segunda-feira, 18 de abril de 2011

Livres da Penitência

Dá-me novamente a alegria da tua salvação e conserva em mim o desejo de ser obediente. (Salmo 51:12)

Você tem dificuldade em aceitar a ideia de que Deus ama você? Você luta contra uma sensação persistente de inadequação ou indignidade?

Estamos passando pelo período da Quaresma. À medida que nos aproximamos do seu final, deparamos mais intensamente com as palavras ‘pecados’, ‘restaurações’, ‘jejuns’, ‘confissões’ e ‘penitências’. Essencialmente, ‘o período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde alguns cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Cristo Vivo, Ressuscitado no Domingo de Páscoa’ (Wikipedia). No final da Quaresma, a Semana Santa representa uma data maravilhosa e muito importante para todos nós. Somos pecadores, vivemos em um mundo decaído e por isso tendemos a esquecer da necessidade de Deus e do Seu amor incondicional.

É fácil perceber como a Quaresma pode infundir a humildade em uma pessoa que sofre de orgulho. Mas o que diremos com relação aos que estão no outro extremo, os que sofrem de escrupulosidade? Escrupulosidade é definida como uma ‘preocupação obsessiva com os seus próprios pecados e desempenho compulsivo de devoção religiosa’ (Houaiss). Escrupulosidade é, basicamente, uma obsessão com os próprios defeitos e falhas. Muitas vezes, a praga do perfeccionismo paralisa a vida do cristão que, erroneamente, acaba se convencendo de que Deus não pode amá-lo o suficiente para perdoá-lo e, então, ele se afasta do Criador.

Quando temos a tendência de focar em nossas imperfeições, precisamos lembrar que a Quaresma é também o caminho para a alegria da Páscoa – ‘evento religioso cristão, normalmente considerado como a maior e a mais importante festa da Cristandade. Na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo’ (Wikipedia). A Quaresma foi criada para nos ajudar a crescer em nosso relacionamento com Deus, e não nos levar à depressão espiritual.

Vamos analisar um exemplo de prática comum na Quaresma – o jejum. Por que os cristãos jejuam? O jejum pode ser encontrado tanto no Antigo como no Novo Testamento, com Moisés (Êxodo 34:28; Deuteronômio 9:9-18), Elias (1 Reis 19:8), e o Senhor Jesus Cristo (Mateus 4:2). Todos eles praticavam jejuns de 40 dias. Biblicamente, o jejum significa uma genuína humildade e um desejo profundo de se relacionar com Deus. O jejum é uma forma de negar a nós mesmos os nossos próprios desejos, para que possamos estar mais sintonizados com a voz do Senhor. O jejum requer, em primeiro lugar, uma crença de que se pode ter um relacionamento com Deus e que Ele é acessível.

O jejum só faz sentido quando cremos que temos dignidade e que somos criados à imagem e semelhança de Deus. No princípio, Deus disse: ‘Agora vamos fazer os seres humanos, que serão como nós, que se parecerão conosco. Eles terão poder sobre os peixes, sobre as aves, sobre os animais domésticos e selvagens e sobre os animais que se arrastam pelo chão. Assim Deus criou os seres humanos; ele os criou parecidos com Deus. Ele os criou homem e mulher’ (Gênesis 1:26-27) e viu que era bom.

Como seres humanos, com esta dignidade, podemos exercer o maior presente dado por Deus – o livre arbítrio – para abraçarmos as oportunidades que Deus nos dá, para experimentarmos a Sua graça e para aperfeiçoarmos o nosso modo de viver. Ao fazê-lo, os pequenos incômodos que vêm com o jejum devem chamar nossa atenção para os nossos pecados, mas também, principalmente, para a realidade de que Deus nos ama tanto, que deu o Seu único Filho, para que todo aquele que nEle crer não morra, mas tenha a vida eterna. No final da Quaresma, Jesus Cristo morreu por nós numa cruz e ressuscitou no terceiro dia. Hoje está à direita de Deus intercedendo por nós. Isso é motivo de grande alegria e júbilo para os salvos.

Se você sofre de escrúpulo, principalmente durante a Quaresma, em vez de se punir por causa dos seus pecados, acredite que Jesus Cristo já os pregou na cruz, e passe os próximos dias estudando o evangelho à luz do amor de Deus para você. Jesus disse para os que creram nele: ‘Se vocês continuarem a obedecer aos meus ensinamentos serão, de fato, meus discípulos e conhecerão a verdade, e a verdade os libertará... Se o Filho os libertar, vocês serão, de fato, livres’. (João 8:31-36)