quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O lado bom da morte

Pois para mim viver é Cristo, e morrer é lucro. Mas, se eu continuar vivendo, poderei ainda fazer algum trabalho útil. Então não sei o que devo escolher. Estou cercado pelos dois lados, pois quero muito deixar esta vida e estar com Cristo, o que é bem melhor. (Filipenses 1:20-23) 
Após uma memorável batalha contra o câncer, lamentavelmente, hoje, 5/1, faleceu a nossa amável irmã Elaine de Jesus Vieira de Oliveira. A sempre alegre e sorridente Elaine, companheira sansacional de viagens e de brincadeiras de fim de semana, certamente deixará vazio o seu lugar em nossas vidas. Em sua memória, reinscrevo a última mensagem recebida dessa querida amiga. Mensagem que, mesmo escrita sob as dores de uma doença terminal, nos transmite uma confiança inabalável em um Deus todo poderoso, que está no controle de todas as coisas:

"Boa tarde queridos amigos!
Cá estou 'de volta', para lhes dar notícias né - rs.
Então! As últimas novidades eram que eu entraria com um novo tratamento, menos 'pesado' que seria a quimio oral, mas não foi dessa vez.
Em 17 de maio retornei a fazer quimioterapia 'da braba' e os efeitos colaterais foram muito fortes... mas ontem fiz a segunda sessão e graças a Deus os efeitos estão 'controláveis' - rs.
Tenho mais duas ou quatro sessões dessa quimio, daí faremos avaliação e se Deus quiser e for melhor passaremos para a oral. Seja feita a Sua vontade.
Quero pedir desculpas para aqueles que me ligam e eu não atendo. Nesse período de quimio é bem complicado ficar falando como estou me sentindo no momento,
é um sentimento muito inovador para mim, uma mistura de tudo...
No momento estou bem... o período "tenebroso" passou, agora estou em um momento um tanto ameno.
agradeço as orações, carinho e atenção de todos.
Bj grande"
Elaine

Para os que crêem em Cristo e, portanto, são justificados, a morte possui um caráter de bênção. Para o descrente, a morte é uma maldição, uma penalidade, um inimigo. Pois embora não traga a extinção, a pessoa é afastada de Deus e de toda oportunidade de obter a vida eterna. O crente ainda passa pela morte física, mas sua maldição desaparece. Porque Cristo mesmo tornou-se maldição por nós, morrendo na cruz, os crentes, embora ainda sujeitos à morte física, não provaram seu poder amedrontrador, sua maldição. 

Embora seja um evento de imensurável tristeza para os que ficam, a morte é desejável para os crentes, pois os levará à presença do Senhor. Encarando a morte como, de fato, um inimigo, os não-cristãos nada vêem de positivo nela e estremece de medo diante dela. Paulo, porém, era capaz de assumir uma atitude totalmente diferente. Ele via a morte como um inimigo vencido, um antigo adversário que agora é obrigado a cumprir a vontade do Senhor. Assim, Paulo considerava a morte desejável, pois o levaria à presença do Senhor. 

Aqui surge uma pergunta: por que se exige que o crente ainda passe pela morte? Se a morte, tanto física como espiritual e eterna, é a penalidade do pecado, por que não somos poupados do símbolo dessa condenação, a saber, da morte, quando somos libertados do pecado e de sua consequência maior (a morte eterna)? Se Enoque e Elias foram levados para junto de Deus, sem necessidade de passar pela morte, por que tal transladação não é a experiência de todos os que depositam a fé em Cristo? 

É necessário distinguir aqui entre as consequências temporais e as consquências eternas do pecado. Notamos que as consequências eternas de nossos pecados individuais são anulados quando somos perdoados, mas as consequências temporais, ou pelo menos algumas delas, podem persistir. Isso não nega a realidade da justificação, mas apenas prova de que Deus não reverte o curso da história. 

O que se disse sobre a maneira de Deus agir com nossos pecados individuais também vale para o pecado de Adão e para o pecado da raça humana.Todo julgamento e nossa culpa pelo pecado original e individual foram removidos, de modo que a morte espiritual e a morte eterna estão canceladas. Apesar disso, precisamos passar pela morte física, simplesmente porque ela passou a ser uma das condições da existência humana. Agora, a morte faz parte da vida, tanto quanto o nascimento, o crescimento e o sofrimento que, em última análise, também tem sua origem no pecado. Um dia, todas as consequências do pecado serão removidas, mas tal dia ainda não chegou. A Bíblia, em seu realismo, não nega que a morte física é de fato universal, mas insiste em que ela possui significado diferentes para o crente e o descrente. 

Embora a morte seja um inimigo (Deus não pretendia, de início, que os homens morressem), agora ela já foi vencida, tendo sido aprisionada por Deus. Portanto, não é preciso temê-la, pois sua maldição foi removida pela morte e ressurreição de Cristo. Podemos enfrentá-la em paz, pois sabemos que agora obedece aos propósitos do Senhor, o propósito de tomar para si os que nele depositam a fé.

Nos encontraremos diante do Senhor. Até breve, amada Elaine!