quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Vivendo sob uma ameaça global

No livro Present Concerns(1), uma coletânea de vários artigos escritos por C.S. Lewis, há um artigo com o título Vivendo numa Era Atômica, onde ele apresenta uma resposta à pergunta: “Como viveremos numa era atômica?”. O artigo foi escrito em 1948, três anos depois da explosão da bomba de Hiroshima, quando o mundo estava tentando lidar com a nova realidade da possibilidade de uma explosão nuclear que pudesse destruir grande parte da humanidade. 

A resposta dele é apropriada a qualquer outro momento quando vivemos com alguma ameaça à vida humana, de proporção global, como é o caso da atual epidemia do novo coronavírus:

“Uai, (sim, no inglês a palavra why pode ser usada de modo parecido como os mineiros usam o uai), da mesma maneira que você viveria no século 16 quando a ‘peste"(2) visitava Londres quase todos os anos, ou como você viveria na era Viking quando os invasores da Escandinávia poderiam chegar a qualquer noite e cortar suas gargantas; ou na realidade, como você já está vivendo numa era de câncer, de sífilis, de paralisia, uma era de bombardeamento aéreo, de acidentes ferroviários, de acidentes rodoviários.”

Em outras palavras, não devemos começar a exagerar a “novidade” da nossa situação. 

“Você, bem como todos os que você ama, já estavam sentenciados à morte antes da bomba atômica ter sido inventada; e uma boa parte de nós iremos morrer de uma maneira desagradável. Nós, de fato, temos uma grande vantagem sobre os nossos antepassados – anestesia. É perfeitamente ridículo sair por aí choramingando com rostos longos porque os cientistas adicionaram mais uma opção de morte dolorosa e prematura a um mundo, já arrepiado por tantas opções, no qual a morte, em si, não é uma opção, mas uma certeza. A primeira coisa a fazer é controlar-se. Se todos nós vamos ser destruídos por uma bomba atômica, quando a bomba chegar, que ela nos encontre fazendo as coisas sensatas e humanas – orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, dando banho nas crianças e não amontoados como ovelhas amedrontadas pensando sobre bombas. Elas podem quebrar os nossos corpos (um micróbio pode fazer isto – no nosso caso um vírus) mas elas não precisam dominar nossas mentes.”(3)

C.S. Lewis destaca que a nossa reação a esta pergunta vai depender da nossa resposta a outra pergunta: “O Universo é a única coisa que existe?”. Ele mostra que a ciência já fala que um dia todo o universo chegará a um fim, e se cremos que ele é tudo o que existe então não há muita razão para esperança, pois ele é “um navio naufragando” e que, a longo prazo, ele “não é muito a favor da vida”. O que a guerra (Lewis estava vivendo com a memória das duas grandes guerras), a ameaça climática, e a bomba atômica fizeram foi, abruptamente, relembrar que tipo de universo vivemos, e nos fez perguntar se o final vai chegar prematuramente por causa da intervenção humana. 

Mas se cremos que o Universo não é a única coisa que existe, que na realidade somos irmãos, e temos um Criador comum, isto muda completamente a nossa atitude, a situação se torna mais tolerável. Lewis mostra que talvez não sejamos prisioneiros, mas colonizadores do universo, aprendendo a conviver com ele e a lidar com as intempéries que enfrentarmos. Mas, acima de tudo, devemos viver de acordo com os valores que refletem o caráter do Criador, como amor e sobriedade, e não a lei natural da “sobrevivência do mais forte”. Lewis fala que esta última é, justamente, a maior ameaça à existência da humanidade ou de uma nação.

Além de guiarmos nossas vidas e relações por estes princípios, também, se cremos num Criador amoroso e gracioso, podemos descansar no seu cuidado com a vida humana, em qualquer situação que vivemos, em meio a qualquer ameaça que estejamos enfrentando. O apóstolo Paulo, escrevendo para a igreja em Roma, que estava enfrentando dificuldades, mas que em breve passaria por uma das mais cruéis perseguições, sob a tirania de Nero, faz uma pergunta semelhante: “Será que a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separará do amor de Deus?”. O foco da pergunta não é se alguma destas crises pode fazer com que desviemos da fé em Deus, mas se ao enfrentarmos alguma delas, ela poderá gerar em nós um sentimento de que está ocorrendo fora, separado, do amor cuidadoso de Deus por nós. Sua resposta é bem taxativa. NADA. Nenhuma delas deve nos dar a impressão de que estão ocorrendo separadas do amor de Deus. Tudo que acontece conosco está dentro do Seu amor e cuidado para conosco. Não importa o problema que estejamos enfrentando, toda nossa vida está sob o cuidado amoroso e gracioso Dele. E mais ainda: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35-39).

