fazem a diferença. Uns escolhem para o bem, outros para o mal. No verso acima, Salomão coloca a responsabilidade da vitória ou da derrota nas mãos da própria pessoa.

É verdade que existem muitas explicações para a derrota. O clima, as circunstâncias, a falta de oportunidades, os problemas, enfim. Difícil é aceitar o fato de que a maioria das derrotas tem raízes nas decisões erradas que tomamos.

Se você procurar o conselho divino e ajustar a sua vida a ele, o resultado natural será a sabedoria que o conduzirá à vitória. A única pessoa beneficiada com essa decisão é você. Se em meio à noite escura decido acender a lâmpada, quem é que vai sair ganhando com a minha decisão? Mas se decido andar às escuras, quem vai acabar tropeçando e se machucando?

As instruções divinas são luz. Iluminam o caminho escuro a fim de chegar com segurança ao destino. Sem luz, a pessoa tropeça, cai, se machuca e não encontra o que procura.

Nunca, como hoje, as pessoas falaram tanto acerca da luz. “Ele tem luz”, “você tem a aura”, “Raul é uma pessoa iluminada”. Existe a ideia de que este mundo está cheio de energia positiva e negativa. Dizem que pessoas positivas têm luz e pessoas negativas são tenebrosas.

Mas a vida não depende de energia. A vida é energia. A vida depende de decisões. Não posso deixar a minha “sorte” nas mãos da Lua, das estrelas, das pirâmides, dos números ou das pedras. Se existe algo que Deus entregou a todo ser humano é a capacidade de decidir. Em vez de pensar que uns nascem com luz e outros sem, a criatura deve procurar a verdadeira luz que vem dos ensinamentos divinos e acessíveis a todos. A Palavra de Deus é a tocha que ilumina, no lugar do choro.

Faça de hoje um dia de decisões sábias. Procure a luz da Palavra de Deus. Decida seguir os princípios divinos e prepare-se para receber as grandes vitórias que Jesus tem reservado para você e sua família. Porque “se és sábio, para ti mesmo o és; se és escarnecedor, tu só o suportarás”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ascendente social

O irmão que é pobre deve ficar contente quando Deus faz com que melhore de vida. (Tiago 1:9)

O rico come caviar / O pobre come angu / Se demorar muito cozinhar / Então comemos cru

Esse poema expressa muito bem uma situação que passei quando criança em uma noite de Natal. Eu não estava preocupado com o presente do Papai Noel, porque sabia que não viria, mas com a fome. Eu e os meus colegas de quarteirão não tínhamos o que comer. Fomos criados em um bairro pobre da periferia de Brasília e nossos pais trabalharam bastante para nos dá o sustento.

Naquela época, recebíamos cesta alimentar dos Estados Unidos, que chegava a nossa casa trazida por missionários americanos, além dos brinquedos de última geração que raramente ganhávamos - lembro como se fosse hoje de uma caixinha de ferramentas de marceneiro, parecia ser de verdade. Mais o melhor presente que recebíamos eram os ensinamentos na Palavra de Deus. Os americanos eram – e são até hoje – muito bem preparados para alimentar o corpo e também a alma de um indivíduo carente. Sou muito grato a eles por tudo, especialmente ao Rev. Paul Smith – guardado com carinho na minha memória.

No Brasil ainda temos grandes diferenças socioeconômicas, apesar de muitas pessoas terem mudado de classe social na última década. Muitas estão com um pouco de dificuldade de se adaptarem ao estilo da nova classe. São os popularmente chamados de ascendentes sociais, entre os quais eu me incluo.

Cristo ordenou tomar conta das suas ovelhas como prova de amor a ele (João 21:15-17), porque pode haver irmãos ou irmãs que precisam de roupa e que não têm nada para comer. Se não lhes dão o que eles precisam para viver, não adianta nada dizer: “Que Deus os abençoe!" (Tiago 2:15-16). Paulo e os apóstolos começaram as igrejas entre aqueles que eram pobres (Atos 9:36; 10:4).

