segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Tempos selvagens

"Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis." (2 Timóteo 3:1)

A cultura ocidental, em constante mudança, apresenta uma mistura de valores. Tem coisas boas e outras ruins. Sim, a cultura atual não é 100% má. Apesar de os pessimistas verem apenas o lado negativo, é possível identificar aspectos positivos, como a liberdade, a tolerância às diferenças, a tecnologia e a ciência. Mas há uma coisa que é 100% ruim e continua a piorar: a cultura da impiedade.

Vivendo no 1º século, o apóstolo Paulo olhou para o mundo da época e ficou desolado, pois viu que, com o passar do tempo, a cultura da impiedade tendia a se aprofundar. Em sua segunda carta a Timóteo (3:1-5), ele apresenta um catálogo impressionante das características que marcariam o fim dos tempos. O velho apóstolo queria blindar seu jovem seguidor contra as tendências que via ao redor. Imagine se ele vivesse hoje!

Na paráfrase A Mensagem, a linguagem de Paulo parece ainda mais vívida: “Não seja ingênuo. Tempos difíceis vêm por aí. À medida que o fim se aproxima, os homens vão se tornando egocêntricos, loucos por dinheiro, fanfarrões, arrogantes, profanos, sem respeito para com os pais, cruéis, grosseiros, interesseiros sem escrúpulos, irredutíveis, caluniadores, sem autocontrole, selvagens, cínicos, traiçoeiros, impiedosos, vazios, viciados em sexo e alérgicos a Deus. Eles vão fazer da religião um espetáculo, mas nos bastidores se comportam como animais.”

Note que esses indivíduos “selvagens”, “cínicos” e “vazios” são “alérgicos a Deus”. Gostam do que Deus não gosta, sentem prazer no que Deus abomina, amam o que Deus odeia, priorizam o que Deus despreza, ignoram o que Deus observa, esquecem-se do que Deus lembra. Talvez esse seja o problema principal. Deus faz mal para eles, pois seu sistema imunológico religioso e ético está enfraquecido. Não suportam a santidade. Desejam parecer religiosos, mas não querem ser transformados. Assim, a religião se torna um espetáculo, uma farsa, uma imitação barata.

Uma característica dessa cultura é o amor mal direcionado, voltado para o objeto errado. As pessoas são “amantes” do mundo, não “amantes” de Deus – termo que, em algumas versões, aparece cinco vezes nos primeiros versos do capítulo 3. Voltados para o “eu”, marcados por uma fé distorcida, eles rejeitam a verdade.

Não se iluda, aconselha Paulo. Tempos “selvagens” vêm por aí. As coisas estão piorando. E a melhor maneira de enfrentar a cultura da impiedade é buscar a Escritura inspirada, que é útil para corrigir nossos erros (v. 16) e promove a cultura da piedade. Para um tempo “sem noção”, busquemos a noção para todos os tempos.

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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Sucesso com Deus

“Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês”, diz o Senhor, “planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro.” Jeremias 29:11

O projeto de Deus para você não é diferente do projeto para o povo judeu no passado. A incrível promessa do texto de hoje, feita para os judeus do 6º século a.C., vale para você também. Deus planeja fazer você “prosperar” e lhe dar “esperança e um futuro”. Quem não quer prosperar e ter sucesso?

Ter sucesso não é errado. Contudo, não devemos assimilar os conceitos populares de sucesso. O cristão não considera o sucesso um fim em si, não o busca de forma antiética e não o usa de maneira egoísta. Ele está disposto a colocar Deus e as pessoas acima do sucesso. Se o verdadeiro sucesso não é apenas alcançar o que o mundo valoriza, o que é então?

1. Sucesso é realizar o potencial pessoal. O sucesso não deve ser medido pelas conquistas dos outros, mas pelo próprio progresso.

2. Sucesso é transpor com graça e bom humor os obstáculos. A vida é cheia de desafios e durezas. Quem aprende a sorrir e vai em frente com perseverança, apesar das dificuldades, é um vencedor.

3. Sucesso é alcançar o alvo que Deus motivou você a estabelecer para sua vida. Planos altruístas são ingredientes importantes do sucesso.

4. Sucesso é viver além do nível material. O sinal básico de uma vida bem-­sucedida não é uma empresa próspera, uma casa bonita, carro do ano ou uma coleção de joias caras, mas a conquista de uma dimensão espiritual mais profunda.

5. Sucesso é fazer diferença positiva na comunidade e no mundo. Todos nós temos a capacidade de deixar marcas positivas nas pessoas com quem entramos em contato.

6. Sucesso é cumprir o propósito para o qual Deus criou você. Glorificar a Deus ao ser transformado à imagem de Cristo é a síntese desse propósito.

7. Sucesso é transcender o imediato e ganhar a dimensão da eternidade. A maior evidência de sucesso é Deus manifestar o desejo de gravar nosso DNA em sua memória e nos considerar indispensáveis para viver eternamente em sua comunidade de amor. Ao alcançar a vida eterna, podemos conquistar os sonhos adiados.

Tente conquistar o sucesso, mas não fique obcecado por ele, pois, como alertou o psicólogo austríaco Viktor Frankl, “o sucesso, como a felicidade, não pode ser perseguido; ele deve acontecer […] como um efeito colateral não premeditado de nossa dedicação pessoal a um caminho que é maior que nós mesmos”. Você foi programado para Deus, e Deus é o sucesso absoluto.


