quinta-feira, 13 de abril de 2017

Momentos de aflição

"Pedro saiu do barco e começou a andar em cima da água, em direção a Jesus.  Porém, quando sentiu a força do vento, ficou com medo e começou a afundar. Então gritou: - Socorro, Senhor!" (Mateus 14:29-30) 

Andando lado a lado, a mão de Pedro na do Mestre, entraram juntos no barco. No entanto, Pedro estava agora rendido e silencioso. Ele não tinha nenhuma razão para se vangloriar sobre os companheiros, afinal, por causa da incredulidade e da exaltação, quase perdera a vida. Ao desviar de Cristo o olhar, ele perdeu o equilíbrio e afundou em meio às ondas.

O Brasil passa por um momento de aflição. O mundo também. Enquanto os cidadãos brasileiros não conseguem ter um mínimo de confiança nos líderes políticos, o mundo sente a insegurança de mais um ataque militar entre nações. Quantas vezes, ao enfrentarmos momentos assim, fazemos como Pedro! Olhamos para as ondas, em vez de manter os olhos fixos no Salvador. Os pés vacilam, e as impetuosas águas passam por sobre nossa alma. Jesus não disse a Pedro que fosse ter com Ele para que perecesse; não nos chama a segui-Lo para depois nos abandonar. […]

Jesus lia o caráter dos discípulos. Sabia que a fé manifestada por eles seria provada de modo doloroso. Nesse incidente no mar, desejava mostrar a Pedro sua própria fraqueza – que sua segurança dependia constantemente do poder divino. Em meio às tempestades da tentação, Pedro só poderia andar em segurança, quando, desconfiando inteiramente de si mesmo, descansasse no Salvador. Pedro era fraco no ponto em que se julgava mais forte; e, enquanto não discernisse sua fraqueza, não poderia compreender quanto necessitava confiar em Cristo. Se tivesse aprendido a lição que Jesus tentou lhe ensinar naquele incidente no lago, Pedro não teria fracassado quando a grande prova lhe sobreveio.

Dia a dia, Deus instrui Seus filhos. Pelas circunstâncias da vida diária, prepara- os para a parte que têm de desempenhar naquele mais vasto cenário que Sua providência lhes designou. É o resultado de sua prova diária que determina a vitória ou derrota deles na grande crise da vida.

Os que deixam de compreender sua contínua dependência de Deus serão vencidos pela tentação. Podemos entender agora que nossos pés estão firmes e jamais seremos abalados. Podemos dizer com confiança: “Eu sei em quem tenho crido; coisa alguma pode abalar minha confiança em Deus e em Sua Palavra”. Entretanto, Satanás está planejando aproveitar-se de nossos traços de caráter hereditários e cultivados para cegar nossos olhos tanto às nossas necessidades quanto aos nossos defeitos. Somente compreendendo a própria fraqueza e olhando firmemente para Jesus, podemos caminhar com segurança.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Vitória somente em Deus

"Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé." (1 João 5:4)

A vida cristã é uma batalha e uma marcha. No entanto, a vitória a ser ganha não é obtida por força humana. O campo de luta é o domínio do coração. A batalha que temos a ferir – a maior de quantas já foram travadas pelo ser humano – é a entrega do próprio eu à vontade de Deus, a sujeição do coração à soberania do amor. A velha natureza, nascida do sangue e da vontade da carne, não pode herdar o reino de Deus. As tendências hereditárias, os hábitos antigos devem ser renunciados.

Aquele que está determinado a entrar no reino espiritual perceberá que todas as forças e paixões de uma natureza não regenerada, fortalecidas pelos poderes das trevas, acham-se arregimentadas contra ele. O egoísmo e o orgulho tomarão posição contra tudo que os aponte como pecado. Não podemos, por nós mesmos, vencer os maus desejos e hábitos que lutam pela predominância. Não nos é possível dominar o poderoso inimigo que nos mantém em escravidão. Somente Deus pode nos dar a vitória. Ele deseja que tenhamos o domínio de nós mesmos, de nossa vontade e de nossos caminhos. Entretanto, Ele não pode atuar em nós contra o nosso consentimento e cooperação. O Espírito divino opera mediante as faculdades e poderes conferidos ao ser humano. Nossas energias são requeridas para cooperar com Deus.