Há muitas maneiras de ser pobre. Jesus disse: — Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas (Mateus 5:3). Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé e para possuírem o Reino que ele prometeu aos que o amam (Tiago 2:5). Às vezes ficamos tristes, outras vezes ficamos alegres. Parecemos pobres, mas enriquecemos muitas pessoas. Parece que não temos nada, mas na verdade possuímos tudo (2 Coríntios 6:10).

Entretanto, é preciso um pouco de cuidado quando se fica um pouquinho mais rico. Essa é a parte mais difícil, literalmente. Jesus disse que é mais difícil um rico entrar no Reino de Deus do que um camelo passar pelo fundo de uma agulha (Lucas 18:25). Quem ama a sua vida não terá a vida verdadeira; mas quem não se apega à sua vida, neste mundo, ganhará para sempre a vida verdadeira (João 12:25). Tiago escreve: “Por acaso, não são os ricos que exploram vocês e os arrastam para serem julgados nos tribunais?” (Tiago 2:6-7). Portanto, o amor ao dinheiro não é apenas a fonte do mal, mas também de depressão e de insatisfação.

Em vista disso, só é possível concluir que os ricos têm muitas necessidades espirituais, se não mais do que os pobres. Quem pode ser generoso para com eles? Quem vai falar-lhes do amor de Deus? Quem irá treiná-los a doar com alegria o seu dinheiro para serem repartidos aos pobres? Quais as viagens missionárias eles poderão bancar? Quais missionários eles poderão sustentar? Percebe como os pobres podem também ajudar os ricos?

Qual é o seu caso? Você ainda se considera pobre? Você era pobre e agora está melhor de vida? Você já nasceu rico? Seja qual for a sua classe social, você deve ficar alegre e contente com Deus. Em todas elas há oportunidades para sermos generosos, porque o mundo todo está carente do amor de Deus. Se você é um ascendente social pode agora muito mais ajudar as pessoas. Não perca tempo!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O mito da caverna

Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas. (Mateus 27:51) 

Muitas pessoas ainda vivem acorrentadas à Velha Aliança, quando temos uma Nova para se viver. E pior: Algumas chegam a considerar profanas as Boas Novas do Evangelho. 

“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. 

Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade. 

Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza. Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.” (Platão, A República, Livro VII) 

Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades. 

A primeira aliança de Deus com os homens tinha leis sobre a adoração e tinha também um santuário construído por seres humanos, onde se adorava a Deus. Foi armada uma Tenda, dividida em duas partes que eram separadas por um véu. Atrás do véu ficava a parte que era chamada de Lugar Santíssimo onde estava a presença do Altíssimo e somente o Grande Sacerdote podia entrar para falar com Deus. 

Mas Cristo veio e rasgou esse véu no momento de sua morte na cruz. Ele passou a ser o Grande Sacerdote. A Tenda em que ele serve é melhor e mais perfeita e não foi construída por seres humanos, isto é, não é deste mundo. Ele entrou, uma vez por todas, no Lugar Santíssimo, ofereceu o seu próprio sangue e conseguiu para nós a libertação da culpa. É Cristo quem fez a Nova Aliança, para que os que foram chamados por Deus possam receber as bênçãos eternas que o próprio Deus prometeu. 

Isso quer dizer que as ofertas e os sacrifícios oferecidos a Deus não tornam perfeito o coração das pessoas que o adoram. Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo, falar com Deus e receber dele - pela Palavra - as orientações para vivermos com qualidade de vida. Não precisamos mais viver sob as regras da Velha Aliança. Por meio do seu próprio corpo, Cristo nos abriu um novo e vivo caminho. 

Portanto, cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Crise de fé

Eu afirmo a vocês que isto é verdade: quando vocês fizeram isso ao mais humilde dos meus irmãos, foi a mim que fizeram. (Mateus 25:40)

Em “Finding Calcutta: What Mother Teresa Taught Me About Meaningful Work and Service”, a autora e professora universitária Mary Poplin conta sua história de trabalho voluntário por dois meses em Calcutá, Índia, ao lado de Madre Teresa e das “Missionaries of Charity”.

No verão de 1996, Mary viajou pelo mundo em uma missão destinada a compreender como os povos servem a Cristo. Nunca na sua história Mary havia chegado tão perto da pobreza extrema como a que presenciou em Calcutá. 

