segunda-feira, 16 de maio de 2011

Existe Karma Cristianizado?

Tenham no coração de vocês respeito por Cristo e o tratem como Senhor. Estejam sempre prontos para responder a qualquer pessoa que pedir que expliquem a esperança que vocês têm. (1 Pedro 3:15)

As pessoas são muito boas para ajudar aos que sofrem com tragédias. Quando há grandes enchentes ou terremotos, nós percebemos que logo surgem várias campanhas de arrecadação de alimentos, remédios e vestuários para serem enviados às pessoas necessitadas, aliviando-lhes a carga nos momentos de angústia. Isso é uma forte evidência da graça de Deus.

Agora, imagine o contrário. Imagine que em vez de oferecer palavras de conforto e ajuda após uma tragédia, a comunidade se afaste. Imagine as pessoas evitando o contato com os necessitados com medo de pegar uma doença contagiosa. Agora, imagine ainda que as pessoas, além de se afastarem, simplesmente jogassem na cara dos desabrigados que eles estão passando por isso por culpa deles, porque alguma coisa eles fizeram de errado para merecerem a tragédia.

Isso é karma. No hinduísmo e no budismo, karma é a lei que afirma a sujeição humana à causalidade moral, de tal forma que toda ação (boa ou má) gera uma reação que retorna com a mesma qualidade e intensidade a quem a realizou, nesta ou em encarnação futura. A transformação pode dar-se em direção ao aperfeiçoamento (mocsa, o fim do ciclo das reencarnações) ou de forma regressiva (o renascimento como animal, vegetal ou mineral).

Certa vez, um casal de missionários foi enviado para Londres, onde eles planejavam estabelecer um trabalho com a comunidade de imigrantes hindus. Em uma conversa, eles manifestaram o desejo de trabalhar para ver aqueles hindus libertos das amarras do karma. Enquanto dialogava com eles, veio na minha cabeça o texto de Gálatas 6:7 onde diz: ‘Não se enganem: ninguém zomba de Deus. O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá’. Isso despertou meu interesse sobre o assunto. Será que existe uma espécie de ‘karma cristianizado’? Tirando a questão da reencarnação, que já descarto de cara, pois não acredito de jeito nenhum, vamos refletir um pouco.

Todos sabem que infidelidade e egoísmo têm as suas recompensas nesta vida. Por outro lado, as boas obras são frequentemente recompensadas com um sorriso e uma expressão de gratidão. Isso é fácil perceber. Agora, essa questão de karma, o que é isso mesmo?

Os missionários me explicaram o lado feio do karma: Em algumas comunidades hinduístas a comunidade se afasta dos membros que estão sofrendo. Perder um emprego? É um efeito kármico – você deve ter enganado o seu patrão ou pelo menos falou mal dele. Perder um filho? De alguma forma, a culpa é sua também, pois o Universo busca equilibrar algum mal que você fez. Se as coisas horríveis são de alguma forma culpa do sofredor, então, pelo hinduísmo, faz sentido as pessoas se afastarem do sofredor, para que não sejam contaminadas por aquele mal. Segundo os missionários, esse é o vínculo do karma.

Para os cristãos, Cristo quebrou esse vínculo. Os cristãos confiam na promessa Divina, ‘pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano’. (Romanos 8:28). ‘Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz’. (Hebreus 12:11).

Como Jó, podemos jamais saber a razão do nosso sofrimento terreno. Entretanto, sabemos que por causa da graça de Deus, o sofrimento não é uma ação e reação desencadeadas pelos nossos pecados. Jesus Cristo ‘foi rejeitado e desprezado por todos; ele suportou dores e sofrimentos sem fim... No entanto, era o nosso sofrimento que ele estava carregando, era a nossa dor que ele estava suportando. E nós pensávamos que era por causa das suas próprias culpas que Deus o estava castigando, que Deus o estava maltratando e ferindo. Porém ele estava sofrendo por causa dos nossos pecados, estava sendo castigado por causa das nossas maldades. Nós somos curados pelo castigo que ele sofreu, somos sarados pelos ferimentos que ele recebeu... o Senhor castigou o seu servo; fez com que ele sofresse o castigo que nós merecíamos’ (Isaías 53:3-6).

Ao contrário do sistema hindu de karma e os seus efeitos perversos, sabemos que a nossa dor pode está sendo usada por um Deus amoroso para nos corrigir e aumentar a nossa fé. Por causa disso, temos uma verdadeira esperança no amanhã, pois o nosso futuro não depende de nós e nem o que passamos no presente depende do que fizemos no passado! Não importa o que estejamos vivendo, podemos descansar na certeza de que, mesmo quando não estamos bem, Deus está conosco. Isso é graça, isso é misericórdia, isso é que dá esperança.

Portanto, não existe karma cristianizado, nem quebra de maldições. Cristo já levou sobre Si todas as nossas maldições. Agora, o que precisamos é crer no Seu sacrifício e apregoar a mensagem da cruz.

Você está pronto para dar uma resposta de esperança a quem está passando por um momento difícil?