segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Comunicação Com Os Mortos - Parte I

Em I Samuel 28:7-20 vemos Saul numa situação deveras lastimável. O inimigo avança, e Saul está medroso. Sente a necessidade de conselho, de conforto, de direção. Mas Samuel, que durante tantos anos tinha sido seu mentor e conselheiro, está morto, e Deus não lhe responde. Nessa extremidade o rei, impaciente, recorre a um meio desesperado e proibido: o espiritismo. 

Mas, porventura, não haveria outro alvitre? Não poderia ter atendido aos conselhos piedosos dos sacerdotes? Não devia ter consultado o parecer dos generais? E o próprio Deus, em face do sincero arrependimento, e da confissão das iniquidades passadas, não teria, afinal, atendido à sua oração? 

Porém a hora da provocação descobre, fatalmente, a tendência de toda a vida. O homem que constantemente domina seu gênio, que reprova em si os começos da ira e amargura, quando chega a maior provocação pode responder com mansidão e prudência. O homem que ‘espera no Senhor’ sempre, mesmo quando não recebe uma resposta clara às suas orações, humildemente espera ainda. As pequenas vitórias espirituais de todos os dias são necessárias como uma preparação para o dia da maior provação. Porque Davi, que já matara um leão e um urso encontrados no decorrer do seu trabalho diário, podia, confiado em Deus, enfrentar o gigante. 

Mas eu quero tratar hoje um assunto polêmico. É possível comunicação com os mortos? Alguns acreditam que Saul de fato comunicou-se com Samuel. Outros acreditam que não. Dos que acreditam que Saul não se comunicou com Samuel, há quem acredite que Saul foi enganado pela necromante. Outros afirmam que foi um espírito enganador, talvez até um demônio que se comunicou com Saul. 

Em primeiro lugar, quero dizer que a Bíblia condena claramente a tentativa de comunicação com os mortos. Aconselhamos a leitura dos livros de Levítico (19:31; 20:6,27; e Deuteronônio 18:9-12,14), pois, em que pesem os argumentos apresentados por Justino Mártir, Orígenes, S. Agostinho e outros a favor de que houve comunicação entre o falecido Samuel e Saul, não se pode, pelo contexto bíblico, aceitar que tenha sido o espírito de Samuel que ‘subiu’ (v.12) para falar com Saul. 

Isaías 8:19 - ‘Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?’ 

Nessas passagens citadas, a tentativa de comunicação com os mortos ocorre e a pessoa especialista nisso são os necromantes – na Bíblia também chamados de feiticeiros. Por questão de lógica, se não fosse possível essa tentativa de comunicação, Deus não haveria de proibi-la, pois não iria Deus proibir algo que é impossível de se realizar. 

Mesmo sendo tentativa, ela é proibida porque quando ela ocorre, o espírito enganador entra em cena, fazendo crer ser real, desviando a atenção do crente que deve estar voltada apenas para o Espírito Santo de Deus. Foi isso que aconteceu com Saul – uma tentativa de comunicação com Samuel, que deu legalidade a uma representação espiritual enganadora: ‘Respondeu Saul à necromante: Não temas; que vês? Então, a mulher respondeu a Saul: Vejo um deus que sobe da terra. Perguntou ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou’. (v.13-14). Percebe-se que a necromante viu um ‘deus’ e Saul ‘entendeu’ que era Samuel. 

Como se pode ver, houve um disfarce de um espírito enganador, um deus pertencente aos principados e potestades, aos dominadores deste mundo tenebroso, às forças espirituais do mal, que vivem nas regiões celestes, os mesmos contra os quais lutamos dia e noite. (Efésios 6:12) 

Não deixe de ler a próxima devocional. Na parte II vamos explicar porque temos certeza de que foi um espírito enganador que se travestiu de Samuel.