Durante o tempo em que ficou na casa de Shishu Bhavan, Mary cuidou de crianças com idades entre 0 e 10 anos, algumas deficientes ou deformadas, outras com malária ou tuberculose, e outras ainda com leves retardamentos. Ao ajudar essas pequeninas desamparadas e carentes, Mary veio a perceber que a pobreza de fato não é mostrada pelos meios de comunicação.

Dizia Mary: “Madre [Teresa] me contou como as pessoas no Ocidente são pobres. Na verdade, ela considerava-nos os mais pobres entre os pobres, porque o nosso conforto físico nos faz acreditar que não precisamos de Deus e a nossa ocupação no dia-a-dia nos faz ignorá-lo.”

Após sua estadia de dois meses com os “novos olhos”, Mary passou a ser capaz de interpretar com clareza o significado das famosas palavras de Madre Teresa e dar a sua versão: “Encontre o doente, o sofredor e o carente de justiça que existe perto de você. Você pode encontrar Calcutá em todo o mundo, se você tiver olhos para ver.”

Muitas vezes somos ensinados a descobrir a nossa vocação, os nossos dons espirituais, os desejos, as oportunidades e as habilidades. Na verdade, eles são úteis. No entanto, não somos ensinados a descobrir a origem de nossas crises de fé.

Continuou Mary: “Nossa crise de fé tem origem na revolta com a injustiça que conhecemos. Sabemos demais, mas nada fazemos.” (Eclesiastes 1:18) Mary, como muitas de suas colegas, por anos acreditara que o cristianismo era opressivo e era a raiz da maioria dos males sociais. Mas por meio do ensinamento que recebera de uma “professora” com um testemunho poderoso de fé e amor, ela entregou sua vida a Cristo e mudou radicalmente a sua visão e atitude.

Quando Mary retornou ao seu país natal, ela foi convidada para falar sobre o tempo vivido com Madre Teresa em uma conferência anual de administradores escolares. Embora diante de seus pares e com as lágrimas fluindo livremente, ela sentiu naquele momento que havia sido chamada para alcançar o mundo universitário com o amor e a verdade de Cristo. Foi nesse ambiente, onde muitos estavam em crise de fé, que Deus se revelou de maneira especial para a ela! Ali Mary encontrou a sua Calcutá e colocou um ponto final na sua crise.

Onde está a sua Calcutá? Está perto de sua casa? Talvez ao lado? Talvez mais adiante no seu trabalho? Ou até mesmo a alguns quilômetros de distância no campo missionário? Pergunte a Deus onde está a sua Calcutá e prepare-se para mostrar o amor de Cristo ao fisicamente ou espiritualmente carente. Ponha um fim na sua crise de fé.

domingo, 16 de setembro de 2012

A morte de Cristo; o nascimento da graça II


Prosseguindo o estudo "A morte de Cristo; o nascimento da graça", semelhantemente aos dízimos, as ofertas citadas na Lei de Moisés não eram doações em dinheiro (com exceção da oferta alçada que estudaremos mais adiante), mas sim oferendas de animais, cereais ou bebidas, entregues a Deus como parte do culto de adoração. No livro de Levítico, do capítulo 1 a 7, estão especificados cinco tipos principais de ofertas e sacrifícios:

1) Holocausto – o animal era completamente queimado no altar Levítico (1.1-17 e 6.8-13); 

2) Oferta de manjares – isto é, de cereais (Levítico 2.1-16 e 6.14-23);  

3) Sacrifício pacífico ou de paz (Levítico 3.1-17; 7.11-21); 

4) Oferta pelo pecado, isto é, para tirar pecados (Levítico 4.1-5.13; 6.24-30); 

5) Oferta pela culpa, isto é, para tirar a culpa (Levítico 5.14-6.7; 7.1-7).

Das ofertas de paz havia três tipos: por gratidão a Deus (Levítico 7.12), para pagar voto ou promessa (Levítico 7.16) e a voluntária, que era trazida de livre e espontânea vontade (Levítico 7.16). 

