terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Família-mosaico

Que a mulher não se separe do seu marido. [...] E que o homem não se divorcie da sua esposa. (1 Coríntios 7:10-11) 

Família-mosaico é o termo usado para denominar as famílias formadas por homens e mulheres com filhos de casamentos anteriores e do atual. Segundo o IBGE, a quantidade de famílias-mosaico tornou-se expressiva com o aumento do número de divorciados que se arriscam numa nova relação. O Censo 2010 indica que 16,3% das famílias brasileiras têm filhos de um dos cônjuges, de relacionamento anteriores. O número de casamentos com ao menos um divorciado aumentou de 5%, em 1990, para 19%, em 2010. Três milhões de crianças e jovens convivem com padrastos ou madrastas. 

Embora sem comprovação científica, a revista Veja desta semana afirma que “caiu por terra a concepção de que tal formação familiar prejudicava a autoestima da criança oriunda de outra relação” uma vez que hoje os pais postiços nutrem verdadeiro afeto pelo filho do ex, fato que não acontecia no passado. Estudiosos dizem que para o desenvolvimento da criança é melhor que ela viva em uma família-mosaico do que viver só com o pai ou a mãe. 

A família-mosaico não estava no plano de Deus, e tem a ver com o divórcio. A bíblia defende a união monogâmica e permanente como plano do Criador. Ele disse: “Por isso o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir com a sua mulher, e os dois se tornam uma só pessoa.” Assim já não são duas pessoas, mas uma só. Portanto, que ninguém separe o que Deus uniu, disse Jesus. (Mateus 19:5-6) 

Essa linguagem é forte, mas é assim que Deus vê o casamento. Os laços matrimoniais entre marido e mulher são do mesmo tipo daquele existente entre pais e filhos e entre Deus e sua criação. Existem diferenças de interpretação bíblica sobre a permissão ou não do divórcio e do novo casamento, mas alguns pontos importantes podem ser delineados com base nas Escrituras: 
  • Uma vez que ocorra o novo casamento, o divorciado não poderá mais retornar com o ex. (Deuteronômio 24:1-4); 
  • Deus vê o relacionamento de uma só carne como permanente e ligado por um compromisso sério, porque é a figura que escolheu para ilustrar seu relacionamento com seus filhos. Assim, ele cuida do lar com grande zelo, dizendo assim: “— Eu odeio o divórcio.” (Malaquias 2:16); 
  • Jesus não dá nenhuma orientação nem justificativas aceitáveis para a quebra dessa aliança sagrada; ao contrário, observa que é a dureza do coração humano que faz dessa tragédia uma realidade neste mundo pecador. (Mateus 19:8); 
  • O caminho correto deve ser a busca da reconciliação, evitando assim um novo casamento (1 Coríntios 7:11). Para Deus, com perdão tudo é apagado, como se nunca houvesse acontecido. Nenhum pecado ou tragédia estão além do perdão de Deus. 
Entretanto, depois de buscar e de receber o perdão de Deus, a pessoa que casa outra vez tem uma nova chance de compreender a graça de Deus. Ela deve, então, procurar entender sob uma diferente perspectiva o plano de Deus para o casamento (Gênesis 2:24), comprometer-se totalmente a cumprir esse plano e considerar seus votos de casamento diante do Senhor (Mateus 19:5-6). 

O divórcio nunca será a opção de Deus. No entanto, se o divórcio ocorrer por qualquer razão, Deus deseja trabalhar na restauração da pessoa que experimentou essa tragédia, se houver arrependimento e desejo de reconciliação. E os filhos agradecem, porque “a segurança de uma criança não está baseada em quanto seus pais a amam, mas, sim, em quanto seus pais amam um ao outro.” (Susan Alexander Yates)