sexta-feira, 8 de junho de 2012

A mordomia

Será pedido muito de quem recebe muito; e, daquele a quem muito é dado, muito mais será pedido. (Lucas 12:48)

No estádio de futebol é comum perceber as cobranças das torcidas por resultados positivos de seus times preferidos. Quando algum “medalhão” – jogador conhecido por suas habilidades e fama – não produz um bom desempenho durante uma partida de futebol, alguns torcedores chegam a agredi-lo com palavras. Essa cobrança é natural, pois quem pode produzir mais e melhor, não deveria apresentar resultado abaixo da sua capacidade.

A mesma cobrança se aplica aos mordomos do Reino Celestial. Mordomo é um empregado doméstico, mas também pode ser o administrador dos bens de uma irmandade ou confraria ou o organizador (e contribuinte) de uma festa popular, normalmente de cariz religioso.

Antes de proferir as palavras do versículo acima, Jesus contou aos seus discípulos a parábola dos empregados fiéis e infiéis. Fiéis são aqueles que desempenham bem as habilidades que Deus lhes confiou. Infiéis são os que pensam que o Senhor Jesus não voltará tão cedo, e por causa disso, conscientemente ou não, relaxam no trabalho, escondendo o talento e deixando a vida rolar...

A Palavra de Deus é de uma sabedoria singular. A primeira parte do versículo citado “será pedido muito de quem recebe muito” é muito bem utilizada no mundo secular e, às vezes, até por pessoas que não conhecem a Bíblia. É por isso que torcedores, ou espectadores de filmes de super-heróis, p. ex., agem sob esse pensamento. Quando lemos e meditamos na profundidade da ideia que fundamenta esse versículo, notamos que ele tem um significado especial.

Independentemente de posses materiais – coisas que podemos acumular, quebrar, esquecer, guardar, vender ou perder –, Deus nos tem confiado habilidades e talentos que incluem a salvação eterna, o testemunho pessoal, os dons espirituais, a herança genética, a família, a capacidade de amar e de perdoar e outras coisas mais. (Gálatas 5:22)

Agora, o uso correto desses talentos ou presentes de Deus depende da perspectiva sob a qual os encaramos. Se acharmos que são presentes “dados”, e que por isso são nossos e deles fazemos o que quisermos, somos considerados infiéis. A perspectiva correta é considerarmos esses presentes como “confiados” a nós. Ou seja, somos apenas mordomos – e não proprietários – dos bens materiais e espirituais. O mordomo, por definição, deve ser fiel. É como um fiel depositário que zela e utiliza de forma correta o que lhe é confiado. O mordomo não é aquele que tem “mordomia” no sentido vulgar da palavra, mas aquele que presta conta do que lhe é confiado.

Portanto, as nossas posses materiais e espirituais, os bens tangíveis e intangíveis, devem se tornar ferramentas para uso primordial na construção e promoção do Reino Eterno comandado pelo Senhor Jesus Cristo.

Que presente Deus confiou a você? Você tem sido um mordomo fiel? Ou você está relaxado, desperdiçando a oportunidade de ajudar a construir e promover o Reino Eterno? Você pode não ser a pessoa mais talentosa do mundo, mas certamente tem todos os requisitos necessários para fazer o trabalho que lhe foi atribuído por Deus.