Notas
1. Present Concerns, editado por Walter Hooper, Harper Collins, Nova Iorque, 2017. O artigo ‘On Living in an Atomic Age’, publicado na revista Informed Reading, vol. VI, 1948, pp. 78-84.
2. A Peste Negra, ou Peste Bubônica, foi a maior pandemia da história humana, que ocorreu na Eurásia, entre 1323 e 1353, com aproximadamente 75 a 200 milhões de mortos.
3. Present Concerns, pp. 91-92.

Texto copiado da Revista Ultimato, escrito por Rosifran Macedo, pastor presbiteriano, mestre em Novo Testamento pelo Biblical Theological Seminary (EUA). É missionário da Missão AMEM/WEC Brasil, onde foi diretor geral por nove anos. Atualmente, dedica-se, junto com sua esposa Alicia Macedo, em projetos de cuidado integral de missionários.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Uma nação sob o juízo de Deus

Meus queridos, depois de tudo que está acontecendo nos últimos dias, não posso deixar de registrar aqui a seguinte exortação.

Se você acredita em um Deus Soberano, rogo a você que faça as suas prestes para que Ele tenha misericórdia do povo brasileiro e nos poupe de tamanha desgraça. A nossa nação está sob o juízo de Deus e vem sendo muito castigada por causa do egoísmo, avareza, arrogância, blasfêmias, desobediências aos pais, ingratidão, irreverência, calúnias, crueldade, traições, amizade com a luxúria e inimizade com Deus.
O povo brasileiro, além de ser penalizado pelo o vírus mortal que atingiu o mundo de maneira impiedosa, sofre ainda mais por causa da crise política e da corrupção. Pelo que se subtende pelas ações policiais nesses dias, pessoas gananciosas têm se aproveitado da pandemia para roubar os recursos públicos, materiais e financeiros, que deveriam estar sendo direcionados para combater o vírus.

Além do mais, muitos recursos humanos alocados no Estado, que deveriam ser direcionados para combater o vírus, têm sido gastos com brigas políticas e divisões ideológicas sem fim.

A Organização Mundial de Saúde estima que até o dia 4 de agosto de 2020 o Brasil contabilize, no mínimo, 88 mil mortes pela Covid-19, o que colocará o país entre as nações mais atingidas pela pandemia.

Quando o sábio rei Salomão orou pela nação de Israel, Deus se revelou a ele e disse “Se Eu fechar o céu para que não derrame a chuva, ou ainda se ordenar aos gafanhotos que devorem a terra, ou mesmo enviar praga sobre a minha própria gente; e se esse meu povo, que se chama pelo meu Nome, se humilhar, orar e buscar a minha face, e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e seus erros e curarei a sua terra.” (2 Crônicas 7:13-14). A partir daquele momento o povo de Israel teve longo período de bonança e prosperidade.

Portanto, ainda há uma esperança para o nosso Brasil. Por meio da oração Deus pode sim mudar o destino de uma nação. A Palavra de Deus nos exorta a orarmos pelas autoridades. "Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador," (1 Timóteo 2:1-3)

Se nada você puder fazer além de compartilhar esta exortação, rogo então que APENAS ORE!

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Ainda não acabou

"Quem poderia mandar e fazer acontecer as coisas, sem que o Senhor não o tenha ordenado? Não é o Altíssimo que envia tanto o mal como o bem?" (Lamentações 3:37,38)
Hoje os jornais nos informam que países que supostamente teriam vencido a pandemia voltam a ter novos casos de infecção por coronavírus. Parece que a humanidade ainda tem um longo caminho de luta pela frente. Essa pandemia serve para nos mostrar que somos absolutamente frágeis diante de Deus. Será que vamos reconhecer isso? A boa notícia é que podemos confiar em Deus porque: Ele é absolutamente soberano; Ele é infinito em sabedoria; Ele é perfeito em amor.
O texto que citei acima, escrito nas Escrituras Sagradas, escandaliza muita gente. As pessoas têm dificuldade para aceitar que tanto as desgraças quanto as bênçãos provêm de Deus. Muitas vezes indagam: "Se ele é um Deus soberano e amoroso, como pôde permitir uma desgraça como essa?".
Mas o próprio Jesus confirmou a soberania de Deus na desgraça quando Pilatos lhe disse: "Não sabes que tenho autoridade tanto para te soltar como para te crucificar?". Jesus respondeu: "...Nenhuma autoridade terias sobre mim, se do alto não te fosse dada..." (João 19:10,11). Jesus reconheceu o controle soberano de Deus sobre sua vida, sabendo que iria ser crucificado logo em seguida.
Como Deus sacrificou o próprio Filho por nossos pecados, e isso é um ato tão maravilhoso de amor para conosco, temos a tendência de ignorar que essa foi para Jesus uma experiência dolorosa, muito além de tudo que podemos imaginar. Para ele, em sua humanidade, foi uma desgraça suficiente para levá-lo a orar "Meu Pai, se possível afasta de mim este cálice", mas ele não vacilou em sua confirmação do controle soberano de Deus.
Em vez de se escandalizar com a declaração bíblica da soberania de Deus tanto na bênção quanto na desgraça, os crentes deveriam ser confortados por ela. Qualquer que seja nossa desgraça ou adversidade particular, podemos estar certos que nosso Pai tem um propósito de amor na nossa dor. Como disse o rei Ezequias: "Passei por grande sofrimento para o meu próprio bem" (Isaías 38:17)
Deus não exerce sua soberania por capricho, mas apenas do modo que seu amor infinito considera melhor para nós.

