sexta-feira, 29 de junho de 2012

Churrasco em casa

Se o Senhor Deus não edificar a casa, não adianta nada trabalhar para construí-la. (Salmo 127:1). 

Afinal de contas, o casamento não é nosso? A casa não é nossa? Não seria melhor deixar o Senhor ocupado com os grandes problemas do universo, ao invés de apresentar a Ele os pequenos problemas da minha família? “Nosso raciocínio, porém, por melhor que seja, não muda em nada a revelação bíblica. O Senhor faz questão de ser o construtor de nossa casa.” (Olavo Feijó) 

Nunca me esqueço de uma frase dita pelo meu primo, Pr. Celsino Marques, em uma palestra para casais: “Lar é assim: quando a família tem um churrasco em casa, ninguém sai pelas ruas e quarteirões atrás de sanduíche podre.” O lar dever um doce lar. 

O problema é que muitas famílias não querem ouvir os ordenamentos divinos essenciais para um bom relacionamento no lar. Não deveria ser assim, porque afinal, a família é uma instituição criada por Deus e ninguém é melhor do que ele para dirigi-la. 

Muitos são envolvidos pela cultura moderna, na qual prevalece o individualismo – o maior inimigo da família. A ideologia do bem-estar leva à busca da satisfação imediata, do desejo de consumo, da criação de necessidades desnecessárias. A avidez do mercado descontrola o desejo das crianças, jovens e adultos. Legitima-se que os desejos se tornem felicidade. Por causa do individualismo no lar, muitos saem pelas ruas, bares e quarteirões, comendo sanduíches podres, à procura da tão sonhada felicidade. 

Como bem escreveu Dom Orlando Brandes, “eu quero, eu sei, eu decido, são expressões do individualismo, da autonomia quando não da arbitrariedade subjetivista. Para satisfazer os desejos dos indivíduos temos a cultura do ter, a civilização do consumo, a ética do agradável, o aumento do narcisismo que resumimos na palavra 'hiperindividualismo'. O individualismo rompe com a ética, com a família, a religião, as instituições, as responsabilidades. Acontece então a privatização da fé, a fragmentação da vida, a relativização dos valores. O bem, a verdade, a liberdade e o amor nos convocam à comunhão e à fraternidade superando a elevação do ego e seu endeusamento.” Mas a nossa vocação é a de lutarmos pelo bem comum para não morrermos como loucos. 

Outro mal do modernismo é fato de que o centro da família hoje são os filhos. Eles crescem endeusados, sem limites e com poucos valores. Tornam-se onipotentes e depois delinquentes. Os pais passam a ser reféns de suas crianças egocêntricas. Elas determinam o que comer, o que vestir, onde passear, o que comprar. São duplamente vitimas, do consumismo e filiarcalismo. Mas o centro da família deve ser o casal, não as crianças. Elas precisam do referencial paterno e materno. Criança folgada, crescerá descentrada, e dificilmente aceitará a disciplina, os limites e os valores objetivos. 

Sabemos que não existe família e nem casamento perfeitos, mas podemos melhorá-los. Portanto, atentemos para o que Jesus disse: Quem ouve esses meus ensinamentos e vive de acordo com eles é como um homem sábio que construiu a sua casa na rocha. (Mateus 7:24) Praticar o ensino de Jesus é deixar que ele edifique no melhor alicerce. Obedecer às palavras de Jesus, na resolução dos problemas familiares, é ter a certeza da intervenção técnica do Senhor. Por isso, é essencial a presença de Cristo na construção e direção de nossa família. Só assim conseguiremos fazer um bom churrasco em casa.