terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ouvido interno

Alguns dizem assim: “Podemos fazer tudo o que queremos.” Sim, mas nem tudo é bom. “Podemos fazer tudo o que queremos”, mas nem tudo é útil. (1 Coríntios 10:23)

Hoje eu quero compartilhar um pouco do que aprendi na aula de filosofia com o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella, sobre moral, ética e praticidade.

Ética é um conjunto de valores e princípios que usamos para decidir as três grandes questões da vida, que são: Queremos; devemos; podemos. Quais são esses princípios? Existem coisas que queremos, mas não devemos; existem coisas que devemos, mas não podemos e existem coisas que podemos, mas não queremos. Temos paz de espírito quando aquilo que queremos é o que devemos e é o que podemos.

Existe uma definição para esses valores e princípios. Nós é que os definimos mediante o modular e o exemplar. Esses valores e princípios são definidos em sociedade, sendo religiosa ou não. Às vezes, são definidos mediante normatizações, como por exemplo: Há vinte anos, em um auditório, algumas pessoas fumariam, outras não. Há dez anos, haveria uma placa escrita: “É proibido fumar”. Hoje, isso não é necessário, porque as pessoas introjetaram esse comportamento social.

Isso significa que a ética vai se construindo com tempo. Agora, cautela! Não existe ninguém sem ética. O governante que frauda, o fiscal que é corrompido, o professor que engana têm uma ética contrária à ética construída pela sociedade na qual vivem. Eles são antiéticos, mas não sem ética.

Amoral é uma pessoa que não pode decidir, escolher e julgar, como por exemplo: Uma criança até determinada idade; um idoso que tem o Mal de Alzheimer ou algum outro tipo de patologia cerebral; uma pessoa que é considera demente socialmente. A lei os chama de incapazes.

Moral é a prática de uma ética. Por exemplo: Se temos um princípio ético de não pegar o que não nos pertence, o comportamento moral condizente seria não roubarmos. O princípio ético se traduz em uma moral. Uma pessoa moral é capaz de decidir, escolher e julgar.

Existem pessoas imorais. O imoral é relativo, depende da moral que está sendo praticada naquele ambiente. A moral tem como referência os princípios éticos praticados na sociedade e na época. Portanto, a ética não é relativa, a moral sim. A ética tem uma tentativa de ser universal, como por exemplo a Carta dos Direitos Humanos. Como isso se traduz na prática, é outra percepção.

Com relação à praticidade, tenho a dizer que o prático nem sempre é o certo. O prático às vezes é só prático. Por exemplo: é mais prático ser desonesto do que ter que trabalhar. É mais prático colar do que ter que estudar.

Enfim, nós podemos fazer qualquer coisa, porque somos livres, mas não devemos fazer qualquer coisa. É isso que Paulo quis dizer quando escreveu aos coríntios. Jesus Cristo disse: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). Perder a alma (psychë) é perder a integridade, a hombridade, a capacidade de ser honesto, de ser transparente, de ser digno. É perder a identidade, a própria vida, que não se pode reaver. Essas qualidades, bens materiais nenhum pagam.

Que a cada dia possamos rever os nossos comportamentos e atitudes morais para que eles possam expressar fielmente a ética divina internalizada em nossa consciência pela leitura da Bíblia Sagrada. O nosso ouvido interno precisa estar afiado e atento à voz de Deus, não à voz do pecado.