terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Vida coerente

Ele tem de ficar cada vez mais importante, e eu, menos importante. (João 3: 30)

A adolescência é um período da vida muito interessante. Nesta fase, as pessoas têm muitos questionamentos e dúvidas. A cabeça delas é um verdadeiro celeiro de interrogações, principalmente relacionadas à fé.

Eu sei um pouco do que se passa na cabeça de um adolescente de hoje. Eu noto que alguns têm um pensamento meio inconsistente em matéria de mundo espiritual. A maioria concorda com a necessidade de se manter um nível de ética e moral, sabe que é preciso respeitar os direitos dos outros e sabe que é importante proteger os mais vulneráveis seres humanos, os mais velhos e os incapazes. Mas, na prática... 

Na prática, o comportamento é um pouco diferente. Devido ao costume social, muitos estão preocupados em crescer na vida, em adquirir conhecimento, em ganhar dinheiro, em vencer uma concorrência de emprego, em ser o primeiro no ranking de notas da escola, em ser o mais aplaudido nos festivais de música, etc.

Hoje em dia, essa vida ‘meio’ incoerente parece ser normal, afinal, é natural que as pessoas lutem pela sobrevivência.

Mas há alguns questionamentos. Qual é o limite dessa vida ‘meio’ incoerente? Até onde é válido lutar pela sobrevivência, mesmo que seja preciso invadir o espaço alheio? Até que ponto é válido ser competitivo e se alegrar por ser o ‘escolhido’, enquanto os demais se entristecem por serem 'preteridos'? Na verdade, o que é preciso para sobreviver mesmo? Será que é preciso de tudo isso?

Há pessoas que defendem que não deve haver limite. Existe uma ideia de que se você quer você pode, você deve correr atrás, você consegue, não importa o quanto isso lhe custe. É a lei do sistema, a lei do mais forte, a lei do mais capaz, para não dizer que é a Lei de Gérson. 

Na cultura brasileira, a Lei de Gérson é um princípio em que determinada pessoa age de forma a obter vantagem em tudo que faz, no sentido negativo de se aproveitar de todas as situações em benefício próprio, sem se importar com questões éticas ou morais.

Acontece que fomos chamados para estar em conformidade com a verdade de Deus, e não o contrário. Não foi Deus quem criou essa ‘necessidade de sobrevivência’ que rola por aí. Quem criou isso foi o próprio homem e, por causa disso, se envolveu em um novelo embaraçado chamado ‘consumismo’, onde para se conseguir realizar um sonho de consumo, vale qualquer coisa.  

Por mais tentadoras que possam ser essas convicções materialistas, será que devemos entrar nesse jogo ou continuar nele? Esta é a questão! Nós não podemos optar por abraçar a fé cristã somente até onde ela é confortável para nós. Temos que ser coerente. Temos que abraçá-la com fé e esperança. Jesus disse: “Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, significa que não amam a Deus, o Pai.” (1 João 2:15) É por isso que Deus tem que ficar cada vez mais importante, e nós, menos importante

E então? Pensando racionalmente, é uma luta viver de modo coerente com a verdade de Deus. É ou não é? Felizmente, pela Sua graça somos capacitados a viver conforme a Bíblia. É possível ser um vencedor sem ser incoerente com a ética, com a moral e com a santidade. Se você quer viver de forma coerente, você pode. Basta você pedir ao Espírito Santo que oriente sua maneira de viver.