terça-feira, 29 de setembro de 2020

Tem conexão wi-fi?

"O sábio tem fome de conhecimento, enquanto os tolos se alimentam de insensatez." (Provérbios 15;14)

Quando eu me preparava para uma viagem missionária com alguns jovens, o que eles mais perguntavam era: “Vai ter wi-fi?”. E eu lhes garantia que sim. Imaginem as lamentações e os gemidos numa noite em que a conexão caiu!


Muitos de nós ficamos impacientes quando nos separamos do celular. E quando o temos em mão, podemos ficar grudados na tela.

Como muitas coisas, a internet e os dispositivos que nos permitem acessar o mundo podem tornar-se um transtorno ou uma bênção. Depende de como agimos. Lemos em Provérbios: “O sábio tem fome de conhecimento, enquanto os tolos se alimentam de insensatez” (15:14).

Aplicando a sabedoria da Palavra de Deus à vida, podemos nos questionar: Será que verificamos nossas redes sociais compulsivamente ao longo do dia? O que isso diz sobre as coisas das quais temos fome? E será que as coisas que lemos ou visualizamos online incentivam um estilo de vida sensato (vv.16-21), ou estamos nos alimentando daquilo que não satisfaz — fofocas, difamação, materialismo ou impureza sexual?

À medida que nos rendemos à obra do Espírito Santo, podemos encher a nossa mente com o que é “verdadeiro, tudo que é nobre, tudo que é correto, tudo que é puro, tudo que é amável e tudo que é admirável” (Filipenses 4:8). Pela sabedoria de Deus, podemos fazer boas escolhas para honrá-lo. — Poh Fang Chia

Aquilo que entra em nossa mente molda a nossa alma.

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Vivendo sob uma ameaça global

No livro Present Concerns(1), uma coletânea de vários artigos escritos por C.S. Lewis, há um artigo com o título Vivendo numa Era Atômica, onde ele apresenta uma resposta à pergunta: “Como viveremos numa era atômica?”. O artigo foi escrito em 1948, três anos depois da explosão da bomba de Hiroshima, quando o mundo estava tentando lidar com a nova realidade da possibilidade de uma explosão nuclear que pudesse destruir grande parte da humanidade. 

A resposta dele é apropriada a qualquer outro momento quando vivemos com alguma ameaça à vida humana, de proporção global, como é o caso da atual epidemia do novo coronavírus:

“Uai, (sim, no inglês a palavra why pode ser usada de modo parecido como os mineiros usam o uai), da mesma maneira que você viveria no século 16 quando a ‘peste"(2) visitava Londres quase todos os anos, ou como você viveria na era Viking quando os invasores da Escandinávia poderiam chegar a qualquer noite e cortar suas gargantas; ou na realidade, como você já está vivendo numa era de câncer, de sífilis, de paralisia, uma era de bombardeamento aéreo, de acidentes ferroviários, de acidentes rodoviários.”

Em outras palavras, não devemos começar a exagerar a “novidade” da nossa situação. 

“Você, bem como todos os que você ama, já estavam sentenciados à morte antes da bomba atômica ter sido inventada; e uma boa parte de nós iremos morrer de uma maneira desagradável. Nós, de fato, temos uma grande vantagem sobre os nossos antepassados – anestesia. É perfeitamente ridículo sair por aí choramingando com rostos longos porque os cientistas adicionaram mais uma opção de morte dolorosa e prematura a um mundo, já arrepiado por tantas opções, no qual a morte, em si, não é uma opção, mas uma certeza. A primeira coisa a fazer é controlar-se. Se todos nós vamos ser destruídos por uma bomba atômica, quando a bomba chegar, que ela nos encontre fazendo as coisas sensatas e humanas – orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, dando banho nas crianças e não amontoados como ovelhas amedrontadas pensando sobre bombas. Elas podem quebrar os nossos corpos (um micróbio pode fazer isto – no nosso caso um vírus) mas elas não precisam dominar nossas mentes.”(3)