Além dessas, havia também a libação, tipo de oferta em que se derramava vinho (Levítico 23.13), e também a oferta alçada, sobre a qual, vamos meditar no texto abaixo.

Os sacrifícios do Antigo Testamento eram provisórios (Hebreus 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (João 1.29 e Hebreus 9.9-15), cujo sangue, pela sua morte na cruz, nos limpa de todo pecado (I João 1.7). 

Ainda que os esclarecimentos sejam bem detalhados, sabemos que haverá apologia sustentada na oferta da viúva pobre (Lucas 21.1-4), ocasião em que Jesus observava os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; e também uma pobre viúva que lançava ali duas pequenas moedas. Disse Jesus: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos esta pobre viúva, porque todos aqueles deram como ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deu todo o sustento que tinha.

Exatamente como o dízimo de Mateus 23.23, todas as vezes que a Palavra cita “oferta” no Novo Testamento, assim como a oferta da viúva pobre, ela mostra que sobrevieram na vigência da lei de Moisés. 

Primeiramente, vamos meditar no Antigo Testamento sobre os dízimos e ofertas alçadas, para discernimento espiritual da Palavra.

No livro de Números 18.20-28, disse o Senhor a Arão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.

Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu ministério que exercem, o ministério da tenda da congregação. Os levitas administrarão o ministério da tenda da congregação e eles levarão sobre si a sua iniquidade; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança herdarão. 

E falarás aos levitas e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado em vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao Senhor: O dízimo dos dízimos. 

No livro de Deuteronômio 14.29 está escrito: Então virá o levita (pois nem parte nem herança têm contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos que fizeres. 

Observe que o dízimo é direcionado para suprir as necessidades dos levitas, porque não possuíam parte e nem herança entre os judeus, e também designado com a finalidade de caridade aos estrangeiros, órfãos e as viúvas. 

Voltando ao Novo Testamento, Jesus observava os ricos lançarem as suas ofertas alçadas na arca do tesouro, mas as sobras, enquanto que a pobre viúva lançou ali o seu sustento.

Os ricos lançavam ofertas das sobras, para se exaltarem e humilhar aos pobres que ali depositavam pequenas quantias. Porém, em conformidade com a Lei (Números 18.11-32), os ricos não podiam participar desse cerimonial, porque ali estava sendo exercida a oferta alçada, ou seja, a entrega do dízimo dos dízimos, e somente os filhos de Levi recebiam o dízimo. 

Portanto a oferta alçada só poderia ser praticada pelos levitas que não possuíam parte nem herança na terra prometida (Números 18.20-28), e pelos necessitados que também se beneficiavam dos dízimos. Por isso, Jesus exaltou o ato de fé daquela pobre viúva, que ofertou o seu sustento, doando parte do que havia recebido para a sua manutenção cotidiana.

A oferta alçada é a única oferta em dinheiro relatada na bíblia, tanto que a viúva pobre doou duas moedas do seu sustento. Porém, não poderá ser praticada no tempo da graça, porque era o dízimo dos dízimos, os quais eram recebidos pelos que não possuíam parte nem herança no meio dos judeus, e também pelos despojados de bens materiais. Portanto, aquela irmã estava dizimando, em forma de oferta alçada.

Neemias 10.37-39 relata que as ofertas alçadas eram oferecidas também através das primícias dos frutos das árvores, dos grãos, do mosto, e do azeite, aos sacerdotes, às câmaras da Casa do nosso Deus. E quando os levitas recebessem os dízimos, trariam os dízimos dos dízimos (ofertas alçadas) à Casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro. 

Uma pausa para meditação: No livro de Malaquias 3.8, o Senhor alerta: Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. 

A Palavra é profunda, mas observe: Quem tinha ordem segundo a lei de receber os dízimos e ofertas alçadas, senão os sacerdotes levitas? Portanto, os roubadores que a Palavra está se referindo, não são os que deixavam de doar, mas justamente os que recebiam os dízimos e as ofertas alçadas. 

Outra referência bíblica sobre oferta está na segunda carta aos Coríntios 9.6-8, assim descrita: O que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. Esta referência não é uma ordenança, mas um ensinamento sobre a generosidade e o amor ao próximo, em forma de caridade, citados no contexto de todos os livros do Novo Testamento. 

