segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Coração Ardente

Sentou-se à mesa com eles, pegou o pão e deu graças a Deus. Depois partiu o pão e deu a eles. Aí os olhos deles foram abertos, e eles reconheceram Jesus. Mas Ele desapareceu. Então eles disseram um para o outro: — Não parecia que o nosso coração ardia dentro do peito quando Ele nos falava na estrada e nos explicava as Escrituras Sagradas? Eles se levantaram logo e voltaram para Jerusalém, onde encontraram os onze apóstolos reunidos com outros seguidores de Jesus. (Lucas 24: 30-33)

Há um ano eu escrevia uma devocional sobre a esperança que devemos ter em Cristo, mesmo quando tudo parece dar errado. Mal sabia eu que teria que colocar aquelas palavras em prática alguns dias mais adiante, quando o meu irmão faleceu vítima de latrocínio.

Na ocasião, algumas pessoas me fizeram umas perguntas: Se temos orado a Deus todos os dias para nos livrar do mal e guardar nossos entes queridos, como pode isso acontecer? Como podemos afirmar que Deus estava presente quando essa tragédia aconteceu? Por que Ele não fez nada? Por que Ele permitiu que isso acontecesse? Como confiar em Deus dessa maneira?

Emudecido, eu pensei comigo: Onde está nossa esperança quando as coisas não vão bem aos nossos olhos?

A história do caminho de Emaús registrada em Lucas 24:13-35 é muito interessante. Dois discípulos de Jesus – que a Bíblia não cita os nomes – estavam comentando os acontecimentos da crucificação enquanto caminhavam rumo à aldeia de Emaús. Eles estavam em luto profundo por tudo o que havia ocorrido nos dias anteriores – a crucificação de Cristo. A esperança deles estava completamente despedaçada.

No meio da viagem, um terceiro viajante se juntou a eles. Era o Cristo ressuscitado. Mas a imensa dor cobria de tal forma a visão que eles não puderam reconhecer o Mestre. E continuaram a caminhar juntos até ao final do dia, quando então os três se sentaram para comer. Naquele momento, os dois tiveram seus olhos abertos para reconhecer Jesus mediante o Seu modo singular de partir o pão.

Essa passagem da Bíblia é profunda. Há aqui implicações teológicas, mas a verdade que me vem à mente aparece em forma de outras perguntas: Quantas vezes somos como esses viajantes? Quantas vezes o Cristo ressuscitado aparece diante de nós, e nós simplesmente O ignoramos? Quantas vezes somos incapazes de enxergá-Lo?

Há um ano eu me vi como aqueles viajantes, andando na estrada de uma vida complicada, com Cristo sempre ao meu redor, às vezes sentindo meu coração queimar enquanto Ele falava comigo em espírito. Eu estava incapaz de perceber a Sua presença e, por causa disso, completamente impossibilitado de obter as respostas que dão sentido à vida.

A verdade é que, assim como Cristo esteve com aqueles viajantes séculos atrás, Ele está hoje conosco. Ele mesmo disse: ‘eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos’ (Mateus 28:20). Cristo sente muita compaixão por nós, especialmente quando enfrentamos situações tristes e perplexas.

No meio de tanta corrupção e violência, Jesus encontra maneiras de nos mostrar a Verdade, de nos dar esperança, de iluminar nossa mente e ainda criar um ‘calor’ em nosso coração. Todas as respostas àquelas perguntas eu já as obtive ao escrever algumas devocionais aqui publicadas.

O que precisamos urgentemente é afinar a nossa sensibilidade espiritual. Se a perdemos, temos nossa visão prejudicada e a consequência disso é deixarmos de perceber Cristo fielmente ao nosso redor. Entretanto, quando somos sensíveis ao Seu toque singular, nossos olhos são abertos para enxergar a Sua real presença.

Felizmente, o tempo é nosso amigo e, à medida que vai passando... Já se vai a completar um ano do triste drama da minha família. E a saudade dele... 'Se você perder um ente querido, é normal sentir-se para baixo em cada feriado pelo menos durante um ano' (Rick Warren).

Só agora, aos pouquinhos, é que a nossa visão vem sendo desembaçada para perceber que Cristo nunca nos deixou e nem deixará de lado. Paulatinamente, vamos compreendendo que a morte do homem é o caminho para deixá-lo face a face com o Cristo ressuscitado.

A dor é claramente aliviada pela esperança descrita no trecho de Apocalipse 21:4: Deus enxugará dos olhos todas as lágrimas. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor... A morte e a ressurreição de Cristo – fato comprovado pela história – é por fé a nossa eterna fonte de esperança, mesmo que tudo falhe.


Há uma luz de esperança no fim do túnel da dor, da corrupção e da violência. Jesus Cristo é a esperança! Chegue agora para alguém que não conhece essa palavra e diga para ele com convicção. O coração poderá arder!