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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Supervencedor

"Em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou." (Romanos 8:37)

Apesar do nome, Victor sentia-se derrotado e fracassado. Quando olhava para o passado, via erros assustadores, que frequentemente emergiam em sua consciência para assombrá-lo. Mesmo sendo cristão, vivia atormentado.

Certo dia, um pregador falou sobre um dos capítulos mais incríveis da Bíblia, Romanos 8, e enfatizou que, em Cristo, todo perdedor é um vencedor. “Você é super/ultra/mega vitorioso porque Deus está a seu lado e nada pode separá-lo do amor de Cristo”, ele disse, apontando o dedo para Victor. A mensagem atingiu o rapaz como um raio. Seria possível convencer um perdedor de que, na verdade, ele é um vencedor?

Em Romanos 8, a partir do verso 31, o apóstolo formula uma série de perguntas retóricas para nos convencer de que somos vencedores. O apóstolo nos desafia a pensar em todos os inimigos e obstáculos possíveis. Pegue todos eles e coloque-­­os de um lado. Pegue Deus e coloque do outro. Quem vence? Paulo sabia que os líderes judeus, os judaizantes, os romanos e os poderes invisíveis do mal estavam contra ele. Mas sabia também que a onipotência divina estava a seu favor.

Você é supervencedor, Paulo raciocina, porque Deus já deu seu Filho para morrer por você. Ele usa o argumento do maior para o menor. Se Deus deu o presente máximo, não vai dar o mínimo? Ele deu tudo o que você precisava para ter a vida eterna. Por isso, dará também tudo o que precisar para guiá-lo, protegê-lo e moldá-lo, até você chegar à glória eterna. Se ele deu o seu Filho, o resto é “café pequeno”, como se diz em Minas.

Você é supervencedor, diz Paulo, porque ninguém pode condená-lo. O diabo pode acusar, porém não condenar. A boa notícia não é apenas que Cristo morreu em seu lugar, mas que, no julgamento, você não será condenado. Pode parecer que o apóstolo estava sendo ingênuo. Afinal, Roma era um império brutal, que condenava quem queria. Contudo, quando Deus declara você justo, ninguém pode declará-lo culpado, porque Deus tem a última palavra. A salvação não depende de você, mas do que Jesus fez por você.

Por fim, diz o apóstolo, você é superconquistador porque ninguém tem o poder de fazer Deus parar de amá-lo. A dimensão do espaço ou a do tempo não pode separá-lo de Deus.

Victor ouviu Romanos 8 e voltou eufórico para casa. Passou de perdedor a supervencedor. Você também pode ser supervencedor porque Deus está a seu lado e ele nunca perde.

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Estratégia de guerra

"Houve então uma guerra no céu. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram." (Apocalipse 12:7)

O livro A Arte da Guerra, escrito no 4º século a.C. por Sun Tzu, é um influente tratado de estratégias militares. Usado por diversos generais ao longo da história, como Napoleão e Mao Tsé-Tung, transformou-se também em inspiração para economistas e administradores, que aplicam as táticas do sábio chinês no mundo dos negócios.

A obra, permeada pelo pensamento taoísta, é composta por 13 capítulos. Para muitos aspectos discutidos nela, podemos achar paralelos em outro clássico, a Bíblia, que contém orientações valiosas para vencermos a maior de todas as guerras.

No capítulo 3, por exemplo, o autor diz: “Se você conhece o inimigo e a si mesmo, lutará cem batalhas sem perigo de derrota. Se não conhece o inimigo, mas conhece a si mesmo, tem chances iguais de vitória ou derrota. Se não conhece nem o inimigo e nem a si próprio, será derrotado em todas as batalhas.” O manual do guerreiro cristão diz: “Sejam sóbrios e vigiem. O diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor” (1Pe 5:8).

Tzu observa que, assim como “a água não tem forma constante”, “na guerra também não existem condições constantes”, e é preciso observar as táticas do inimigo. Nosso manual adverte que “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 11:14).

Para Tzu, “a invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque”. Ele recomenda a estratégia ofensiva. Paralelamente, nosso manual diz: “As armas com as quais lutamos não são humanas; pelo contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas” (2Co 10:4).

O estrategista chinês recomenda a energia, o ímpeto, a velocidade e a eficiência. Ele motiva o guerreiro a ser invencível. Nosso manual diz: “Fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder” (Ef 6:10). “Não tema, pois estou com você; não tenha medo, pois sou o seu Deus” (Is 41:10).

De acordo com Tzu, o guerreiro deve se adaptar ao terreno e buscar os espaços que aumentem suas chances de vitória. A estratégia bíblica ensina: “Se você fizer do Altíssimo o seu refúgio, nenhum mal o atingirá” (Sl 91:9, 10). Para os ataques com fogo, tema de um dos capítulos de Tzu, a estratégia bíblica recomenda: “Usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno” (Ef 6:16). Ao discutir a utilização de agentes secretos, Tzu reforça que a inteligência ou espionagem é essencial. Estratégia bíblica: “Os anjos não são, todos eles, espíritos ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb 1:14).

Se você usar a arte divina da guerra espiritual, será vitorioso. Ninguém pode derrotar quem segue a estratégia do Senhor dos exércitos.

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