sábado, 25 de abril de 2020

Deus é quem escolhe os governantes das nações?

"O coração do rei é como a corrente de águas nas mãos do Senhor: ele o dirige para onde quer." (Provérbios 21:1)

Deus tem um propósito para a humanidade, um propósito para os eventos atuais, e Ele realizará esse propósito através da liderança que Ele colocar ou permitir que esteja naquela posição. 


A Bíblia registra que Nabucodonosor, um poderoso governante do Império Babilônico há seiscentos anos antes de Cristo, recebeu uma visão de Deus. O profeta Daniel interpretou esse sonho. Daniel explicou que Deus entregou essa visão a Nabucodonosor “a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer, e até o mais humilde dos homens constitui sobre eles” (Daniel 4:17).

Como está implícito nas palavras de Daniel, Nabucodonosor não era um homem agradável. Ele jogava pessoas vivas em fornalhas acesas se não se curvassem ao seu ídolo. Ele ameaçou assassinar todos os seus conselheiros se eles não interpretassem seu sonho.

Nos últimos tempos, poucos países desenvolvidos experimentaram um governante tão violento. No entanto, a Bíblia mostra claramente que às vezes Deus colocará líderes terríveis em posições de grande poder com o claro propósito de realizar Seus planos.

Certamente, isso ocorreu com o faraó do êxodo, cujo coração Deus endureceu uma e outra vez até o Egito ser humilhado por tratar mal Seu povo, Israel. Deus enviou Moisés para dizer a Faraó: “Mas, na verdade, para isso te hei mantido com vida, para te mostrar o Meu poder, e para que o Meu nome seja anunciado em toda a terra” (Êxodo 9:16).

Algumas vezes, Deus esteve diretamente envolvido na escolha de indivíduos a posições muito proeminentes. Ele inspirou o profeta Isaías a anunciar, com antecedência, a ascensão de Ciro, o Grande, ao poder para cumprir Seu propósito (Isaías 45:1). E um século e meio depois, Deus colocou Ciro sobre o Império Persa.

Noutra ocasião, Daniel declarou: “Louvado seja o nome de Deus para todo o sempre… Ele muda as épocas e as estações; destrona reis e os estabelece” (Daniel 2:20-21, NVI). O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos que viviam na capital do Império Romano, escreveu: “Nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus, e as que existem foram colocadas nos seus lugares por ele” (Romanos 13:1, BLH; Salmos 75:6-7, João 19:10-11).

Então, isso significa que Deus de alguma forma “endossa” o presidente ou qualquer outro líder com todas as suas falhas e fraquezas? Não. O que isso significa é que Deus tem um propósito para a humanidade, um propósito para os eventos atuais, e Ele realizará esse propósito através da liderança que Ele colocar ou permitir que esteja naquela posição.

Embora as Escrituras mostrem que, às vezes, Deus realmente decide quem será o governante oficial de uma nação, mas Ele também permite que as pessoas escolham governantes que não compactuam dos valores ensinados nas Sagradas Escrituras, mesmo em detrimento delas. Em certa ocasião, Ele criticou Seu antigo povo escolhido com estas palavras: “Israel desprezou o bem… Eles fizeram reis, mas não por Mim” (Oséias 8:3-4). A lição é clara: Deus só aprova aqueles governantes que não “rejeitam o bem”, como definido por Ele.

O apóstolo Paulo dá este excelente conselho aos cristãos que questionam o que pensar e fazer quanto aos seus governantes: “Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade” (1 Timóteo 2:1-2, grifo nosso).

Orar para que Deus proveja governantes que trabalhem para tornar possível aos crentes viverem “uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade”, que é agradável e apropriada aos olhos de Deus. Mas primeiro é fundamental aprender e praticar Sua vontade antes de esperar que Ele ouça essas orações (ver 1 João 3:22). Até mesmo Jesus, que tinha plena fé nas decisões de Deus, orou: “Todavia não se faça a Minha vontade, mas a Tua” (Lucas 22:42). E é na Palavra de Deus, a Bíblia, onde podemos encontrar Sua vontade revelada.