Nada do que foi expressado neste estudo impede que a pessoa, de livre e espontânea vontade, tão somente como um ato de fé e de generosidade, contribua para o trabalho de evangelização, porque a ordenança de Cristo é esta: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16:15)

Para finalizar, é muito importante vislumbrar a divisão existente na Palavra entre o Antigo Testamento (feito por leis, cerimônias e rituais) e o Novo Testamento (da graça). Muitos ainda trazem nos lombos o pesado fardo da lei, mesmo após o precedente mandamento ter sido substituído pelo novo, por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei, nenhuma coisa aperfeiçoou). Os mandamentos da Velha Aliança foram substituídos por apenas estes dois: 1) Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 2) O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (Marcos 12:29-31) O que passar disso é invenção humana.

Portanto, com a morte de Jesus Cristo na cruz do Calvário foi revelada aos homens a esperança, pela qual todos podem chegar a Deus (Hebreus 7.18 e 19). Cristo veio justamente para libertar o homem do jugo da lei, mas, infelizmente, o seu sacrifício continua sendo rejeitado por muitos. 

Hoje vivemos o tempo da graça do Senhor Jesus e qualquer esforço para voltar à lei de Moisés que Cristo desfez na cruz, ou tentativa de ganhar a salvação pela meritocracia, é anular o sacrifício do Cordeiro de Deus e reconstruir o muro da separação por ele derrubado (Efésios 2.13-15).

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A morte de Cristo; o nascimento da graça

Ainda devemos exercer as cerimônias e rituais da lei de Moisés ou Cristo revogou a lei pela aspersão do seu próprio sangue, em sacrifício vivo na cruz do Calvário? Eis a questão.

Vamos iniciar nosso estudo abordando a questão dos dízimos.

Os dicionários bíblicos assim definem o dízimo: A décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os israelitas ofereciam a Deus (Levítico 27.30-32 e Hebreus 7.1-10). O dízimo era usado para o sustento dos levitas (Números 18.21-2), dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas (Deuteronômio 14.29). 

Por que a décima parte? Porque era uma questão pedagógica e matemática. Eram doze tribos descendentes de Jacó. Onze delas pagavam o dízimo para a tribo de Levi e cada uma ficava com nove partes. Levi recebia onze partes, mas ficava somente com nove, porque a décima parte era oferecida a Deus como dízimo dos dízimos e a outra parte ficava no tabernáculo à disposição dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros. 

Na vigência da Lei de Moisés, o dízimo não era dinheiro (Deuteronômio 14.22-27), mas dez por cento das colheitas de grãos e de animais, e eram destinados a suprir os levitas que não tinham parte e nem herança na terra prometida. 

Levita significa "descendente de Levi", que era um dos 12 filhos de Jacó. Os descendentes de Levi manifestaram a Moisés o interesse de servirem somente ao Senhor (Êx 32:26). Daí em diante, os levitas se tornaram ministros de Deus. Dentre eles, alguns eram sacerdotes (família de Aarão) e os outros, seus auxiliares. Seu serviço era cuidar do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive carregando tudo isso durante a viagem pelo deserto (Números capítulos 3, 4, 8, 18).

No Novo Testamento o dízimo foi citado três vezes, vamos conhecer o porquê e em quais circunstâncias a Palavra se refere a essa ordenança da Lei.

A primeira vez que o dízimo foi citado no Novo Testamento (Mateus 23.23), Jesus censurou os escribas e fariseus, dizendo-lhes: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé. Deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas. 

Vamos buscar discernimento espiritual na Palavra para entendermos o porquê, naquela ocasião, Jesus recomendou a manutenção dessa ordenança da lei, dizendo: Deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas.   

Assim afirmou Jesus porque era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4.4), e viveu na tutela da lei. Reconhecendo-a, disse dessa forma, pela responsabilidade de cumprir a lei. E para isso, em Mateus 5.17 e 18, Ele disse: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. 

Jesus assegurou que a lei deveria ser cumprida no decorrer do seu ministério, porque qualquer que a violasse seria apedrejado até a morte. 

