domingo, 16 de setembro de 2012

A morte de Cristo; o nascimento da graça II


Prosseguindo o estudo "A morte de Cristo; o nascimento da graça", semelhantemente aos dízimos, as ofertas citadas na Lei de Moisés não eram doações em dinheiro (com exceção da oferta alçada que estudaremos mais adiante), mas sim oferendas de animais, cereais ou bebidas, entregues a Deus como parte do culto de adoração. No livro de Levítico, do capítulo 1 a 7, estão especificados cinco tipos principais de ofertas e sacrifícios:

1) Holocausto – o animal era completamente queimado no altar Levítico (1.1-17 e 6.8-13); 

2) Oferta de manjares – isto é, de cereais (Levítico 2.1-16 e 6.14-23);  

3) Sacrifício pacífico ou de paz (Levítico 3.1-17; 7.11-21); 

4) Oferta pelo pecado, isto é, para tirar pecados (Levítico 4.1-5.13; 6.24-30); 

5) Oferta pela culpa, isto é, para tirar a culpa (Levítico 5.14-6.7; 7.1-7).

Das ofertas de paz havia três tipos: por gratidão a Deus (Levítico 7.12), para pagar voto ou promessa (Levítico 7.16) e a voluntária, que era trazida de livre e espontânea vontade (Levítico 7.16). 

Além dessas, havia também a libação, tipo de oferta em que se derramava vinho (Levítico 23.13), e também a oferta alçada, sobre a qual, vamos meditar no texto abaixo.

Os sacrifícios do Antigo Testamento eram provisórios (Hebreus 10.4) e apontavam para o Cordeiro de Deus (João 1.29 e Hebreus 9.9-15), cujo sangue, pela sua morte na cruz, nos limpa de todo pecado (I João 1.7). 

Ainda que os esclarecimentos sejam bem detalhados, sabemos que haverá apologia sustentada na oferta da viúva pobre (Lucas 21.1-4), ocasião em que Jesus observava os ricos lançarem as suas ofertas na arca do tesouro; e também uma pobre viúva que lançava ali duas pequenas moedas. Disse Jesus: Em verdade vos digo que lançou mais do que todos esta pobre viúva, porque todos aqueles deram como ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deu todo o sustento que tinha.

Exatamente como o dízimo de Mateus 23.23, todas as vezes que a Palavra cita “oferta” no Novo Testamento, assim como a oferta da viúva pobre, ela mostra que sobrevieram na vigência da lei de Moisés. 

Primeiramente, vamos meditar no Antigo Testamento sobre os dízimos e ofertas alçadas, para discernimento espiritual da Palavra.

No livro de Números 18.20-28, disse o Senhor a Arão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.

Eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo seu ministério que exercem, o ministério da tenda da congregação. Os levitas administrarão o ministério da tenda da congregação e eles levarão sobre si a sua iniquidade; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança herdarão. 

E falarás aos levitas e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado em vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao Senhor: O dízimo dos dízimos. 

No livro de Deuteronômio 14.29 está escrito: Então virá o levita (pois nem parte nem herança têm contigo), e o estrangeiro, e o órfão, e a viúva que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda a obra das tuas mãos que fizeres. 

Observe que o dízimo é direcionado para suprir as necessidades dos levitas, porque não possuíam parte e nem herança entre os judeus, e também designado com a finalidade de caridade aos estrangeiros, órfãos e as viúvas. 

Voltando ao Novo Testamento, Jesus observava os ricos lançarem as suas ofertas alçadas na arca do tesouro, mas as sobras, enquanto que a pobre viúva lançou ali o seu sustento.

Os ricos lançavam ofertas das sobras, para se exaltarem e humilhar aos pobres que ali depositavam pequenas quantias. Porém, em conformidade com a Lei (Números 18.11-32), os ricos não podiam participar desse cerimonial, porque ali estava sendo exercida a oferta alçada, ou seja, a entrega do dízimo dos dízimos, e somente os filhos de Levi recebiam o dízimo. 

Portanto a oferta alçada só poderia ser praticada pelos levitas que não possuíam parte nem herança na terra prometida (Números 18.20-28), e pelos necessitados que também se beneficiavam dos dízimos. Por isso, Jesus exaltou o ato de fé daquela pobre viúva, que ofertou o seu sustento, doando parte do que havia recebido para a sua manutenção cotidiana.

A oferta alçada é a única oferta em dinheiro relatada na bíblia, tanto que a viúva pobre doou duas moedas do seu sustento. Porém, não poderá ser praticada no tempo da graça, porque era o dízimo dos dízimos, os quais eram recebidos pelos que não possuíam parte nem herança no meio dos judeus, e também pelos despojados de bens materiais. Portanto, aquela irmã estava dizimando, em forma de oferta alçada.

Neemias 10.37-39 relata que as ofertas alçadas eram oferecidas também através das primícias dos frutos das árvores, dos grãos, do mosto, e do azeite, aos sacerdotes, às câmaras da Casa do nosso Deus. E quando os levitas recebessem os dízimos, trariam os dízimos dos dízimos (ofertas alçadas) à Casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro. 

Uma pausa para meditação: No livro de Malaquias 3.8, o Senhor alerta: Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. 

A Palavra é profunda, mas observe: Quem tinha ordem segundo a lei de receber os dízimos e ofertas alçadas, senão os sacerdotes levitas? Portanto, os roubadores que a Palavra está se referindo, não são os que deixavam de doar, mas justamente os que recebiam os dízimos e as ofertas alçadas. 

Outra referência bíblica sobre oferta está na segunda carta aos Coríntios 9.6-8, assim descrita: O que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria. Esta referência não é uma ordenança, mas um ensinamento sobre a generosidade e o amor ao próximo, em forma de caridade, citados no contexto de todos os livros do Novo Testamento. 

Nada do que foi expressado neste estudo impede que a pessoa, de livre e espontânea vontade, tão somente como um ato de fé e de generosidade, contribua para o trabalho de evangelização, porque a ordenança de Cristo é esta: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. (Marcos 16:15)

Para finalizar, é muito importante vislumbrar a divisão existente na Palavra entre o Antigo Testamento (feito por leis, cerimônias e rituais) e o Novo Testamento (da graça). Muitos ainda trazem nos lombos o pesado fardo da lei, mesmo após o precedente mandamento ter sido substituído pelo novo, por causa da sua fraqueza e inutilidade (pois a lei, nenhuma coisa aperfeiçoou). Os mandamentos da Velha Aliança foram substituídos por apenas estes dois: 1) Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 2) O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (Marcos 12:29-31) O que passar disso é invenção humana.

Portanto, com a morte de Jesus Cristo na cruz do Calvário foi revelada aos homens a esperança, pela qual todos podem chegar a Deus (Hebreus 7.18 e 19). Cristo veio justamente para libertar o homem do jugo da lei, mas, infelizmente, o seu sacrifício continua sendo rejeitado por muitos. 

Hoje vivemos o tempo da graça do Senhor Jesus e qualquer esforço para voltar à lei de Moisés que Cristo desfez na cruz, ou tentativa de ganhar a salvação pela meritocracia, é anular o sacrifício do Cordeiro de Deus e reconstruir o muro da separação por ele derrubado (Efésios 2.13-15).