quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Comunicação Com Os Mortos - Parte II

Se preferir, leia antes a parte I, para se situar melhor.

Tendo o texto de I Samuel 28 em estudo, vamos explicar porque não foi o falecido Samuel que falou com Saul. O que houve na verdade foi uma comunicação com um espírito enganador.

Segundo a Bíblia, Satanás - e todos os seus anjos - pode se transformar em qualquer pessoa, inclusive num anjo de luz: (II Coríntios 11:14). Na história relatada em I Samuel 28, Satanás é conhecedor da vida pregressa, não só de Saul, como de todos nós, pois ‘... anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar’ (I Pedro 5:8). Em vista disso, é evidente que também sabia o que ia acontecer nos dias seguintes, pois ele ouviu a profecia que Samuel havia entregue a Saul há algum tempo. (I Samuel 15). Espertamente, o espírito enganador apenas repetiu a profecia.

É preciso refletir com muito cuidado sobre os eventos relatados em I Samuel 28 à luz das explicações, dos mandamentos e das proibições constantes da Bíblia. Se acreditarmos que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, então certamente o seu único Autor não poderia ser incoerente nas suas colocações. Se referindo à morte, Deus disse através do grande sábio Salomão que o pó (corpo) volta à terra, como o era, e o espírito  volta a Deus, que o deu. (Eclesiastes 12:7). Ora, se o espírito volta a Deus, seria incoerente Deus permitir que o espírito voltasse à terra para se comunicar com os vivos e tornasse possível uma prática que Ele mesmo condena.

Quando o servo de Deus morre, seu espírito passa a desfrutar imediatamente da presença de Deus. (Lucas 23:46) e de lá só sairá para o Juizo Final (Hebreus 9:27). Em outra passagem, Deus não permite que o mendigo Lázaro, que estava tranquilo no seio de Abraão, seja mandado de volta à terra para avisar aos irmãos do homem rico sobre o tormento em que se encontrava, apesar de muita insistência deste. (Lucas 16:31). Pode se acrescentar aqui a observação de que a Bíblia não dá margem para a existência do Purgatório e nem da Reencarnação.

Atente para o fato de que a mesma Palavra que relata este evento condena claramente o que Saul fez: ‘Assim morreu Saul por causa da sua transgressão cometida contra o Senhor, por causa da palavra do Senhor, a que ele não guardara; e também porque interrogara e consultara uma necromante’. (I Crônicas 10:13).

Deus proibiu de forma categórica e clara a prática de tentativa de comunicação com os mortos. Se uma pessoa hoje em dia quer ignorar tal condenação e proibição, aquela pessoa tem esta liberdade de tentar comunicar com os mortos, mas não conseguirá ou será enganada por um espírito enganador. E por fim, um dia ela terá que responder a Deus pelas suas ações. A evidência da Bíblia indica que ela receberá a mesma resposta que Deus deu a Saul.

A morte de Saul, à qual I Crônicas 10:13 se refere, foi a morte física. Morrer a morte física já é bastante triste. Mas, há uma morte pior. A pessoa que desobedece a proibição do Senhor, buscando a tentativa de comunicação com os mortos apesar das condenações na Palavra de Deus, tem outra morte à sua espera, a segunda morte. ‘Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.’ (Apocalipse 21:8)

Esta segunda morte espera todos que desobedeçam a Deus, inclusive os feiticeiros. Dificilmente a maioria das pessoas que praticam a tentativa de comunicação com os mortos iriam se considerar como feiticeiros. Esse termo hoje traz a ideia de magia negra, encantamentos e maldições. Mas, precisamos entender os termos bíblicos no seu sentido original, e não no sentido que as traduções modernas às vezes reproduzem.

A palavra traduzida ‘feiticeiros’ no grego original foi a palavra ‘pharmakos’. No período em que o livro de Apocalipse foi escrito, o termo original, pharmakos, se aplicava a todo tipo de magia e feitiçaria, inclusive a comunicação com os espíritos. Segundo O Dicionário Internacional de Teologia do NT, no artigo sobre magia e feitiçaria ‘atestam-se numerosas formas de magia no mundo greco-romano. … A evocação dos espíritos dos mortos já ocorre em Homero, Od. 11, e os necromantes eram reconhecidos como uma classe de mágicos.’ (C. Brown, artigo ‘Magia, Feitiçaria, Magos’ em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, São Paulo: Edições Vida Nova, 1978, tradução Gordon Chown, Vol. III, p. 109.)

Referente ao termo pharmakos, o dicionário explica que, no trabalho destas pessoas ‘tem havido uma tradição mágica de ervas colhidas e preparadas para encantos e também para encorajarem a presença de espíritos em cerimônias de magia.’ (J. Stafford Wright, artigo ‘Magia, Feitiçaria, Magos’ em Brown, Colin, O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Vol. III, p. 114) A palavra pharmakos, embora traduzida ‘feiticeiros’ nas traduções em português, se referia no grego original também àqueles que invocavam os espíritos dos mortos. Como o livro de Apocalipse alerta, estas pessoas enfrentarão a segunda morte, que é a condenação eterna da alma.

Finalmente, as condenações e proibições da Palavra quanto à tentativa de comunicação com os mortos são suficientemente claras a não deixam dúvidas. Os mortos não nos ouvem e nem podem nos falar nada. Os mortos apenas ouvirão a voz de Deus - assim como Lázaro ouviu a voz de Jesus - quando Ele os chamar para o grande julgamento que haverá no dia do Juízo Final.

Que todos possam dar ouvidos às alertas da Palavra de Deus e seguir a orientação do único espírito que devemos atender – O Espírito Santo de Deus. ‘Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.’ (I João 4:6). Que Deus possa nos ouvir.