terça-feira, 20 de novembro de 2012

É meu. Posso vender?

A esposa não manda no seu próprio corpo; quem manda é o seu marido. Assim também o marido não manda no seu próprio corpo; quem manda é a sua esposa. (I Coríntios 7:4) 

Segundo a Revista Veja desta semana, hoje, dia 20, “em algum ponto entre a Austrália e os Estados Unidos, a catarinense Ingrid Migliorini, de 20 anos, perderá sua virgindade a bordo de um avião, sobre águas internacionais, para escapar do alcance das leis dos países”. Ingrid leiloou sua virgindade. 

O que há de errado nisso é que Ingrid leiloou um bem que não lhe pertencia. Além de romper os limites éticos, ela depreciou a sua intimidade. Conforme Michael Sandel, professor de filosofia da Universidade Harvard, quem faz isso “revela uma concepção utilitarista e rasa da vida.” Por outro lado, “quem acha que tudo se pode comprar, na verdade não valoriza nada.” Ao contrário do que possam pensar alguns, Ingrid não se valorizou, mas chegou ao limite de sua degradação. 

Trocar sexo por dinheiro é degradante para ambos os parceiros, pois fere a dignidade humana. “O Homem não pode dispor de si próprio como se fosse uma coisa; ele não é sua propriedade”, disse o filósofo alemão e pensador moral Immanuel Kant. 

Existem bens preciosos que o dinheiro não compra. O nosso corpo é um deles. Será que não sabemos ainda que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que vive em nós e nos foi dado por Deus? Nós não pertencemos a nós mesmos, mas a Deus, pois ele nos comprou e pagou o preço. (I Coríntios 6:19) 

No leilão de virgindade ou em qualquer outra forma de comercialização do corpo (ou parte dele) há envolvidas a degradação e a corrupção de certos valores. Isso tira, por exemplo, o valor da sexualidade e torna a pessoa humana em um objeto, um instrumento de uso e lucro. O Senhor Deus abomina essas práticas. 

Uma união sexual não afeta só o corpo. O que fazemos com o nosso corpo na intimidade afeta o estado espiritual de nossa alma. Esse é particularmente o caso da “transação” do corpo para práticas sexuais. A união sexual de “uma só carne” do sexo marital reflete realidades sobre Deus. A atividade sexual fora desse contexto viola a imagem que Deus tem estampada em nossa consciência e mesmo em nosso corpo, seja masculino ou feminino. 

Além do mais, quando o homem ou a mulher “comercializa” o seu corpo, seja por prazer, seja por dinheiro, infringe outro princípio divino no qual o ato sexual deve ser reservado tão somente para a esposa e o marido, que entre si fazem o voto do matrimônio e nele embutem o compromisso permanente de fidelidade, de amor e de carinho mútuos. É por isso que um pertence ao outro, e não a si mesmo. 

Portanto, não estamos autorizados por Deus a vender algo que não nos pertence. O nosso corpo, a nossa alma, a nossa vida pertencem ao nosso Criador. E o que fazemos com eles (e neles) prestaremos contas no dia do Juízo Final. Pensemos nisto!