C.S. Lewis destaca que a nossa reação a esta pergunta vai depender da nossa resposta a outra pergunta: “O Universo é a única coisa que existe?”. Ele mostra que a ciência já fala que um dia todo o universo chegará a um fim, e se cremos que ele é tudo o que existe então não há muita razão para esperança, pois ele é “um navio naufragando” e que, a longo prazo, ele “não é muito a favor da vida”. O que a guerra (Lewis estava vivendo com a memória das duas grandes guerras), a ameaça climática, e a bomba atômica fizeram foi, abruptamente, relembrar que tipo de universo vivemos, e nos fez perguntar se o final vai chegar prematuramente por causa da intervenção humana. 

Mas se cremos que o Universo não é a única coisa que existe, que na realidade somos irmãos, e temos um Criador comum, isto muda completamente a nossa atitude, a situação se torna mais tolerável. Lewis mostra que talvez não sejamos prisioneiros, mas colonizadores do universo, aprendendo a conviver com ele e a lidar com as intempéries que enfrentarmos. Mas, acima de tudo, devemos viver de acordo com os valores que refletem o caráter do Criador, como amor e sobriedade, e não a lei natural da “sobrevivência do mais forte”. Lewis fala que esta última é, justamente, a maior ameaça à existência da humanidade ou de uma nação.

Além de guiarmos nossas vidas e relações por estes princípios, também, se cremos num Criador amoroso e gracioso, podemos descansar no seu cuidado com a vida humana, em qualquer situação que vivemos, em meio a qualquer ameaça que estejamos enfrentando. O apóstolo Paulo, escrevendo para a igreja em Roma, que estava enfrentando dificuldades, mas que em breve passaria por uma das mais cruéis perseguições, sob a tirania de Nero, faz uma pergunta semelhante: “Será que a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada nos separará do amor de Deus?”. O foco da pergunta não é se alguma destas crises pode fazer com que desviemos da fé em Deus, mas se ao enfrentarmos alguma delas, ela poderá gerar em nós um sentimento de que está ocorrendo fora, separado, do amor cuidadoso de Deus por nós. Sua resposta é bem taxativa. NADA. Nenhuma delas deve nos dar a impressão de que estão ocorrendo separadas do amor de Deus. Tudo que acontece conosco está dentro do Seu amor e cuidado para conosco. Não importa o problema que estejamos enfrentando, toda nossa vida está sob o cuidado amoroso e gracioso Dele. E mais ainda: “Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Rm 8.35-39).

Notas
1. Present Concerns, editado por Walter Hooper, Harper Collins, Nova Iorque, 2017. O artigo ‘On Living in an Atomic Age’, publicado na revista Informed Reading, vol. VI, 1948, pp. 78-84.
2. A Peste Negra, ou Peste Bubônica, foi a maior pandemia da história humana, que ocorreu na Eurásia, entre 1323 e 1353, com aproximadamente 75 a 200 milhões de mortos.
3. Present Concerns, pp. 91-92.

Texto copiado da Revista Ultimato, escrito por Rosifran Macedo, pastor presbiteriano, mestre em Novo Testamento pelo Biblical Theological Seminary (EUA). É missionário da Missão AMEM/WEC Brasil, onde foi diretor geral por nove anos. Atualmente, dedica-se, junto com sua esposa Alicia Macedo, em projetos de cuidado integral de missionários.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Uma nação sob o juízo de Deus

Meus queridos, depois de tudo que está acontecendo nos últimos dias, não posso deixar de registrar aqui a seguinte exortação.

Se você acredita em um Deus Soberano, rogo a você que faça as suas prestes para que Ele tenha misericórdia do povo brasileiro e nos poupe de tamanha desgraça. A nossa nação está sob o juízo de Deus e vem sendo muito castigada por causa do egoísmo, avareza, arrogância, blasfêmias, desobediências aos pais, ingratidão, irreverência, calúnias, crueldade, traições, amizade com a luxúria e inimizade com Deus.
O povo brasileiro, além de ser penalizado pelo o vírus mortal que atingiu o mundo de maneira impiedosa, sofre ainda mais por causa da crise política e da corrupção. Pelo que se subtende pelas ações policiais nesses dias, pessoas gananciosas têm se aproveitado da pandemia para roubar os recursos públicos, materiais e financeiros, que deveriam estar sendo direcionados para combater o vírus.