E verdadeiramente Jesus cumpriu a lei. Foi circuncidado aos oito dias; foi apresentado na sinagoga (Lucas 2.21-24); assumiu o seu sacerdócio aos trinta anos (Lucas 3.23; Números 4.43, 47); e exerceu outras formalidades cerimoniais da lei.

Observe também, que Jesus curou o leproso (Mateus 8.1-4) e depois o mandou apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenara no capítulo 14 de Levítico. 

A Nova Aliança não teve princípio no nascimento de Jesus, mas na sua morte (Gálatas 3.22-25 e 4.4, 5). Para tanto, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo quando Cristo rendeu o seu espírito a Deus (Mateus 27.50-51). Então, passamos a viver pela graça do Senhor Jesus, sendo introduzido o Novo Testamento, o Evangelho da salvação pelo triunfo do Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário, e encerrando-se ali toda a ordenança da lei de Moisés.

Cristo não veio ensinar os judeus a viverem bem a Velha Aliança. Ele disse: Um novo mandamento vos dou (João 13.34). Paulo disse: Se a justiça provem da lei, segue-se que Cristo morreu em vão (Gálatas 2.21). Em Mateus 5.20, disse Jesus: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus. 

O Senhor Jesus Cristo mandou os escribas e fariseus cumprirem a lei de Moisés, a qual ordenava o dízimo. Nós, porém, para herdarmos o reino do Céu, não podemos de forma alguma voltar ao ritual da lei Mosaica, mas precisamos exceder essa lei, ainda que cumprida. O amor, a graça e a paz do Senhor Jesus excede a lei e todo entendimento humano.  

A Segunda vez que o Senhor Jesus referiu-se ao dízimo, foi na Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18.9-14). Ele tomou como exemplo um religioso, dizimista fiel, que jejuava duas vezes por semana, porém, exaltava a si mesmo e humilhava um pecador que suplicava a misericórdia do Senhor.  

É interessante observar que os fariseus continuam até hoje se exaltando da mesma forma, batem no peito e dizem: Eu sou dizimista fiel. Mas nesta narrativa alegórica, o Senhor Jesus Cristo exemplificou que no Evangelho não há galardão para os dizimistas, ao contrário, os censurou.

Hebreus 7.5: E os que dentre os filhos de Levi receberam o sacerdócio tem ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.

A Palavra afirma que Moisés deu uma lei ao seu povo, direcionada aos filhos de Levi, especificamente aos que receberam sacerdócio para trabalhar nas tendas das congregações, os quais tinham ordem, segundo a lei de receber os dízimos dos seus irmãos. Agora note o relato do versículo 11e 12:

Hebreus 7.11: De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade se havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque (referindo-se a Jesus Cristo) e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? (menção a Moisés, o qual introduziu a lei ao povo).

Hebreus 7.12: Porque se mudando o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei.

A Palavra do Senhor assegura que os sacerdotes levíticos deveriam receber os dízimos segundo a lei (Hebreus 7.5), porque através deles o povo recebeu a lei (Hebreus 7.11). Mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei (Hebreus 7.12), porque se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico, qual a necessidade do Senhor Deus enviar outro Sacerdote? A Palavra não deixa sombra de dúvida que ao mudar o Sacerdócio, necessariamente se faz a mudança na Lei.

E, se voltarmos na lei que fora direcionada especificamente aos filhos de Levi, aos que receberam o sacerdócio do Senhor Deus, e aplicá-la hoje, ela se torna intempestiva e ilegítima, porque não existem mais sacerdotes levitas. Jesus afirmou que a lei e os profetas duraram até João (Lucas 16.16), e mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz mudança na lei (Hebreus 7.12). 

Portanto amados, apenas os versículos 5, 11 e 12 do capítulo 7 da carta aos Hebreus seriam suficientes para entendermos a abolição de toda lei.

Clique aqui para ler mais sobre o assunto.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mentes acorrentadas

Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. [...] Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve. (Mateus 11:28-30) 

Jesus Cristo dirigiu essas palavras exatamente aos que queriam ter uma vida correta diante Deus, mas estavam sendo sobrecarregados com os fardos psicológicos que os líderes religiosos impunham em nome da Lei hebraica. 

