terça-feira, 7 de agosto de 2012

Amor ridículo

Amem uns aos outros com o amor de irmãos em Cristo e se esforcem para tratar uns aos outros com respeito. (Romanos 12:10)

Você conhece algum irmão ou amigo que te faz sentir plenamente realizado e feliz com a vida? Que te deixa “pra cima” quando conversa contigo? Pois é, ele existe. Ele está cumprindo as ordenanças bíblicas. É muito bom encontrar alguém assim. 

Eu conheço um. Aliás, um casal. Com seus 90 e poucos anos, 67 casados, Ruth e David Sanders são um amor em pessoa. Toda vez que converso com eles eu me sinto esperançoso e restaurado. Eles sempre me inspiram a ser alguém. Eu admiro a maneira como o casal trata as pessoas, não importando a classe social. A forma como transmitem o amor de Deus é fascinante. Mas a forma como eles amam o ser humano chega a ser ridícula.

Ridícula porque hoje em dia é muito raro encontrarmos alguém que é capaz de tirar o alimento da sua própria boca para dar aos mais necessitados. Simplesmente eu não consigo descrever a atitude de pessoas assim. Eu tenho muito ainda a aprender sobre esse amor fraternal, porque praticá-lo não é algo natural para mim. Eu costumo arranjar um monte de desculpas quando se trata de ser mais espontâneo e amoroso. Afinal, é muito mais seguro e cômodo ser superficial com as pessoas.

A essência de Jesus Cristo está no amor. O conteúdo de sua Palavra também. Mas é um amor profundo. Cristo veio ao mundo para salvar o pecador. Essa foi e é a sua missão. Muitas vezes achamos que Jesus gastou tempo com os “religiosos”, quando na verdade ele gastou seu tempo com os viciados, os roubadores, as prostitutas, os doentes – pessoas que não tinham nada em comum com ele. As pessoas zombavam da maneira de Jesus amar, porque o amor de Jesus era ridículo.

O livro de romanos mostra claramente o contraste que existia entre os “religiosos” e os verdadeiros membros da noiva de Cristo. Conforme o autor do livro, aqueles se achavam espiritualmente sadios e fiéis aos regulamentos. Em vista disso, eram orgulhosos ao ponto de se esquecerem de praticar o amor para com os que não conseguiam cumprir os rituais eclesiásticos. Mas foi para os perdidos que Jesus veio. Ele mesmo disse: — Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes (Mateus 9:12). Todos, doentes e sãos, que aceitam o sacrifício de Cristo tornam-se membros de sua noiva.

Muitos desqualificavam a forma como Cristo demonstrava o seu amor. Por outro lado, os que se chegavam a ele recebiam o dom gratuito exibido abertamente a todos. Hoje, a noiva de Cristo não faz suposições sobre quem pode ou não ser salvo. Pelo contrário, ela deixa a boa notícia da cruz falar por si só e está disposta a proclamar a verdade a todos e em todos os lugares, mesmo que isso signifique gracejo, perseguição ou morte. É por isso que o amor da noiva de Cristo, assim como o amor do seu Noivo, é considerado ridículo.

Na cultura de hoje é digno de risadas esse amor sacrifical. Algumas pessoas conseguem arranjar desculpas por não amar como Cristo amou. Elas criam regulamentos e normas para se protegerem dos pecadores e expurgá-los do seu convívio. E assim seguem praticando um amor superficial. Mas esse amor não é o que está no coração de Cristo. É preciso saber discernir qual é a perfeita e agradável vontade de Deus (Romanos 12:1-2).

Portanto, você que faz parte da noiva de Cristo, não tenha medo de ser excessivamente cheio de amor, de esperança e de paciência. Deus mudou radicalmente a sua vida. Ele deu-lhe algo que é mais valioso do que qualquer coisa. É hora de compartilhá-lo, não somente entre as quatro paredes de um templo, mas fora dele, onde estão os realmente necessitados de um amor ridículo.