quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Precioso legado

Então Marta disse a Jesus: — Se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido! Mas eu sei que, mesmo assim, Deus lhe dará tudo o que o senhor pedir a ele. — O seu irmão vai ressuscitar! Disse Jesus. Marta respondeu: — Eu sei que ele vai ressuscitar no último dia! Então Jesus afirmou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá. Você acredita nisso? — Sim, senhor! Disse ela. — Eu creio que o senhor é o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo. (João 11: 21-27)

Muitos de nós já tivemos a experiência de sofrer com a morte de um ente querido. Alguns com mortes prematuras. Um dos aspectos mais tristes da morte prematura é a não realização de sonhos. Isso mexe com as pessoas que ficam. Outra coisa que mexe é o trabalho realizado pelo morto, que agora passa a ser apenas um memorial, um legado. Mas o que realmente mexe com o ser humano é a devoção do finado por uma causa nobre ou altruísta.

As histórias são semelhantes. A vida vai fluindo às mil maravilhas, e de repente o telefone toca... Fulano faleceu! Cada um tem a sua experiência com Deus nesse momento.

Algumas das reflexões mais encorajadoras sobre a morte e a eternidade podem ser encontradas em um livro publicado pela enfermeira Trudy Harris, Glimpses of Heaven (Revell, 2008). Harris colecionou histórias de seus pacientes falecidos com o intuito de oferecer conforto para aqueles que sofriam as perdas, e também para compartilhar as reflexões espirituais recolhidas daqueles que se preparavam para passar para a eternidade. Tendo observado o cuidado de Deus para com os seus pacientes, Harris escreveu: “Aqueles que se dão o luxo de estarem presentes com os pacientes na hora da morte percebem que existe apenas um Médico Divino, e é somente ele quem define o horário que cada um partirá”.

Enquanto a morte é sempre uma tragédia, Harris confirmou o que a Bíblia ensina: Até mesmo a morte tem mérito quando envolvida com a graça de Deus. Harris escreveu que muitos de seus pacientes poderiam sentir – e até ver – a presença de Deus de maneira muito clara na hora da morte. Ela observou que seus pacientes com doença dolorosa estavam ansiosos para transmitir esperança, conforto e sabedoria antes de partirem. Alguns morreram com tanta graça que demonstravam um sorriso gentil.

Podemos olhar para o nosso Salvador que não evitou a morte, mesmo quando poderia ter evitado, para enxergar duas verdades: Deus trabalha por meio do processo da morte para fazer o homem se aproximar dele, e a morte – por mais horrível que seja – não tem a palavra final.

Embora seja difícil suportar o peso da perda de um ente querido, como Marta podemos encontrar paz em saber que Deus não nos abandona nos momentos mais sombrios da morte. E enquanto ainda não temos o privilégio de vê-lo em toda a sua glória, podemos confiar o nosso futuro e o futuro dos que partiram ao amor misericordioso de Cristo.

Mesmo que muitos dos nossos não tenham sido famosos como Agostinho ou Tomás de Aquino, eles foram preciosos e o são para Deus. Que possamos nos lembrar sempre dos seus preciosos legados!