O convite do Evangelho é um tríplice apelo: “Vinde a mim; tomai o meu jugo; aprendei de mim”. Abrange toda a extensão da vida cristã: salvação – serviço – santificação. Assim, com a encarnação do Filho de Deus, caiu por terra todo e qualquer fundamento que dê suporte às mais variadas formas de escravidão física e psicológica. 

Mas ainda hoje vemos muitas mentes inocentemente acorrentadas por falácias de líderes não comprometidos com as Boas Novas. Talvez seja por isso que lemos declarações públicas de desabafos como as do irmão e escritor Caio Fábio e ficamos às vezes estupefatos: 

“[...] É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de frequência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável! 

[...] É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável! 

[...] É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza! 

[...] É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; veem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse consequências… Insuportável… 

[...] É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para [as atrações da] igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio! 

[...] É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!” 

Acrescenta-se a isso tudo a insuportável visão de líderes religiosos infringindo descaradamente a Lei que veda a veiculação de propaganda eleitoral nos templos. Da mesma forma que o "voto de cabresto" utilizado na escravidão física, tentam introduzir o voto baseado na prisão psicológica, quando insinuam que se comete pecado não votar no candidato indicado pelos "profetas de Deus".  

Levantar-se contra um sistema como esse é muito desafiador. Mas é preciso dizer como Jesus Cristo: — Como vocês estão errados, não conhecendo nem as Escrituras Sagradas nem o poder de Deus! (Mateus 22:29) 

Se você está cansado de tudo isso, não ignore o chamado de Cristo. Liberte sua mente da prisão e volte-se para Jesus, porque o fardo dele é realmente suave.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

A escolha certa

Excelência, eu estudei com todo o cuidado como foi que essas coisas aconteceram desde o princípio e achei que seria bom escrever tudo em ordem para o senhor. (Lucas 1:3) 

É Setembro, mês da Independência. Tempo de pensar no país; tempo de pensar nos novos governantes. Uma coisa que mais me deixa triste é quando ouço os discursos dos candidatos e não vejo neles o compromisso com a verdade. Quem quer votar na pessoa certa tem que gastar horas pesquisando o passado dessas pessoas. 

Os versos de abertura do livro de Lucas mostram em palavras simples que o autor investigava a história e preocupava em passar a verdade para seus discípulos, com o intuito de que estes não caíssem nos mesmos erros de seus antepassados. Os escritos de Lucas são tão consistentes e precisos que os historiadores modernos têm grande respeito por eles e os usam na vida secular. 

Os estudiosos da Bíblia não têm certeza se Lucas era judeu ou gentio, mas seu evangelho certamente demonstra uma sensibilidade especial para com os gentios, os pobres e os pecadores. Lucas, provavelmente, teve formação médica. (Colossenses 4: 14) 

Mas Lucas falou muito pouco sobre si mesmo. Ele não tinha o objetivo de se engrandecer, mas de tornar o nome de Jesus Cristo conhecido e confiável de modo que muitos decidissem segui-lo. É isto que os escritos de Lucas nos deixam de mais precioso. Em um mundo onde alguém está sempre tentando nos vender alguma coisa, Deus nos dá a sabedoria para fazermos as escolhas certas. Em um mundo onde as palavras são muitas vezes utilizadas para esconder a verdade, a Palavra de Deus corta a névoa com profundas verdades. Em um mundo onde figuras públicas nem sempre podem ser confiáveis, Deus trabalha por meio dos seus humildes seguidores para restaurar a confiança nele. Em suma, Lucas era uma pessoa confiável que fazia propaganda de um Líder mais confiável ainda, Jesus Cristo, que dá vida em abundância aos que neles confiam. 

