sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O discípulo

Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira; mas quem esquece a si mesmo por minha causa e por causa do evangelho terá a vida verdadeira (Marcos 8:35). 

Em nossa igreja local, todos os anos renovamos os votos de contribuição para sustento dos missionários. O que vem a ser um missionário? Aqui, missionário é o verdadeiro discípulo de Jesus Cristo.

Nascido em Verdú, pequena cidade espanhola da Catalunha, em 1580, Pedro Claver sentiu-se chamado para a vida religiosa desde tenra infância. Após fazer a famosa pergunta “O que devo fazer para amar verdadeiramente a Nosso Senhor Jesus Cristo?”, Pedro, aos 22 anos de idade, bateu às portas do noviciado da Companhia de Jesus para se oferecer como missionário. Em 1610, Pedro deixou sua terra natal para uma missão no país que hoje chamamos de Colômbia. 

Naquele tempo, Colômbia era o centro do comércio de escravos no Novo Mundo. A missão de Pedro era pregar o Evangelho aos escravos africanos. Quando um navio carregado de escravos chegava ao porto, Claver acorria imediatamente numa pequena embarcação, levando consigo uma grande provisão de biscoitos, frutas e doces. 

Aqueles seres embrutecidos por uma vida selvagem e exaustos pela viagem realizada em condições desumanas, olhavam-no com temor e desconfiança. Mas ele os saudava com alegria e por meio de seus auxiliares e intérpretes negros — tinha mais de dez — dizia-lhes: “Não temais! Estou aqui para vos ajudar, para aliviar vossas dores e doenças.” E muitas outras frases consoladoras. Porém, mais que as palavras, falavam suas ações: antes de mais nada, medicava as crianças moribundas; depois recebia em seus braços os enfermos, distribuía a todos bebidas e alimentos e fazia-se servo daqueles desventurados. 

Mas o ministério de Pedro não terminava com a satisfação das necessidades físicas. Ele falava aos escravos sobre o amor de Cristo, garantindo àquelas pessoas que cada uma delas tinha um grande valor diante de Deus. Depois de compartilhar o Evangelho, ele batizava os nossos irmãos antes de serem entregues aos fazendeiros. Por causa dessa obra, Pedro Claver ficou conhecido como o apóstolo dos escravos. Ele mesmo chamava a si próprio de “escravo dos escravos”. 

Claver verdadeiramente refletia a glória de Cristo em seu rosto, quando demonstrava em obras o seu amor para com os oprimidos. Claver tinha limitações pessoais, era tímido e de origem pobre. Mas com ousadia e sustentado pela graça de Deus, Pedro suportou o ódio dos traficantes de escravos e a rejeição social dos cidadãos de Cartagena. Provavelmente, alguns cristãos pensaram que ele estava perdendo o seu tempo, mas Claver continuou firme na sua missão. Em 33 anos de ministério, ele batizou aproximadamente 300.000 homens e mulheres africanos e finalmente se tornou um homem de muito respeito no meio cristão. 

Essa foi a resposta que Claver deu a si mesmo. Para amar verdadeiramente a Cristo é preciso abrir mão do conforto e sair a campo, aos lugares onde as almas estão sedentas e carentes de um toque de amor e de uma palavra de esperança e salvação. A Claver não importava as condições subumanas nas quais se encontravam as pessoas e muito menos o valor que outros davam a elas. 

Claver não era mais santo do que eu e você, ele simplesmente seguiu a direção de Deus em sua vida. Seu amor por Deus e por aqueles escravos era superior a tudo que esse mundo pode oferecer. Sem dúvida, ele terá o galardão celestial que merece. 

O que temos feito na comunidade para que as pessoas possam enxergar em nós a glória de Deus? Podemos ser um missionário aqui mesmo, onde estamos, basta que sigamos a direção de Deus para a nossa vida. Experimente ser um verdadeiro discípulo de Cristo! Vale a pena!