A vitória não é ganha sem muita e fervorosa oração, sem a humilhação do próprio eu a cada passo. Nossa vontade não deve ser forçada a cooperar com os agentes celestiais, mas sujeitada voluntariamente. Se fosse possível forçar sobre nós, com centuplicada intensidade, a influência do Espírito de Deus, isso não nos tornaria cristãos, súditos aptos para o Céu. A fortaleza de Satanás não seria derrubada. A vontade deve ser colocada ao lado da vontade de Deus. Não somos capazes, por nós mesmos, de sujeitar nossos propósitos, desejos e inclinações à vontade de Deus; mas, se permitirmos, Ele efetuará a obra por nós, destruindo “toda a altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2Co 10:5). Então teremos que trabalhar nossa “salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade” (Fp 2:12, 13)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Fome e sede de justiça

"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça." (Mateus 5:6)

Justiça é santidade, semelhança com Deus; e “Deus é amor” (1 João 4:16). É conformidade com a lei de Deus; pois “todos os Teus mandamentos são justiça” (Salmos 119:172); e o “cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13:10). Justiça é amor, e o amor é a luz e a vida de Deus. A justiça de Deus se acha concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-o a Ele.

Não é por meio de duras lutas ou trabalho exaustivo, nem de dádivas ou sacrifícios, que alcançamos a justiça; ela é, porém, gratuitamente dada a toda pessoa que dela tem fome e sede. “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; […] sem dinheiro e sem preço.” “O seu direito que de Mim procede, diz o Senhor” e “este será o nome com que o nomearão: O Senhor Justiça Nossa” (Isaías 55:1; 54:17; Jeremias 23:6).

Nenhum agente humano pode suprir aquilo que satisfará a fome e a sede espiritual. No entanto, Jesus diz: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo” (Apocalipse 3:20). […]

Assim como precisamos de alimento para sustentar nossas forças físicas, também necessitamos de Cristo, o pão do Céu, para manter a vida espiritual e comunicar forças para efetuar as obras de Deus. Assim como o corpo está continuamente recebendo a nutrição que sustém a vida e o vigor, também a alma deve estar constantemente comungando com Cristo, a Ele submissa, e confiando inteiramente nEle. […]

Ao entendermos a perfeição do caráter de nosso Salvador, desejaremos ser inteiramente transformados e renovados à imagem de Sua pureza. Quanto mais conhecermos a Deus, mais elevado será nosso ideal de caráter, e mais veemente o nosso anseio de lhe refletir a imagem. Um elemento divino combina-se com o humano, quando a alma se dilata, em busca de Deus, e o anelante coração pode exclamar: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa, porque dEle vem a minha esperança” (Salmos 62:5).

Se você experimenta um sentimento de necessidade em seu coração, se tem fome e sede de justiça, isso é prova de que Cristo tem operado em seu coração.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O que Deus pode fazer com você

"Acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos." (Atos 2:47)

Não havia, nos apóstolos de nosso Senhor, coisa alguma que lhes trouxesse glória. Era evidente que o êxito de seus esforços se devia unicamente a Deus. A vida dessas pessoas, o caráter transformado e a poderosa obra por Deus operada por intermédio delas são testemunhos do que Ele fará por todos quantos estiverem dispostos a aprender e obedecer.

Aquele que mais ama a Cristo, maior soma de bem fará. Não há limites à utilidade de uma pessoa que teve sua alma transformada pelo Espírito Santo, e vive uma vida de inteira consagração a Deus. Caso as pessoas suportem a necessária disciplina, sem queixa ou desfalecimento ao longo do caminho, Deus as ensinará a cada hora, a cada dia. Revelará Sua graça. O Senhor derramará as águas da salvação em torrentes, mediante a fé e a capacitará para a Sua obra.

Deus toma as pessoas como são e educa-as para Seu serviço. O Espírito de Deus, recebido na mente, vivificará todas as suas faculdades. Sob a direção do Espírito Santo, o intelecto é fortalecido não apenas para compreender, mas para cumprir a vontade de Deus. O caráter fraco e vacilante transforma-se em outro forte e firme. O relacionamento contínuo estabelece uma relação tão íntima entre Jesus e Seu discípulo, que o cristão se torna como Ele em espírito e caráter. Mediante ligação com Cristo, terá visão mais clara e ampla. O discernimento se tornará mais penetrante, mais equilibrado o juízo. Aquele que é chamado para ser útil a Cristo é tão vivificado pelo poder do Sol da Justiça, que é habilitado a produzir muito fruto para glória de Deus.

Pessoas da mais elevada educação em ciências e artes têm aprendido preciosas lições de cristãos de condição humilde, classificados pelo mundo como ignorantes. Contudo, esses obscuros discípulos de Cristo haviam recebido educação na mais alta das escolas. Tinham sentado aos pés dAquele que falava como “jamais alguém falou” (João 7:46)