sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A morte de Cristo; o nascimento da graça

Ainda devemos exercer as cerimônias e rituais da lei de Moisés ou Cristo revogou a lei pela aspersão do seu próprio sangue, em sacrifício vivo na cruz do Calvário? Eis a questão.

Vamos iniciar nosso estudo abordando a questão dos dízimos.

Os dicionários bíblicos assim definem o dízimo: A décima parte, tanto das colheitas como dos animais, que os israelitas ofereciam a Deus (Levítico 27.30-32 e Hebreus 7.1-10). O dízimo era usado para o sustento dos levitas (Números 18.21-2), dos estrangeiros, dos órfãos e das viúvas (Deuteronômio 14.29). 

Por que a décima parte? Porque era uma questão pedagógica e matemática. Eram doze tribos descendentes de Jacó. Onze delas pagavam o dízimo para a tribo de Levi e cada uma ficava com nove partes. Levi recebia onze partes, mas ficava somente com nove, porque a décima parte era oferecida a Deus como dízimo dos dízimos e a outra parte ficava no tabernáculo à disposição dos órfãos, das viúvas e dos estrangeiros. 

Na vigência da Lei de Moisés, o dízimo não era dinheiro (Deuteronômio 14.22-27), mas dez por cento das colheitas de grãos e de animais, e eram destinados a suprir os levitas que não tinham parte e nem herança na terra prometida. 

Levita significa "descendente de Levi", que era um dos 12 filhos de Jacó. Os descendentes de Levi manifestaram a Moisés o interesse de servirem somente ao Senhor (Êx 32:26). Daí em diante, os levitas se tornaram ministros de Deus. Dentre eles, alguns eram sacerdotes (família de Aarão) e os outros, seus auxiliares. Seu serviço era cuidar do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive carregando tudo isso durante a viagem pelo deserto (Números capítulos 3, 4, 8, 18).

No Novo Testamento o dízimo foi citado três vezes, vamos conhecer o porquê e em quais circunstâncias a Palavra se refere a essa ordenança da Lei.

A primeira vez que o dízimo foi citado no Novo Testamento (Mateus 23.23), Jesus censurou os escribas e fariseus, dizendo-lhes: Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé. Deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas. 

Vamos buscar discernimento espiritual na Palavra para entendermos o porquê, naquela ocasião, Jesus recomendou a manutenção dessa ordenança da lei, dizendo: Deveis, porém, fazer estas coisas e não omitir aquelas.   

Assim afirmou Jesus porque era um judeu, nascido sob a lei (Gálatas 4.4), e viveu na tutela da lei. Reconhecendo-a, disse dessa forma, pela responsabilidade de cumprir a lei. E para isso, em Mateus 5.17 e 18, Ele disse: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. 

Jesus assegurou que a lei deveria ser cumprida no decorrer do seu ministério, porque qualquer que a violasse seria apedrejado até a morte. 

E verdadeiramente Jesus cumpriu a lei. Foi circuncidado aos oito dias; foi apresentado na sinagoga (Lucas 2.21-24); assumiu o seu sacerdócio aos trinta anos (Lucas 3.23; Números 4.43, 47); e exerceu outras formalidades cerimoniais da lei.

Observe também, que Jesus curou o leproso (Mateus 8.1-4) e depois o mandou apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenara no capítulo 14 de Levítico. 

A Nova Aliança não teve princípio no nascimento de Jesus, mas na sua morte (Gálatas 3.22-25 e 4.4, 5). Para tanto, o véu do templo rasgou-se de alto a baixo quando Cristo rendeu o seu espírito a Deus (Mateus 27.50-51). Então, passamos a viver pela graça do Senhor Jesus, sendo introduzido o Novo Testamento, o Evangelho da salvação pelo triunfo do Senhor Jesus Cristo na cruz do Calvário, e encerrando-se ali toda a ordenança da lei de Moisés.

Cristo não veio ensinar os judeus a viverem bem a Velha Aliança. Ele disse: Um novo mandamento vos dou (João 13.34). Paulo disse: Se a justiça provem da lei, segue-se que Cristo morreu em vão (Gálatas 2.21). Em Mateus 5.20, disse Jesus: Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus. 

O Senhor Jesus Cristo mandou os escribas e fariseus cumprirem a lei de Moisés, a qual ordenava o dízimo. Nós, porém, para herdarmos o reino do Céu, não podemos de forma alguma voltar ao ritual da lei Mosaica, mas precisamos exceder essa lei, ainda que cumprida. O amor, a graça e a paz do Senhor Jesus excede a lei e todo entendimento humano.  

