sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O mito da caverna

Eis que o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo; tremeu a terra, fenderam-se as rochas. (Mateus 27:51) 

Muitas pessoas ainda vivem acorrentadas à Velha Aliança, quando temos uma Nova para se viver. E pior: Algumas chegam a considerar profanas as Boas Novas do Evangelho. 

“Imaginemos um muro bem alto separando o mundo externo e uma caverna. Na caverna existe uma fresta por onde passa um feixe de luz exterior. No interior da caverna permanecem seres humanos, que nasceram e cresceram ali. 

Ficam de costas para a entrada, acorrentados, sem poder mover-se, forçados a olhar somente a parede do fundo da caverna, onde são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, de modo que os prisioneiros, associando-os, com certa razão, às sombras, pensam ser eles as falas das mesmas. Desse modo, os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade. 

Imagine que um dos prisioneiros consiga se libertar e, aos poucos, vá se movendo e avance na direção do muro e o escale, enfrentando com dificuldade os obstáculos que encontre e saia da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e mais além todo o mundo e a natureza. Caso ele decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, correrá sérios riscos - desde o simples ser ignorado até, caso consigam, ser agarrado e morto por eles, que o tomaram por louco e inventor de mentiras.” (Platão, A República, Livro VII) 

Transpondo para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta te mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna pela qual Platão nos convida a imaginar que as coisas se passassem, na existência humana, comparavelmente à situação da caverna: ilusoriamente, com os homens acorrentados a falsas crenças, preconceitos, ideias enganosas e, por isso tudo, inertes em suas poucas possibilidades. 

A primeira aliança de Deus com os homens tinha leis sobre a adoração e tinha também um santuário construído por seres humanos, onde se adorava a Deus. Foi armada uma Tenda, dividida em duas partes que eram separadas por um véu. Atrás do véu ficava a parte que era chamada de Lugar Santíssimo onde estava a presença do Altíssimo e somente o Grande Sacerdote podia entrar para falar com Deus. 

Mas Cristo veio e rasgou esse véu no momento de sua morte na cruz. Ele passou a ser o Grande Sacerdote. A Tenda em que ele serve é melhor e mais perfeita e não foi construída por seres humanos, isto é, não é deste mundo. Ele entrou, uma vez por todas, no Lugar Santíssimo, ofereceu o seu próprio sangue e conseguiu para nós a libertação da culpa. É Cristo quem fez a Nova Aliança, para que os que foram chamados por Deus possam receber as bênçãos eternas que o próprio Deus prometeu. 

Isso quer dizer que as ofertas e os sacrifícios oferecidos a Deus não tornam perfeito o coração das pessoas que o adoram. Por isso, irmãos, por causa da morte de Jesus na cruz nós temos completa liberdade de entrar no Lugar Santíssimo, falar com Deus e receber dele - pela Palavra - as orientações para vivermos com qualidade de vida. Não precisamos mais viver sob as regras da Velha Aliança. Por meio do seu próprio corpo, Cristo nos abriu um novo e vivo caminho. 

Portanto, cheguemos perto de Deus com um coração sincero e uma fé firme, com a consciência limpa das nossas culpas e com o corpo lavado com água pura. Guardemos firmemente a esperança da fé que professamos, pois podemos confiar que Deus cumprirá as suas promessas. Pensemos uns nos outros a fim de ajudarmos todos a terem mais amor e a fazerem o bem.