terça-feira, 6 de março de 2012

O perfeccionista

Portanto, sejam perfeitos, assim como é perfeito o Pai de vocês, que está no céu. (Mateus 5: 48)

A busca da perfeição pode parecer apenas um comportamento natural de quem almeja o sucesso. Mas essa conduta se torna um problema quando começa a interferir negativamente na vida das pessoas. Esse é o caso de Nina, personagem interpretada por Natalie Portman no filme Cisne Negro. Sem medir esforços para conseguir o papel principal, a bailarina passa a ser atormentada com sentimentos conturbados de ansiedade e frustração devido ao seu perfeccionismo extremo.

Assim como na ficção, o perfeccionista pode viver um constante pesadelo, já que os resultados do seu desempenho quase nunca são os esperados. “Quando o perfeccionismo interfere a ponto de criar desconforto e uma sensação de eterna insatisfação, ele tira da pessoa a espontaneidade e a alegria de viver”, afirma a psicoterapeuta Patrícia Gebrim.

No entanto, Jesus nos disse para sermos perfeitos. E agora? Será que Cristo nos pediria algo que pudesse nos trazer desconforto? Após uma série de recomendações de como viver a vida, o nosso Mestre encerra seu discurso com essa ordenança: Sejam perfeitos.

O perfeccionista sabe o quanto é difícil alcançar a perfeição, mas nunca desiste de buscá-la. Ele mesmo sabe que a probabilidade de frustração é bem maior que a de sucesso. A busca pela perfeição pode até ser positiva quando alguém se empenha cuidadosamente na realização de uma tarefa de modo natural, sem que isso gere angústia ou ansiedade. Mas por outro lado, o perfeccionismo tem uma face extremamente nociva, pois como o objetivo é sempre atingir a perfeição, ou seja, algo que não existe, surge um ciclo vicioso de frustração. A pessoa cria padrões inatingíveis para suas realizações e, depois, não se sente de fato valorizada.

O problema espiritual é que o perfeccionista tem a necessidade de se sentir valorizado entre as pessoas. E isso é egoísmo, que é pecado, que é imperfeição. É por isso que temos um ciclo vicioso. Um velho amigo meu, em sua missão de eliminar a sua atitude egoísta, exclamava muitas vezes com muita exasperação: “Eu continuo tentando me livrar do meu egoísmo, mas no processo de tentar melhorar a mim mesmo, acabo focando minha perfeição o tempo todo!” É impossível a pessoa por si só alcançar a perfeição.

Então, precisamos entender a ordenança de Jesus com o auxílio de outro versículo: “... sejam santos em tudo o que fizerem, assim como Deus, que os chamou, é santo.” (1 Pedro 1:15) Aqui, a palavra “perfeito” foi trocada por “santo”. Santidade transcende o que fazemos (ou deixamos de fazer). A santidade vem diretamente de Deus. Ele é santo. É Ele quem nos santifica. Nós não somos necessariamente chamados para sermos “perfeitos” segundo os padrões do mundo, mas para refletirmos a natureza de Deus.

Para refletirmos com precisão a característica de Deus é preciso conhecê-Lo mediante a Sua Palavra. A santidade não se alcança com exercícios de autoajuda. É pelo sacrifício de Cristo que todos os que creem são santificados, ao tempo em que são aperfeiçoados. Portanto, para sermos aperfeiçoados a cada dia, a parte que nos cabe é “esquecer” a nós mesmos e procurar andar nos caminhos que Jesus andou, ajudando as pessoas nas suas fraquezas, por exemplo. Isso nós podemos fazer.