Além do mais, muitos recursos humanos alocados no Estado, que deveriam ser direcionados para combater o vírus, têm sido gastos com brigas políticas e divisões ideológicas sem fim.

A Organização Mundial de Saúde estima que até o dia 4 de agosto de 2020 o Brasil contabilize, no mínimo, 88 mil mortes pela Covid-19, o que colocará o país entre as nações mais atingidas pela pandemia.

Quando o sábio rei Salomão orou pela nação de Israel, Deus se revelou a ele e disse “Se Eu fechar o céu para que não derrame a chuva, ou ainda se ordenar aos gafanhotos que devorem a terra, ou mesmo enviar praga sobre a minha própria gente; e se esse meu povo, que se chama pelo meu Nome, se humilhar, orar e buscar a minha face, e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e seus erros e curarei a sua terra.” (2 Crônicas 7:13-14). A partir daquele momento o povo de Israel teve longo período de bonança e prosperidade.

Portanto, ainda há uma esperança para o nosso Brasil. Por meio da oração Deus pode sim mudar o destino de uma nação. A Palavra de Deus nos exorta a orarmos pelas autoridades. "Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador," (1 Timóteo 2:1-3)

Se nada você puder fazer além de compartilhar esta exortação, rogo então que APENAS ORE!

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Ainda não acabou

"Quem poderia mandar e fazer acontecer as coisas, sem que o Senhor não o tenha ordenado? Não é o Altíssimo que envia tanto o mal como o bem?" (Lamentações 3:37,38)
Hoje os jornais nos informam que países que supostamente teriam vencido a pandemia voltam a ter novos casos de infecção por coronavírus. Parece que a humanidade ainda tem um longo caminho de luta pela frente. Essa pandemia serve para nos mostrar que somos absolutamente frágeis diante de Deus. Será que vamos reconhecer isso? A boa notícia é que podemos confiar em Deus porque: Ele é absolutamente soberano; Ele é infinito em sabedoria; Ele é perfeito em amor.
O texto que citei acima, escrito nas Escrituras Sagradas, escandaliza muita gente. As pessoas têm dificuldade para aceitar que tanto as desgraças quanto as bênçãos provêm de Deus. Muitas vezes indagam: "Se ele é um Deus soberano e amoroso, como pôde permitir uma desgraça como essa?".
Mas o próprio Jesus confirmou a soberania de Deus na desgraça quando Pilatos lhe disse: "Não sabes que tenho autoridade tanto para te soltar como para te crucificar?". Jesus respondeu: "...Nenhuma autoridade terias sobre mim, se do alto não te fosse dada..." (João 19:10,11). Jesus reconheceu o controle soberano de Deus sobre sua vida, sabendo que iria ser crucificado logo em seguida.
Como Deus sacrificou o próprio Filho por nossos pecados, e isso é um ato tão maravilhoso de amor para conosco, temos a tendência de ignorar que essa foi para Jesus uma experiência dolorosa, muito além de tudo que podemos imaginar. Para ele, em sua humanidade, foi uma desgraça suficiente para levá-lo a orar "Meu Pai, se possível afasta de mim este cálice", mas ele não vacilou em sua confirmação do controle soberano de Deus.
Em vez de se escandalizar com a declaração bíblica da soberania de Deus tanto na bênção quanto na desgraça, os crentes deveriam ser confortados por ela. Qualquer que seja nossa desgraça ou adversidade particular, podemos estar certos que nosso Pai tem um propósito de amor na nossa dor. Como disse o rei Ezequias: "Passei por grande sofrimento para o meu próprio bem" (Isaías 38:17)
Deus não exerce sua soberania por capricho, mas apenas do modo que seu amor infinito considera melhor para nós.