sábado, 3 de março de 2012

O perdedor

Senhor, eu não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, outro chega antes de mim. (João 5:7)

“A palavra ‘vencedor’ não é um privilégio atribuído a um grupo restrito de ‘iluminados’. Visão, determinação, humildade, vontade de aprender e capacidade de se apaixonar são as melhores estratégias para driblar a concorrência, seja ela profissional ou afetiva, e assim conquistar vitórias.”

Quem nunca leu uma mensagem como essa? E desse tipo: “A diferença entre o vencedor e o perdedor não é a força nem o conhecimento, mas, sim, a vontade de vencer.” (Vincent T. Lombard)

Essas mensagens de otimismo são muito comuns. Eu recebo várias delas durante a semana. É um tipo de mensagem que todos gostam de ler e, por causa disso, se multiplicam aos montes na internet. Mas hoje você vai ler uma diferente.

Nós somos especialistas em esquecer que para cada vencedor existe um perdedor, ou vários. Evidentemente, os perdedores são desprezados por vários motivos. Mas a Bíblia não despreza o perdedor, muito pelo contrário.

Em meio à multidão de deficientes físicos havia um homem a quem Jesus deu atenção especial. Era um paralítico há mais de trinta e oito anos. Afligido física e espiritualmente, esse doente era digno de dó. Ficava deitado, dia após dia, à espera de um milagre.

A história relatada em João 5 é uma das mais estranhas da Bíblia. Especialmente o verso 4, que diz: “[Esperavam o movimento da água, porque de vez em quando um anjo do Senhor descia e agitava a água. O primeiro doente que entrava no tanque depois disso sarava de qualquer doença.]”

Algo não soa bem aqui. Será que essa é a maneira que Deus opera, garantindo a cura para uma pessoa que, abrindo caminho às cotoveladas, entra no tanque primeiro? Esse conceito é totalmente contrário à graça.

Na verdade, os manuscritos mais antigos não contêm esse verso. Essa é a razão de ele estar entre colchetes na Bíblia. Ellen White, ao comentar sobre essa passagem, observou que “acreditava-se comumente” que um anjo descia e movia as águas (O Desejado de Todas as Nações, p. 201). Que as águas se moviam de tempos em tempos não há dúvida, mas esse fenômeno provavelmente ocorria devido a uma nascente subterrânea.

Jesus perguntou ao doente: — Você quer ficar curado? Em vez de responder “sim”, aquele perdedor de primeira categoria conseguiu apenas se lamentar: — Não tenho ninguém que me ajude a entrar no tanque. Outra pessoa sempre entra primeiro que eu.

Vejam que o homem não pediu para ser curado. Não tinha fé. Nem mesmo sabia o nome de Jesus. Mas Jesus o curou assim mesmo. Estranho, não é? Ele foi curado porque Jesus ama os perdedores. Isso é graça.

Graça significa que mesmo os casos mais perdidos – pessoas tão devastadas que não conseguem nem mesmo pedir ajuda – encontram vida nova, porque Jesus é esperança para todos. Se você se acha um perdedor, creia nessa mensagem e verá a diferença.

"Se alguém lhe fechar a porta, não gaste energia com o confronto, procure as janelas. Lembre-se da sabedoria da água: a água nunca discute com seus obstáculos, mas os contorna."