sexta-feira, 6 de julho de 2012

Desejo natural

Sei o que é estar necessitado e sei também o que é ter mais do que é preciso. Aprendi o segredo de me sentir contente em todo lugar e em qualquer situação, quer esteja alimentado ou com fome, quer tenha muito ou tenha pouco. Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação. (Filipenses 4: 12-13) 

Desde quando me entreguei a Cristo, deixei de pertencer a mim mesmo. Cristo é, portanto, livre para fazer de mim o que lhe agrada. Mas como qualquer ser humano, tenho vontade de realizar alguns sonhos ou mesmo desejos naturais. Aliás, quem não tem? Talvez você deseja se casar, ou ter filhos, ou quem sabe escrever um livro... 

A confusão e o desespero vêm à cabeça quando julgamos algum desejo não realizado como sendo natural e criado por Deus. Se um desejo é natural e eu não consigo realizá-lo, por que Deus não abre as portas, se foi ele mesmo que o colocou em mim? 

A maioria dos heróis bíblicos tinha desejos naturais que foram colocados em espera ou mesmo insatisfeitos. E alguns desses desejos pareciam especialmente santos, mas Deus não permitiu que fossem realizados. 

Por que Deus não permite que alguns desejos sejam realizados? Não há uma resposta simples. Mas é bíblico dizer que, quando um desejo bom não se realiza, Deus trabalha por meio de nós de uma maneira que não seria possível, caso tivéssemos todos os nossos desejos realizados. Paulo expressou isso quando ele estava dividido entre dois desejos: o desejo de ir para o céu e o desejo de continuar na terra para edificar a Igreja. Mediante os olhos da fé, ele anteviu como Deus pode finalmente realizar os dois. (Filipenses 1:23-25) 

A mesma paz que lemos ao estudar a vida de Paulo pode ser encontrada nas histórias de incontáveis ​​outros cristãos que deixaram de lado suas preferências pessoais. 

Em sua autobiografia (História de uma alma), Santa Teresa refletiu: “Deus não pode inspirar em nós desejos irrealizáveis. Mas eu posso, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade.” Teresa reconheceu que seus desejos naturais se limitavam ao desejo de Deus, enquanto que suas limitações pessoais não impediam a obra de Deus ser realizada em sua vida. 

São Martinho de Tours também aceitou o chamado de Deus com paz em seu coração. Ele se tornou um excelente divulgador da Palavra de Deus, apesar de sua personalidade introvertida. A chave para a felicidade foi a sua entrega a Deus demonstrada na maneira de amar as almas carentes. 

Embora seja difícil aceitar que nossos desejos pessoais, por vezes, tenham que ser colocados em espera, essa atitude, quando motivada por amor, traz paz e felicidade ao coração. Se tivéssemos uma chance de falar com Paulo, Teresa, ou Martinho, nós concordaríamos que a vida é muito mais gratificante quando o Criador do Universo está no controle. 

Quais desejos naturais você está disposto a não realizar em prol dos desejos de Deus? Quais sonhos foram colocados em espera em sua vida? Pense na maneira como Deus tem trabalhado para o seu bem, deixando esses sonhos e desejos em espera. Escreva uma ou mais bênçãos que você tenha recebido, mas que não estavam relacionadas antes na sua lista de sonhos e desejos.