sexta-feira, 20 de maio de 2011

Assentar Tijolos

Mas entre vocês não pode ser assim. Pelo contrário, quem quiser ser importante, que sirva os outros, e quem quiser ser o primeiro, que seja o escravo de todos. Porque até o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida para salvar muita gente. (Marcos 10: 43-45)

Uma vez eu estava conversando com um candango. Candango foi uma palavra muito popular na década de 60 utilizada para apelidar àquela pessoa que se deslocou de outro estado do país para construir Brasília. São os pioneiros da capital. Com os olhos cheios de lágrimas, ele me falava sobre a Esplanada dos Ministérios, um dos pontos turísticos da cidade. – Eu ajudei a construir aqueles prédios, dizia com muito orgulho. Eu perguntei o que ele fez exatamente. Ele me disse que foi ajudante de pedreiro, mas que também chegou a assentar tijolos.

A Missão Cristã do Brasil envia missionários para vários países do mundo. Um dos projetos da missão foi implantado em Moçambique, país extremamente carente, onde se encontram os missionários Kleber e sua esposa Juracema. Eles desenvolvem naquele país um excelente trabalho, abrindo escolas primárias, construindo igrejas e contribuindo grandemente para o desenvolvimento daquela nação.

Lembro-me da enorme necessidade de voluntários quando o projeto Moçambique estava sendo idealizado há vinte anos. Eu estava extremamente interessado em me engajar no projeto, mas queria trabalhar na linha de frente. Pensando na possibilidade de ir ao campo, comecei a orar e a pedir a Deus que me mostrasse qual deveria ser a minha contribuição. Quando obtive a resposta, fiquei um pouco frustrado ao perceber que Deus não queria que eu fosse ao campo, nem que eu estivesse na linha de frente, mas queria que eu ficasse na retaguarda, contribuindo financeiramente e cobrindo os missionários com oração.

Naquele momento, veio na minha mente o texto onde é narrado que Jesus estava no pátio do Templo, sentado perto da caixa das ofertas, olhando com atenção as pessoas que punham dinheiro ali. Muitos ricos davam muito dinheiro. Então chegou uma viúva pobre e pôs na caixa duas moedinhas de pouco valor.

Aí Jesus chamou os discípulos e disse: – Eu afirmo a vocês que isto é verdade: esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque os outros deram do que estava sobrando. Porém ela, que é tão pobre, deu tudo o que tinha para viver. (Marcos 12: 41-44)

É incrível como a intenção de servir a Cristo pode facilmente se tornar em algo egoísta. Naquela época, eu ainda jovem, estava muito interessado em participar do projeto, mas queria participar do meu jeito, ou seja, em uma posição na qual meu trabalho pudesse aparecer, talvez pensando em ser honrado pelos homens. Deus me disse ‘não’, porque a minha motivação não era boa. Na verdade, eu queria fazer o trabalho, mas queria fazê-lo na parte mais nobre. Ao contrário, Deus queria que eu fizesse um trabalho pequeno, embora tão importante e tão nobre quanto estar na linha de frente.

A verdade, queridos, é que o voluntariado para cuidar de um berçário da igreja é tão importante aos olhos de Deus quanto à construção de escolas e igrejas em outro país. Cuidar dos órfãos, das viúvas e dos necessitados também. Aos olhos humanos, o assentar tijolos na obra de construção de um prédio deveria ser tão importante quanto à realização do cálculo estrutural, porque, afinal, todos contribuem para a beleza do edifício.

Quando decidimos fazer a vontade de Deus, seja ela qual for, mesmo assentando tijolos, estamos contribuindo igualmente para a construção do Seu Reino. Então, procure se envolver debaixo da orientação divina. Não perca a oportunidade de assentar tijolos, ou mesmo de fazer o cálculo estrutural, se for designado para isso. Não fique triste se, diante dos homens seu trabalho não venha a aparecer na placa de inauguração, mas lembre-se de que são os pequenos detalhes que fazem a diferença.

Quais são as oportunidades que você tem para servir? Procure saber de Deus qual é a sua parte na construção do Reino Celestial. Não deixe a oportunidade escapar. O pior dos mundos é ficar de fora!