A Segunda vez que o Senhor Jesus referiu-se ao dízimo, foi na Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18.9-14). Ele tomou como exemplo um religioso, dizimista fiel, que jejuava duas vezes por semana, porém, exaltava a si mesmo e humilhava um pecador que suplicava a misericórdia do Senhor.  

É interessante observar que os fariseus continuam até hoje se exaltando da mesma forma, batem no peito e dizem: Eu sou dizimista fiel. Mas nesta narrativa alegórica, o Senhor Jesus Cristo exemplificou que no Evangelho não há galardão para os dizimistas, ao contrário, os censurou.

Hebreus 7.5: E os que dentre os filhos de Levi receberam o sacerdócio tem ordem, segundo a lei, de tomar os dízimos do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão.

A Palavra afirma que Moisés deu uma lei ao seu povo, direcionada aos filhos de Levi, especificamente aos que receberam sacerdócio para trabalhar nas tendas das congregações, os quais tinham ordem, segundo a lei de receber os dízimos dos seus irmãos. Agora note o relato do versículo 11e 12:

Hebreus 7.11: De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio Levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade se havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque (referindo-se a Jesus Cristo) e não fosse chamado segundo a ordem de Arão? (menção a Moisés, o qual introduziu a lei ao povo).

Hebreus 7.12: Porque se mudando o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei.

A Palavra do Senhor assegura que os sacerdotes levíticos deveriam receber os dízimos segundo a lei (Hebreus 7.5), porque através deles o povo recebeu a lei (Hebreus 7.11). Mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança na lei (Hebreus 7.12), porque se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico, qual a necessidade do Senhor Deus enviar outro Sacerdote? A Palavra não deixa sombra de dúvida que ao mudar o Sacerdócio, necessariamente se faz a mudança na Lei.

E, se voltarmos na lei que fora direcionada especificamente aos filhos de Levi, aos que receberam o sacerdócio do Senhor Deus, e aplicá-la hoje, ela se torna intempestiva e ilegítima, porque não existem mais sacerdotes levitas. Jesus afirmou que a lei e os profetas duraram até João (Lucas 16.16), e mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz mudança na lei (Hebreus 7.12). 

Portanto amados, apenas os versículos 5, 11 e 12 do capítulo 7 da carta aos Hebreus seriam suficientes para entendermos a abolição de toda lei.

Clique aqui para ler mais sobre o assunto.

12 comentários :

  1. Ola amigo,
    Finalmente o que eu pensei assim aconteceu..as msg anteriores todas
    Foram fortes em Espírito e Verdade,
    Porém muito longas. Deus qdo fala
    Basta apenas uma palavra ee seus mensa
    geirosgeiros
    Obedecem.

    Chico
    Graça Paz

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  2. Luciana Araujo15 setembro, 2012

    boa noite. Recebo com frequência suas devocionais e confesso que tenho sido muito abençoada em várias ocasiões. Gostaria, porém de deixar minha opinião sobre esta publicação. Creio que hoje, como em várias questões dos ritos cristãos como o batismo, a ceia, a ordem no culto recebem diversas interpretaçoes e são em alguns casos fundamentos para certas denominações e igrejas. Creio que publicar sua interpretaçao da Bíblia quanto ao dízimo e oferta fere um pouco o princípio da imparcialidade que julgo ser necessária para uma publicação interdenominacional. Creio, ainda, que se tivéssemos uma linha direta com vários leitores, apareceriam diversas opiniões ou convicções a respeito do assunto. Creio, ainda, que sua interpretaçao desse rito da igreja cristã deva ser respeitada, mas não propagada como se fosse uma verdade inquestionável. Irmão, devemos, no amor, edificar os irmão e não irmãos que lêem seus editoriais e não
    divulgar um tema como este que é tão delicado (outra vez digo, como se fosse a mais absoluta verdade) creio que lançar dúvidas nas mentes e na fé de pessoas que buscam um alimento nessas mensagens, não edifica tanto, mas suscita dúvidas, questionamentos. Acho que devem ser respeitadas as pessoas e igreja que adotam o dízimo e as ofertas como doutrina. Apenas para contribuir, no Amor. Luciana

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    1. Prezada Luciana,
      Muito obrigado pela sua participação e excelente contribuição.
      Quanto ao fundamento do texto, posso garantir que foi escrito com imparcialidade e totalmente fundamentado na Bíblia.
      De qualquer forma, o fórum está aberto para discussões e, para isso, podemos usar esse espaço do blog.
      Obrigado pelas suas sugestões,
      Um forte abraço,
      Elbem César

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  3. Allieta Alves15 setembro, 2012

    Muito obrigada por enviar essas mensagens.
    Bom final de semana.
    Alliêta

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  4. Ailton Fernandes15 setembro, 2012

    O outro formato era bem melhor! Na minha humilde opinião! Nem sempre dá pra ficar abrindo outro link. Assim atingiremos menos pessoas e um trabalho tão bom como este poderá perder sua eficiência/eficácia.

