sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Muro de Isolamento

Não fiquem irritados uns com os outros e perdoem uns aos outros, caso alguém tenha alguma queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem uns aos outros. E, acima de tudo, tenham amor, pois o amor une perfeitamente todas as coisas. (Colossenses 3:13-14) 

Eu frequento a igreja desde criança. Participo ativamente dos trabalhos eclesiásticos, ora contribuindo numa área, ora em outra, e sempre interagi com várias personalidades de irmãos na fé. Já ofendi pessoas e também já fui ofendido por outras, mas nem por isso deixei de congregar. 

O ambiente da igreja também é o local onde o cristão deve provar que é cristão. Às vezes, os que professam a fé em Cristo são capazes de ferir uns aos outros por motivos banais, mas nada disso invalida a gratificante comunhão. 

É bom lembrar que ainda não estamos no céu e que por isso os relacionamentos fraternais sofrem interferências constantes das fraquezas da carne. Uma palavra dita na hora errada, mesmo sendo correta, pode ferir o sentimento do ouvinte. Uma crítica construtiva pode ser mal interpretada. Até um elogio pode ser recebido como sarcástico. Enfim, as interações entre pessoas costumam gerar atritos. Isso acontece em todos os lugares. 

É como comparar várias pedras rolando e se chocando em um monte de cascalho. O interessante é perceber que quanto mais se chocam, mais redondinhas ficam. Isso é um sinal de que os choques são necessários e contribuem para aparar as arestas. Em se aparando as arestas, as pedras ficam mais polidas e bonitas. Então, os choques não são tão ruins assim. Quando a maneira de ser de alguém choca-se com o tipo de outrem, certamente nesse momento alguma aresta está sendo aparada e a personalidade aperfeiçoada. 

Se a vida é dessa forma, então o que devemos fazer quando percebemos o fracasso em nossos relacionamentos, especialmente quando somos surpreendidos por ofensas de pessoas que jamais imaginaríamos fossem nos ofender? 

Muito tem sido dito sobre a necessidade de perdoar. As Escrituras deixam claro que devemos imitar a Cristo e mostrar misericórdia para com aqueles que nos ofenderam. Os livros de psicologia destacam experiências de pessoas que encontraram a liberdade mental quando liberaram o perdão. Mas, mesmo assim, muitos ainda insistem em não perdoar. E às vezes, não são nem as grandes, mas as pequenas ofensas que mais desgastam as almas. 

Quando não perdoamos, construimos um muro de isolamento em torno do nosso coração, um muro que não fica somente entre nós e a pessoa que nos ofendeu, mas entre nós e Cristo. É por causa desse muro que muitas pessoas deixam de congregar, culpam a igreja e, por tabela, a Cristo pelas ofensas recebidas. Por causa desse muro, deixamos de usufruir as bênçãos do paraíso.

Talvez nós estejamos muito irritados com alguém que nos falou algo ofensivo. Não temos aqui nenhuma novidade para ensinar, mas apenas reforçar que a única solução é liberar o perdão, independentemente de a pessoa pedir ou não o perdão. Se for o caso, também devemos pedir perdão. Certamente, se agirmos assim, abriremos as portas para a liberdade e para o amor que une perfeitamente todas as coisas.
Seja uma pedra bem polida para ser usada na construção de uma igreja em constante aperfeiçoamento, não de um muro de isolamento.