sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Paz e felicidade

Eu digo isso para que, por estarem unidos comigo, vocês tenham paz. No mundo vocês vão sofrer; mas tenham coragem. Eu venci o mundo. (João 16:33)

Às vezes, testemunho o rosto de espanto e de mágoa de alguns jovens ao descobrirem que a vida não é como os pais lhes tinham prometido. Eles sofrem terrivelmente quando percebem que possuem muitas habilidades e ferramentas de última tecnologia, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e com as decepções. Não aceitam, p. ex., que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

Muitos jovens não conseguem perceber que a vida é meio complicada mesmo. Quando são confrontados com a realidade, não notam que a condição humana é frágil e falha. Não notam que na correria de hoje as pessoas não separam espaço e nem tempo para conversar sobre tristezas e frustrações. E que por causa disso, muitos sofrem.

No mundo de hoje, a felicidade é um imperativo e faz parte da 'herança' que os pais teriam de garantir aos filhos. Se isso for realmente verdade, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja real, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da incapacidade dos pais em garantir a felicidade dos filhos.

Se os filhos têm o direito de serem felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão fora desse relacionamento? Se a relação pais e filhos está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir serem felizes – e, como no fundo da alma não são, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar. Aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É em volta dos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira sem se conhecerem de verdade.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo é fácil significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência.

Na verdade, os pais esquecem que precisamos mesmo é ensinar aos nossos filhos que o objetivo principal da vida é fazer algo que glorifique a Deus que os criou e os colocou nesse mundo, já que ninguém individualmente pediu para nascer. Os filhos são dádivas de Deus. E se foi Deus quem nos agraciou com essas criaturas maravilhosas, então nós temos o dever de mostrar a elas que o Criador quer ser louvado por isso. Compreender esse mistério significa entender a origem da felicidade, a origem da alegria.

Agora, se entrarmos na paranóia humanista da felicidade decorrente de posses materiais, nós viveremos o resto da vida aflitos. Mas não foi por coisas materiais que Jesus Cristo disse que teríamos aflições, pelo contrário, no mundo tereis aflições por fazer a vontade do Pai. Entretanto, Ele disse: "tende bom ânimo, pois eu venci o mundo". Cristo venceu os desejos da carne. Ele venceu o mundo vivendo uma vida exatamente da maneira como ela deve ser vivida: fazendo-se a vontade do Criador da vida.

Jovem, você pode escolher agora viver a vida que o Criador escolheu para você, com felicidade plena, vivendo satisfeito, mas não acomodado com o que tem (Filipenses 4:11). Sem o auxílio de Deus, de nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de ralar cada vez mais para conquistar seu espaço nesse mundo passageiro, sem nenhuma garantia de paz e felicidade permanente.