Analogamente, é preciso conhecer muito bem os candidatos a cargos públicos, pois a atuação deles como bons executores das políticas de distribuição de renda e de justiça social depende muito do que demonstraram ser no passado. É muito importante pesquisar bem antes de escolher em quem votar. Essa pesquisa pode ser feita nos escritos dos historiadores seculares (revistas, jornais, livros, enciclopédias, internet, etc.) Preste atenção: O passado do candidato fala mais alto que o seu discurso. Por isso, pesquise também no site do Tribunal Superior Eleitoral para saber se o nome do seu candidato não consta da relação de responsáveis com contas julgadas irregulares. Se constar, não vote nele. 

Outra dica é tomar bastante cuidado com os candidatos que gastam "rios de dinheiro" nas campanhas, pois pode haver outra motivação que não seja a boa e única intenção de servir ao país. 

Se todo brasileiro que é exigente com o técnico do seu time de futebol fosse também na escolha dos governantes, certamente não seríamos o país do futuro, nós já estaríamos nele. Paralelamente, é preciso encontrar um tempo para ler a Palavra de Deus, meditar e confiar nela. Temos também que pedir orientação ao Espírito Santo. Se fizermos isso, certamente votaremos nos políticos certos e não nos arrependeremos depois.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Levante-se!

Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; mas os que confiam no Senhor recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam. (Isaías 40:30-31)

Nesta época do ano, o clima é muito desconfortante aqui em Brasília. A umidade relativa do ar chega aos 15% semelhante a do Deserto de Saara. Minha esposa disse que esta deveria ser a época das férias escolares, pois as crianças são as mais afetadas. Em muitas pessoas, este clima provoca depressão, letargia, fadiga e outros problemas. Geralmente quando procuramos os médicos, eles nos dizem que estamos sentindo os sintomas de uma “virose”, nada mais.

Mas esses sintomas não ocorrem apenas até às primeiras chuvas de setembro. Mesmo com menor intensidade, eles podem nos importunar no dia-a-dia.

Às vezes é uma palavra áspera proferida por um colega de trabalho. Às vezes é uma surpresa desagradável. Às vezes pode ser um sentimento pecaminoso ao saber que o melhor amigo vai se casar, ou ter um bebê, ou receber uma promoção e, a gente... Nada! Às vezes são os afazeres que tiram o resto da força. Às vezes gostamos de ajudar todo mundo e só recebemos em troca a ingratidão, a falta de reconhecimento, o desprezo, etc.

Assim podemos rapidamente afundar nosso espírito para as profundezas do desespero ou nos tornar afadigados em tomar conta de tudo e de todos e não de nós mesmos. Podemos ficar cansados, oprimidos, tropeçando, caindo e finalmente gritar: Chega! Ninguém é de ferro! 

Mas felizmente, quando nos sentimos sobrecarregados, o Senhor nos ajuda a levantar. Ele não é um ente qualquer, mas o Deus que nos faz realmente sentir “pra cima”. Um bom livro de autoajuda pode até auxiliar – porque Deus trabalha também por meio de sistemas e de processos desenhados por homens – mas temos que olhar para a Palavra como o nosso primeiro passo em direção a um aprendizado correto de vida.

Davi foi um homem que entendeu isso. Muitas passagens do livro de Salmos são partes do seu diário pessoal e registram os momentos em que ele se sentiu “pra baixo”, mas buscou a Deus.

Escreveu Davi: “Somente em Deus eu encontro paz e nele ponho a minha esperança. Somente ele é a rocha que me salva; ele é o meu protetor, e eu não serei abalado. A minha salvação e a minha honra dependem de Deus; ele é a minha rocha poderosa e o meu abrigo. Confie sempre em Deus, meu povo! Abram o coração para Deus, pois ele é o nosso refúgio.” (Salmo 62:5-8)

Quando nos concentramos nas circunstâncias e no que não está acontecendo de bom em nossas vidas, temos a tendência de sempre nos sentir desmotivados. Entretanto, assim como Davi, podemos correr para aquele que nos levanta. É somente em Deus que vamos superar com qualidade os momentos difíceis e encontrar o verdadeiro descanso.

O que o está deixando pra baixo? Será a necessidade de uma mudança em sua vida? Tire um tempo para reflexão e procure a direção de Deus. Certamente, sua vida tomará outro rumo. Com o passar do tempo, você irá adquirir mais confiança naquele que o criou e saber exatamente o que ele quer que você faça.