    Atenciosamente,

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  5. Douglas Franco15 setembro, 2012

    Amado Irmão Elbem César,

    A pergunta abaixo realmente é complexa e profunda de ser responder..
    Apenas para contribuir creio que, o fato de vivermos o tempo da graças não nos libera completamente de desconsiderar a lei de Moiséis. Creio que devemos sim observar a lei e na medida do possível, crumprí-la. Agora sim, creio que pelo fato de vivermos o tempo da graça não quer dizer que seremos impultado culpa caso não cumprir toda lei, pois ela é ainda parâmetro para nossas vidas. Basta analisarmos quando tentamos argumentar assuntos complexos como o casamento homosexual, o dízimo e outras coisas. Apesar de termos ensinamentos no novo testamento, também temos orientações na lei que fundamentam nossa postura.

    Um abraço e paz de Cristo.

    Irmão Douglas
    Membro da Assembléia de Deus, Novo Dia L2 Sul

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  6. Receber o texto completo por e-mai era bem mais fácil para repassar para outros. Assim, na minha opinião atingiremos menos pessoas, pois nem todos querem abrir um link para ler.

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  7. Jucenildo Araújo16 setembro, 2012

    Elbem faz um bom tempo que recebo tuas meditações e aprecio muito, mas quero esclarecer que a biblia faz uma distinção muito clara entre a natureza das leis. Devo dizer que há pelo menos quatro: A Lei Moral: Dez Mandamentos, que devem reger a conduta de todo ser humano; a Civil, regia juridicamente o povo de Israel; a Lei de Saude, que nos ensina como manter saudavel o nosso corpo, que é o Templo do Espirito Santo; a Lei Cerimonial, que com os rituais de sacrificios, apontava a Cristo, que viria morrer por nossos pecados, e essa sim, foi abolida na cruz do Calvario. Mas parabens por suas meditações.

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  8. Pr. Rogério Magalhães17 setembro, 2012

    Querido irmão Elbem,
    Também moro em trabalho e, na área secular, trabalho na Câmara dos Deputados.
    Sua explanação é coerente, profunda e suscita dúvidas apenas àqueles que não querem perder seu quinhão financeiro nas igrejas e continuarem a investir em cadeiras, paredes, reformas infindáveis, prevalecendo o material e o relativo. Atualmente, inúmeras denominações literalmente desviam tais recursos em coisas que perecem e não em almas. A obrigatoriedade cega se sobrepóe à vontade de cumprir a mais relevante das missões: propagar o evangelho.

    Continue firme nesse propósito de levar a verdade às pessoas.

    Pr. Rogério Magalhães

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  9. Elbem, sobre o texto que diz trazei os dízimos e fazei prova de mim, Ml 3.10, pergunto se o agir divino naquele contexto pode ser restrito no tempo, afinal, todo templo precisa pagar contas de água e luz. Acaso terminarão os templos cristãos como clubes sociais com cotas de mensalidade a fim de suster-se?

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    1. Irmão Roberto,
      Muito obrigado pela sua participação.
      A questão é bem mais complexa do que se possa imaginar. Infelizmente, a igreja de nossos dias retrocedeu ao conceito materialista na prática, enquanto cultua verbalmente a natureza espiritual da igreja. O templo é uma das formas visíveis deste problema.
      Peço que o irmão acompanhe os próximos textos, nos quais tentaremos mostrar um reestudo do modelo da Igreja do Novo Testamento e sua aplicação ao empreendimento missionário.
      Um forte abraço,
      Elbem César

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  10. Irmão Elbem,
    Seus devocionais são benção na vida de muita gente!
    Gostaria de pedir-lhe que repensasse voltar ao formato antigo no envio dos e-mails...sempre os repasso a outras amigas que não são crentes ainda e tem sido maravilhoso...mas no novo formato, nem sempre elas entendem q é preciso clicar em algo para ler na integra e receio quelas não leiam tudo.
    Muito obrigada!
    Odla

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